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20/12/2016

Resenha - Tudo e Todas As Coisas


Nome: Tudo e Todas As Coisas
No Original: Everything Everything
Autor (a): Nicola Yoon
Tradutor (a): Amanda Orlando
Páginas: 304
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Saraiva - Amazon - Cultura
Sinopse: Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa nunca sai em toda minha vida. As únicas pessoas com quem convivo são minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostuma com minha vida até o dia que ele chegou. Pela janela olho para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega observando-o e me encara. Encaro-o também. Descubro depois que seu nome é Olly.

Lembro-me de ter ficado bastante curiosa com a sinopse do livro pouco antes de seu lançamento lá fora e quando a notícia de que o livro iria ser adaptado para o cinema saiu fiquei ainda mais curiosa para ler. Filmes baseados em livro se tornaram, digamos um "hobby" e o livro de Nicola Yoon parece entrar na categoria que tem se tornado favorita de hollywood, livros jovens com um toque de drama. Após a leitura posso dizer que "Tudo e Todas As Coisas" é no mínimo estranho, e tem tudo a ver com os riscos que a autora está disposta ou não a correr. Conheçam e entendam.

Madeline é alérgica ao mundo. Portadora de uma síndrome autoimune rara ela vive em isolamento. Seu mundo é sua casa, seu quarto e seus livros, tudo esterilizado e controlado 24 horas por dia, 7 dias por semana desde que ela se lembra de alguma coisa. Sua mãe é médica e faz o possível para ela viver bem. Sua única companhia além da mãe é a enfermeira Carla e depois de dezessete anos em isolamento Madeline aprendeu a ter paciência, a não desejar (muito) as coisas, a não esperar. Porém com seu aniversário e a mesma rotina ela está passando por um momento difícil. Por isso quando o barulho de um caminhão estacionando chega até seu quarto Madeline diz para si mesmo que não é nada demais. Da última vez que teve alguém naquela casa as coisas não terminaram bem, mas ela tinha 8 anos, "agora vai ser diferente" Madeline diz para Carla e para si mesma. Contudo observar a família vizinha pela janela vira rotina assim como Olly, o filho mais velho que está sempre de preto e tem um sorriso enorme. Quando ele e sua irmã aparecem na porta para oferecer um bolo de boas-vindas e sua mãe recusa Olly começa a encenar com o bolo moribundo e Madeline até tenta não observar. Assim eles começam a trocar e-mails, e assim Madeline começa a imaginar "e se", e a desejar uma vida diferente...

Essa é a premissa do livro de estreia de Nicola Yoon e devo dizer que gostei muito do começo, da ambientação e principalmente da impressão que a autora conseguiu captar. Eu tive câncer com 16 anos e fiquei confinada em casa por anos sem sair e algumas partes consegui entender perfeitamente o que Madeline estava dizendo e sentindo. A perspectiva de que nada ia mudar era sufocante e a autora fez um trabalho maravilhoso e sensível ao captar com bastante precisão toda a frustração misturada com aceitação e resiliência por parte de Madeline. A narrativa em primeira pessoa é fluída, cativa o leitor logo no começo com um ambiente que salta das páginas à medida que a história se desenrola, mas, sim tem um "mas" e um bem grande infelizmente...

Mas Yoon resolveu tomar o caminho mais fácil. Tudo e Todas As Coisas tem uma premissa única e bem criativa, que parecia fugir ao lugar-comum que a maioria dos livros caíram hoje em dia, mas a autora preferiu não arriscar, preferiu o caminho mais seguro. Entre o aplauso de pé da maioria dos leitores independentemente da idade e o suspiro dos leitores mais jovens ela escolheu o suspiro. A história se encerra de modo adequado, um tanto triste e uma surpresa, mas nem perto do grande "pqp" que poderia ter sido.

Leitura rápida, que nos instiga pelo trágico da situação e pelos sentimentos que a protagonista desperta, a desolação de viver isolada do mundo e dos sonhos nunca realizados e os personagens são muito bons, a personagem secundária Carla também, mas nada redime a escolha da autora. Termino o livro pensando no "e se a autora tivesse ido até o fim em suas escolhas?" e toda vez que lembrar do livro ou que alguém falar sobre ou que eu ver notícias sobre o filme vou pensar nisso. Vamos ver o filme como vai ficar, será que mudam alguma coisa? A edição da Novo Conceito está ótima, capa muito bem adaptada assim como toda a edição. Recomendo a quem gosta de livros diferentes, seja no gênero jovem-adulto ou não. Mesmo com o "mas" ainda assim é um livro que foge do comum e vai agradar quem procura algo novo. Leiam! Até mais!

Acompanhe a editora Novo Conceito:

11/01/2015

Resenha - Louco Por Você


Nome: Louco Por Você
No Original: Falling Into You
Autor (a): Jasinda Wilder
Tradutor (a): Leonardo Gomes Castilhone
Páginas: 272
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: O primeiro amor não precisa de muito para se sustentar... Alimentado pela paixão e pela esperança de que tudo é para sempre, quando ele termina, tudo o que temos é a dor – e a sensação de que morremos um pouco todo dia. Poucos de nós acreditamos que existe vida depois do fim. Nell e Kyle são amigos desde a infância. Sempre fizeram tudo juntos, então ela nem se lembra de quando se tornaram realmente um casal. Quando Kyle morre da forma mais repentina, o mundo de Nell é lançado em um abismo de incertezas e dor. É quando Nell conhece Colton, irmão de Kyle e até então um completo desconhecido para ela. Estranhamente, é como se Colton a conhecesse há muito tempo... é como se ele a conhecesse por dentro. Ambos passam, então, a lutar para seguir em frente da melhor maneira possível. Nell, sufocada pelo peso da culpa. Colton, lutando contra a força que o arrasta em direção a ela... Cada um à sua maneira, os dois precisam desesperadamente encontrar o sentido da cura e do perdão.

Quando vi o livro entre os lançamentos da Novo Conceito com uma capa verde água e o título Entre A Paixão e A Dor não chegue a imaginar que o livro fosse um new adult. Depois de bastante reclamação e um pouco de indignação o leitor conseguiu que a editora voltasse atrás e lançasse o livro como se deve. Com título o mais próximo do real e com capa original adaptada. Jasinda Wilder apresenta um new adult totalmente diferente do que eu estava me acostumando. Com mais drama e dor do que se espera do gênero e um casal forte Wilder surpreende o leitor. Conheçam.

Nell e Kyle são amigos desde pequenos e quando cresceram pareceu o caminho certo se tornar namorados. Chegando aos 18 anos e próximo a sonhada entrada na universidade o casal planeja uma viagem especial para marcar o momento. Porém o que era felicidade termina em tragédia. Kyle pediu Nell em casamento, mas ela não estava preparada para casar, era cedo demais, mesmo amando Kyle ela não conseguia enxergar os dois casados antes mesmo da universidade. Eles ainda tinham muito o que viver, não fosse a tempestade que se aproximava, e a discussão besta que eles estavam tendo antes de entrar dentro de casa. Antes da árvore que se partira atingir Nell, Kyle se jogara na frente e agora Nell precisa lidar com a dor terrível da perda de Kyle. Conhecer Colton, o irmão de Kyle que partiu quando ela e Kyle tinha apenas 11 anos não foi o melhor jeito. Colton traz algo que Nell não merece, conforto. Dois anos do enterro de Kyle e do encontro com o misterioso irmão dele, Nell está em Nova York estudando e fugindo de tudo e todos, por dois anos sofre a culpa pela morte de Kyle. Ela sabe que não merece viver, muito menos amar novamente, ela precisa de mais dor para aguentar a culpa. Quando Nell e Colton se encontram em Nova York, Nell sabe que precisa ficar longe de Colton, e ele sabe que se Nell não se livrar logo dessa culpa pode se machucar ainda mais.

É a partir dessa premissa que Jasinda Wilder desenvolve uma história de amor e redenção, de amizade e de perdão. A história de Nell e Colton é mais forte do que eu imaginei, assim como o desenrolar da história dos dois. A situação em que Nell se encontra é bastante cruel e única, e jamais poderia julgar o que fazer no lugar dela, afinal é impensável perder quem se ama aos 18 e passar o resto da vida sozinha por julgar ser traição a memória da pessoa, mas também é bastante complicado superar a perda justo com o irmão do falecido. A autora criou uma trama que deixa o leitor na dúvida e sem coragem para julgar. Não escolhemos quem amamos, e muito menos quando amamos. Foram essas questões que me conquistaram na bela e triste história apresentada em Louco Por Você.

Com dois personagens de personalidades bem diferentes e ao mesmo tempo similares, a autora nos leva por uma história que ensina mais sobre como lidar com a culpa e a perda do que fala sobre o amor. Não que não seja nítido o quanto que Colton ama Nell, ou ainda o quanto os dois possuem química, o que quero dizer é que a história narrada por ambos os protagonistas vai além do básico esperado para o gênero. A história pessoal de Colton também é uma das coisas que chamam atenção e marcam no livro, o passado dele, sua personalidade, sua fuga e seu jeito são pontos que surpreenderão o leitor que esperava apenas mais um new adult. Adorei o personagem e o modo como ele cuidou de Nell. A narrativa é bastante fluída e a divisão entre os dois funciona bem, dando força a toda a trama. Ansiosa para conferir o restante da série.

Leitura rápida, que instiga desde o começo pela curiosidade e pelos personagens ricos. Jasinda Wilder trata de temas difíceis de modo cuidadoso. O maior mérito da autora foi fazer a trama conquistar o leitor mesmo com todo o tabu em torno de namorar irmãos. Ótimo começo para a série. A edição da Novo Conceito está ótima, desde a fonte até a tradução e não posso deixar de comentar a atenção da editora ao atender o pedido do leitor e lançar o livro com capa original adaptada e título. Uma história que sem dúvida renderia um filme belo e angustiante. Recomendado a todos que gostam de bons new adults, com temas mais fortes desenvolvidos e ótimos personagens. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Falling - Jasinda Wilder
1- Louco Por Você
2- Falling Into Us
3- Falling Under
4- Falling Away

12/08/2014

Resenha - Perdendo-me


Nome: Perdendo-me
No Original: Losing It
Autor (a): Cora Carmack
Tradutor (a): Ana Death Duarte
Páginas: 288
Editora: Novo Conceito
Comprar: Ponto Frio - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Virgindade. Bliss Edwards vai se formar na faculdade e ainda tem a sua. Chateada por ser a única virgem da turma, ela decide que o único jeito de lidar com o problema é perdê-lo da maneira mais rápida e simples possível com uma noite de sexo casual. Tudo se complica quando, usando a mais esfarrapada das desculpas, ela abandona um cara charmosíssimo em sua própria cama. Como se isso não fosse suficientemente embaraçoso, Bliss chega à faculdade para a primeira aula do último semestre e... adivinhe quem ela encontra? 

Quando comecei a ler livros do gênero new adult não imaginei que leria muitos, mas o gênero chegou com força ao Brasil e por coincidência ou não os livros acabaram em minhas mãos. Hoje, são poucas as editoras que ainda não arriscaram o gênero e marcando presença na lista a Novo Conceito traz seu primeiro new adult. Estava ansiosa para saber qual a editora escolheria, visto que a editora tem outra trilogia do gênero em mãos, mas para minha felicidade ela escolhera a que tem o primeiro personagem britânico que vejo no gênero. Conheçam a história que abre a trilogia de Cora Carmack.

Bliss estava conquistando tudo que planejara. Estava no último semestre na faculdade e podia seguir ambas as carreiras, poderia ser atriz e também diretora de cena, não precisava escolher agora porque tinha talento para ambas. O único problema na vida de Bliss é o fato de ter chegado aos vinte e dois anos virgem e não adiantava perguntar o motivo, ela nunca transou e ao contar para sua amiga Kelsey, tem certeza de que foi a pior ideia possível. Bliss nunca esteve interessada, nunca conseguiu encontrar um cara que a desse vontade de seguir em frente, mas Kelsey tinha certeza de que Bliss conseguiria resolver seu "problema" fácil. Depois de vesti-la apropriadamente as duas vão para o bar e Bliss não consegue acreditar no que está fazendo. Um é barbudo demais, o outro hipster demais, ou colegial demais, e é quando Bliss vê um rapaz lendo Shakespeare e sem querer deixar escapar se ele está usando o livro para conseguir garotas. Bliss fica sem palavras diante do britânico, loiro e de olhos azul que está na sua frente. O nome dele é Garrick e depois de conversar sobre Otelo e algumas bebidas os dois saem do bar, Bliss queima a perna na moto dele e pouco depois o deixa completamente pelado em sua cama depois de inventar uma gata imaginária. Bliss não consegue pensar em uma situação pior, mas pelo menos nunca mais o veria novamente. Isto é o que ela imaginava até entrar em sala de aula e descobrir que ele é o novo professor. Os mesmos olhos azuis da noite anterior a encarando. Bliss está mortificada, mas isso parece divertir Garrick, e à medida que o semestre vai passando e atração proibida e irresistível dos dois vai aumentando, com uma peça que traduz bem a situação dos dois a caminho, um grande papel e mudanças drásticas Bliss terá de enfrentar seus medos.

É a partir dessa premissa que a história se desenvolve e em poucos capítulos somos cativados pela relação de Bliss e Garrick. A narração é em primeira pessoa e fluida, bem como engraçada e diferente. A autora acertou na escolha do cenário e sua ambientação se tornou um dos pontos mais interessantes do livro. Foi diferente ver um relacionamento se desenvolver no meio de peças, papéis e ensaios. Outra coisa de que gostei foi o fato de ambos os personagens dividirem a mesma paixão, viverem no mesmo ambiente e tudo o mais, até hoje poucos casais que conheci ou quase nenhum tinham as mesmas paixões em suas vidas.

Aliar uma peça que falava de amor proibido e errado com a situação de Bliss e Garrick, que precisavam lutar contra o que sentiam enquanto ela não se formasse criou um bom fundo para a história, mas o ponto central do livro não era esse, era a virgindade de Bliss, pelo menos no começo esse pareceu o tema e apesar de incomodar um livro começar prometendo um tema e mudar para o outro, no geral foi boa a mudança. O tema virgindade era um tanto descabido ainda mais que Bliss deixa seus motivos muito claros. Garrick é um personagem que merecia seu lado na história e mais características britânicas, a autora acertou em vários pontos, mas eu queria ainda mais detalhes da personalidade dele. Bliss tem alguns deslizes, mas no geral gostei dela e o leitor vai torcer pelo casal.

Leitura rápida, com flui em um ritmo envolvente e uma bela história. Cora Carmack apresentou um casal carismático e desenvolve a relação deles de modo romântico, sensual e com uma pitada de bom humor. A edição da Novo Conceito está ótima, adaptaram bem o título e capa, com boa fonte e tradução. O casal ficaria ótimo em um filme. Recomendo a todos que gostam do gênero e procuram uma história cativante, com momentos emocionantes e que arrancará sorrisos dos apaixonados. Além disso, a história de Bliss é perfeita para quem quer começar no gênero. Leiam! Até mais!

Perdendo-me - Cora Carmack
1- Perdendo-me
2- Fingindo
3- Encontrando-me

23/05/2014

Resenha - Primeiro Amor


Nome: Primeiro Amor
No Original: First Love
Autor (a): James Patterson, Emily Raymond
Tradutor (a): Elaine Cristina Albino Oliveira
Páginas: 240
Editora: Novo Conceito
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Axi Moore é uma garota certinha, estudiosa, bem comportada e boa filha. Mas o que ela mais quer é fugir de tudo isso e deixar para trás as lembranças tristes de um lar despedaçado. A única pessoa em quem ela pode confiar é seu melhor amigo, Robinson. Ele é também o grande amor de sua vida, só que ainda não sabe disso. Quando Axi convida Robinson para fazer uma viagem pelo país, está quebrando as regras pela primeira vez. Uma jornada que parecia prometer apenas diversão e cumplicidade aos poucos transforma a vida dos dois jovens para sempre. De aventureiros, eles se tornam fugitivos. De amigos, se tornam namorados. Cada um deles, em silêncio, sabe que sua primeira viagem pode ser também a última, e Axi precisa aceitar que de certas coisas, como do destino, não há como fugir. Comovente e baseado na própria vida do autor, este livro mostra que, por mais puro e inocente que seja, o primeiro amor pode mudar o resto de nossas vidas. 

Desde o momento que vi o livro na lista de futuros lançamentos da Novo Conceito fiquei muito curiosa. Um verdadeiro off-road? Não conseguia uma imagem clara de uma história desse tipo criada por James Patterson e foi com surpresa que descobri a história por trás do livro assim como sua coautora. Com uma premissa que é sonho de muitos leitores os autores desenvolveram uma trama mais profunda do que parece, que surpreenderá os leitores de diversas maneiras. Conheçam.

Axi sempre foi a garota bem comportada e estudiosa, mas ela está cansada da previsibilidade de ver o pai afundar cada dia mais na bebida desde que sua irmã morreu e sua mãe foi embora de casa. Quando Axi decidiu que era hora de ir embora de sua pequena cidade e de sua dolorosa vida familiar ela não imaginou que sua viagem seria mais marcante do que havia planejado. Axi planejou todos os detalhes e o ponto de partida é chamar Robinson, seu melhor amigo, para ir com ela. Axi tinha a ideia de viajar de ônibus entre todos os pontos que marcou, mas Robinson tem outros planos. Eles partem da pequena Klamath Falls em uma Harley Davidson roubada seguindo para o oeste passando por Mount Shasta rumo a primeira parada no mapa de Axi: o parque estadual de Sequoias em Humboldt na Califórnia. Axi sempre foi apaixonada pela imponência silenciosa das árvores centenárias e estar lá no parque com Robinson foi melhor do que ela imaginava. Dali eles passaram por Bolinas, São Francisco, Torrance, lar da NASCAR, um ponto do mapa de Axi pensado para Robinson que sempre foi apaixonado mecânica e carros. E um lugar onde Axi tem a certeza de que a viagem foi a coisa certa. De lá para Los Angeles a Las Vegas, lugares onde viverão experiências empolgantes e assustadoras, que revelarão um lado tanto de Axi quanto de Robinson que nenhum dos dois conhecia. Seguindo de volta para o leste do Parque Nacional das Dunas no Colorado a uma parada inesperada em La Junta, onde Axi verá que o terrível passado que compartilhou com Robinson em uma ala hospitalar está mais próximo do que ela gostaria, partindo para Detroit com o medo de a viagem ter se transformado em uma última parada de vida, Axi terá de lidar com sua dor e o medo de perder Robinson, de a Nova York e Nathan's Famous, Filadélfia, Carolina do Norte, uma jornada de amor, liberdade e dor, onde crescer não é escolha, assim como perder, ganhar e amar.

A premissa é essa. Tentei focar o máximo na viagem para não revelar pontos importantes do enredo. A narrativa no começo soou um pouco deslocada, um tanto truncada e o ritmo demorou a fluir, mas não posso afirmar que seja da escrita dos autores. Talvez seja a tradução que não aconteceu da forma prevista, mas esse pequeno problema some quando passamos do terceiro ou quarto ponto da viagem, com uma Axi mais vívida e real, que deixa os estereótipos do tipo "off-road" para trás.

A ambientação é outro ponto importante da história, ao contrário de muitos livros do tipo Patterson e Raymond se preocuparam em fazer soar real, com detalhes e impressões marcantes de cada lugar onde Axi e Robinson passaram, levando o leitor por viagem verdadeira, realista, ao lado dos protagonistas. É possível em diversos momentos vislumbrar as vistas que os dois dividiram, sejam nas sequoias, nas duas ou mesmo chegando em Detroit. A evolução da trama me surpreendeu. Não esperava uma virada dramática e sim uma simples de história de amor off-road. Essa reviravolta na trama pode deixar muitos com a sensação de que foi apenas porque está na moda, mas de certa forma o fim consegue passar mais do que isso. O final da história é um recomeço amargo e ao mesmo tempo esperançoso que passa uma bela mensagem sobre o inevitável e o seguir em frente.

Leitura rápida, agradável, que instiga tanto pela curiosidade acerca da viagem quanto pelos segredos e mistérios que os protagonistas guardam. A narrativa combinada de Patterson e Raymond funcionou muito bem, depois de alguns capítulos de ajuste o ritmo cativa o leitor nos prendendo até o fim. A edição da Novo Conceito está muito boa, capa mantida e fonte agradável. Só achei desnecessário a frase que colocaram na capa sob os modelos. Recomendado a todos que procuram um jovem adulto que fica na linha, com temas mais fortes do que aparenta, a história apresentada conquistará os sonhadores e agradará a todos os fãs do off-road. Leiam e se surpreendam! Até mais!

18/04/2014

Resenha - Manuscritos do Mar Morto


Nome: Manuscritos do Mar Morto
No Original: Dead Sea Deception
Autor (a): Adam Blake
Tradutor (a): Camila Fernandes
Páginas: 480
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: A ambiciosa policial Heather Kennedy está em seu trabalho mais difícil: seus métodos de investigação são criticados e ela está sendo assediada por colegas rancorosos porque não lhes dá atenção. Até que lhe é atribuída o que parece ser uma investigação de rotina, sobre a morte acidental de um professor da Faculdade Prince Regent, mas a autópsia deste caso volta com algumas descobertas incomuns: o inquérito vincula a morte deste professor às de outros historiadores que trabalharam juntos em um obscuro projeto sobre um manuscrito do início da Era Cristã. Em seu escritório, Kennedy segue com sua investigação e logo se preocupa com o rumo para onde está sendo levada. Mas ela não está sozinha em sua apreensão. O ex-mercenário Leo Tillman — seu futuro parceiro — também tem angustiantes informações sobre estes crimes. E sobre a misteriosa organização mundial a que os crimes se relacionam… Escondido entre os pergaminhos do Mar Morto, um códice mortal pretende desvendar os segredos que envolvem a morte de Jesus Cristo. Entre um terrível acidente de avião no deserto americano, um brutal assassinato na Universidade de Londres e uma cidade-fantasma no México.

Um dos raros livros que fiquei sabendo sobre o lançamento muito perto da data, Manuscritos do Mar Morto faz parte de um gênero que nunca decidi se amo ou se odeio. É estranho dizer que tenho uma vontade imensa de ler os livros quando eles são lançados, mas muitas vezes me decepciona com o que encontro. É sempre assim com livros de tramas que envolvem conspirações religiosas e históricas. A história de Adam Blake que dá início a série não é diferente. Comecei, ao mesmo tempo, curiosa e com o pé atrás. Dessa vez a surpresa foi boa. Uma história ágil, bem construída e que consegue manter o suspense.

Kennedy está em uma péssima fase na sua carreira como policial. Depois de falar a verdade em um relatório e contradizer seus companheiros, Kennedy é vista como uma pária e está sob investigação. Por isso quando a irmã de um professor universitário que rolou escada abaixo insiste para a polícia dar mais uma conferida no caso, seu superior passa o caso para Kennedy. Ela sabe que o caso não vai dar em nada, um típico abacaxi passado a ela apenas para constrangê-la ainda mais. O que ela não imaginava é encontrar provas contundentes que o professor não rolou a escada por acidente. Com pouca observação Kennedy percebe que a polícia fez um trabalho porco na cena do crime, deduzindo logo que a vítima rolou a escada apenas por estar caído no pé de uma. Kennedy descobre que o professor estava traduzindo um obscuro manuscrito descoberto no mar morto. Um manuscrito que ninguém considerava algo sério. Quando o parceiro de Kennedy, um jovem policial descobre que outros acadêmicos haviam morrido de forma duvidosa, acidentes, suicídios e quedas, Kennedy começa a acreditar que há algo muito mais estranho por trás desse caso. Do outro lado da trama conhecemos Leo Tillman, um homem que há mais de uma década busca respostas para o sumiço de sua mulher e filhos. Depois de servir no exército e adquirir as habilidades necessárias, Leo partiu em busca do único nome que conseguiu ao longo desses anos. Um nome que também está na investigação de Kennedy, e levará o caminho dos dois a se unir em uma perigosa busca. De uma casa cheia de arquivos a queda de um avião dos Estados Unidos. Pelo mundo e pela história. Sobreviverão eles a essa caçada?

A premissa pode parecer comum dentro do gênero, mas à medida que os capítulos passam Blake revela ao leitor uma trama mais intricada e inovadora do que parece à primeira vista. Desde o começo tentei adivinhar o que viria e não passei nem perto da verdade. A imprevisibilidade da trama aliada a dois protagonistas interessantes torna a história muito instigante. A curiosidade de descobrir o que está acontecendo mantém o leitor preso a narrativa, que é, ágil e tensa. A narrativa é dividida entre vários pontos de vista, com destaque para os de Kennedy e Tillman, o que torna o ritmo mais agradável visto que os dois são personagens com modo de pensar bem diferente.

A ambientação é vasta e um dos fatores que gostei no livro, passando de alguns lugares pelo mundo e com destaque para o Reino Unido o autor leva o leitor pelos meandros de sua história. O ar de mistério por trás de cada capítulo narrado pelos misteriosos perseguidores de Tillman deixam o leitor mais tenso e curioso em busca pelas respostas. A ideia por trás de toda a trama é macabra e muito estranha. Não vou dar mais detalhes para não estragar a surpresa, mas Blake construiu uma história muito interessante para fundo de sua trama. O fim foi carregado de ação e tensão como todo thriller, deixando ainda pontas para o segundo livro que estou curiosa para descobrir onde vão terminar.

Leitura rápida, intrigante e imprevisível. Adam Blake se mostra um excelente construtor de tramas. Sua escrita é perspicaz e fluida, deixando nas entrelinhas mais do que aparenta e conquistando o leitor desde o começo, o que é importante para um thriller nesse estilo. A edição da Novo Conceito está ótima, mas é uma pena ver a capa do livro alterada e impossível de casar com o segundo livro. Como todo thriller envolvendo história, assassinatos e religião o livro renderia um ótimo filme. Recomendo a todos os fãs do gênero e também aos que querem conhecer, já que o livro mescla investigação com todo o mistério. Mistérios, intrigas, segredos milenares e ótimos personagens. Leiam! Até mais!

Leo Tillman & Heather Kennedy - Adam Blake
1- Manuscritos do Mar Morto
2- O Código do Apocalipse
3- Sem Título Ainda

15/04/2014

Resenha - Quando Tudo Volta


Nome: Quando Tudo Volta
No Original: Where Things Come Back
Autor (a): John Corey Whaley
Tradutor (a): Carolina Caires Coelho
Páginas: 224
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.

Quando soube que a Novo Conceito lançaria o livro fiquei muito feliz porque ele era um daqueles muito elogiados tanto pela crítica quanto pelo público. Livros assim estão se tornando raro, ainda mais com histórias que passeiam entre o adulto e o jovem. A história de John Corey Whaley é singular. Não estava certa do que iria encontrar e só o que me vem à mente é a palavra singular. Um personagem diversos pontos de vista e uma história que aparenta ser mais de uma.

Cullen Witter, o rapaz que leva uma vida de cidade do interior, que tem uma irmão mais novo muito parecido com ele e que vê o primo morrer de overdose. Cullen está nos últimos momentos do ensino médio e acompanha como um observador a vida, seja na sua família ou na sua cidade, Lily em Arkansas. Enquanto o primeiro de Cullen morria, John Barling, um observador de pássaro jurava que havia visto um pica-pau Lázaro, que todos acreditavam estar extinto desde a década de 40 e Benton Sage chegava a África para sua primeira missão da igreja na Etiópia onde descobre que levar a palavra de Deus é algo diferente do que ele imaginava. Em um dia comum Cullen Witter estava com seu melhor amigo Lucas Cader quando conheceu Alma Ember e também um dia comum quando Benton Sage conheceu Cabot Searcy em um quarto na universidade. É a partir dessa cadeia de acontecimentos e encontros que a história de como Gabriel, um garoto excepcional demais para uma cidade tão pequena, desaparece sem deixar rastros é contada em meio a uma cidade em polvorosa por um pássaro que pode ou não estar de volta.

Preferi fazer um parágrafo de apresentação diferente porque a história merece. Desde os primeiros capítulos ficamos na dúvida sobre aonde o autor quer nos levar com sua história e esse fato é o que move o leitor capítulo a capítulo. A curiosidade genuína que surge a partir de pontos de vistas tão diferente e aparentemente sem um rumo específico. A narrativa é ótima, a voz que o autor imprime a cada um de seus personagens é curiosa e bastante diferente. Cullen é o melhor dos narradores e seu humor irônico leve preenche as páginas com uma fluidez espantosa. As descrições é um acessório a mais para essa história tão singular.

Se você me perguntasse sobre o que esse livro é não poderia responder com sinceridade sem estragar a surpresa. Esse livro por trás da trama é sobre pessoas, segundas chances e o modo como elas podem agir. Corey Whaley tem um modo muito único de contar um drama de forma tão leve e natural, que soa como um daqueles casos que ouvimos no interior. É uma bela história, que vai surpreender o leitor de uma maneira ou de outra. O verdadeiro X por trás do sumiço de Gabriel é algo que não imaginei nem de longe. Muitas pessoas podem não compreender a forma como o autor conta sua história. O problema é que a beleza da história está na forma como ela foi contada. Eu achei o fim ambíguo, fica duas possibilidades no ar e adoraria saber o que o autor pensou na verdade. Existem finais felizes ou não?

Leitura rápida, que flui em um ritmo agradável e que vai cativar o leitor pela sua singularidade. Uma história para ser lida e sentida, não totalmente entendida. John Corey Whaley capta com precisão o clima de cidade pequena e a complexidade do ser humano. O autor troca de primeira pessoa para terceira pessoa quando Cullen está imaginando coisas que não estão acontecendo e essa é uma dica que deixo para você ver o final de outra forma. A edição da Novo Conceito está ótima, desde a tradução até a adaptação perfeita da capa. Recomendo a todos que cansaram do comum. Um jovem adulto que está na em uma linha muito embaçada entre o jovem adulto e o adulto. Uma história sobre segundas chances, realidade e pessoas comuns. Leiam e se surpreendam! Até mais!

04/04/2014

Resenha - A Filha do Louco


Nome: A Filha do Louco
No Original: The Madman's Daughter
Autor (a): Megan Shepherd
Tradutor (a): Ivar Panazzolo Júnior
Páginas: 416
Editora: Novo Conceito
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira - e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais. De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá- la... Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências. Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.

Vez ou outra um autor atual se inspira em algum clássico para construir sua história, porém ninguém antes de Megan Shepherd se valeu do clássico da ficção-científica A Ilha do Doutor Moreau para construir sua história. Desde o lançamento estrangeiro estava ansiosa por notícias sobre a compra do livro por isso foi com ansiedade que vi a Novo Conceito adquirir o livro e com ansiedade que esperei mês a mês por ser lançamento nacional. Shepherd faz mais do que usar referências e nomes, ela cria algo fascinante que se desenvolve de forma fantástica. Conheçam A Filha do Louco.

Juliet Moreau trabalha como faxineira no hospital desde que o pai fugiu de Londres vítima de um escândalo que arruinou a reputação da família. Juliet viu a mãe sucumbir e todos os bens que restaram serem vendidos. Talvez por piedade o advogado da família a ajudou a conseguir um emprego no hospital, mas ser uma moça pobre na Londres vitoriana não é fácil. Quando num ato impulsivo Juliet rouba alguns documentos que tem certeza pertencer ao seu pai sua vida muda de novo. Ao seguir as pistas sobre os documentos Juliet encontra Montgomery, o outrora empregado da mansão Moreau é agora um belo rapaz. Magoada e irritada Juliet não pode acreditar no que Montgomery lhe conta. Seu pai está vivo. Depois da situação em que Juliet se meteu no hospital ela não tem lugar em Londres e convence Montgomery que se ele não levá-la para a tal ilha onde seu pai se encontra ela terminará trabalhando de prostituta nas ruas. O que não é de todo mentira já que estava sem opção e sem teto. A viagem é longa e exaustiva. Os animais que o navio transporta para a ilha estão irascíveis e ela estaria entediada se não fosse por Montgomery. Quando o navio está próximo da ilha os dois resgatam Edward, um náufrago, filho de coronel que estava a caminho da Austrália. A contragosto Montgomery concorda em levá-lo para a ilha. Chegando lá Juliet percebe que seu pai odiou receber um estranho na ilha, e mais ainda, que os nativos o tratam como uma espécie de Deus. Sempre trancado em seu laboratório Juliet não consegue questioná-lo sobre a verdade por trás das acusações. Quando nativos começam a aparecer mortos e os gritos vindos do laboratório se tornam impossíveis Juliet decide que está na hora de descobrir a verdade sobre o pai, a ilha e seus experimentos de uma vez por toda.

É a partir dessa premissa que a trama se desenrola e com apenas algumas exceções a narrativa flui de forma ágil, carregada pelo tom sombrio e alternando momentos visuais fortes com cenas de diálogos muito boas. Shepherd conseguiu uma história harmoniosa, que surpreende o leitor uma suas reviravoltas, nunca sendo previsível. O único momento um pouco monótono do livro foi a viagem de navio e ainda assim a autora conseguiu um pouco de ação naquela parte com as cenas finais da viagem. A ilha é um lugar sombrio e belo, com descrições bem colocadas Shepherd leva o leitor a sentir o ar úmido e sufocante da ilha, desde o calor abafado, passando por mosquitos e o silêncio sombrio. Muito boa essa ambientação.

A primeira coisa que chama atenção na história porém é a personalidade de Juliet que conquistará de a todos que procuram protagonistas fortes e resolutas. Juliet é um mistura que a vida dura moldou. Inteligente, forte, sofrida, mas que não perde os sonhos comuns e também tem um coração sombrio, capaz de coisas que assustam até ela própria. Essa característica aliada a trama funciona muito bem. Jogada no meio de uma ilha repleta de segredos a personagem nem hesita diante das escolhas difíceis que vão surgindo e o modo como seu relacionamento com Montgomery e Edward se desenvolve também foi uma prova e tanto. Com uma personagem chata essa sombra de triângulo amoroso não teria funcionado, mas funcionou. Com diálogos e cenas bem descritas a autora entrega nesse ponto o alívio para a trama sombria. Os capítulos finais foram repleto de emoções, instigante e surpreendentes. Corando a trama com um fim à altura e que deixa o leitor ansioso pelo próximo volume.

Leitura rápida, que flui de maneira natural, instigando o leitor não apenas pela trama sombria, mas pelos personagens. A escrita de Megan Shepherd é perspicaz e marcada por um tom que entende a gama de sentimentos que forma o ser humano. A autora entrega uma trama construída sob o que o ser humano tem de melhor e pior. E a ideia de usar clássicos como referência para história é brilhante. Nesse tivemos "A Ilha do Dr. Moreau" e foi perfeito, no segundo teremos "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde" e fechando a trilogia "Frankenstein". Mal posso esperar, isso enriquece as possibilidades e muito.

A edição da Novo Conceito está ótima, fonte confortável e capa belamente adaptada. Sem surpresas desagradáveis nesse quesito. Uma adaptação ficaria um sonho visto o cenário, os personagens e a forte referência com o clássico de H.G. Wells. Recomendado a todos que procuram uma trilogia jovem adulto forte, com universo único e inteligente, com ação, temas sombrios e bem desenvolvidos. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Filha do Louco - Megan Shepherd
1- A Filha do Louco
2- Her Dark Curiosity
3- A Cold Legacy

03/03/2014

Resenha - Poseidon


Nome: Poseidon
No Original: Of Poseidon
Autor (a): Anna Banks
Tradutor (a): Carolina Caires Coelho
Páginas: 288
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Além da beleza fora do comum, com seu cabelo quase branco e seus olhos cor de violeta, Emma chama a atenção por ser um pouco desajeitada. Ela não se sente muito à vontade em lugar nenhum... e não sabe que sua misteriosa origem é a fonte dessa sensação. Galen, príncipe dos Syrenas, vasculha a terra procurando uma garota especial, capaz de se comunicar com os peixes — e que poderá salvar seu reino. Quando ele se encontra com Emma, a conexão é imediata: embora não saiba, Emma parece ter o dom que Galen procura. Mas, então, por que ela não conseguiu salvar sua melhor amiga do ataque do tubarão? Cabe ao príncipe convencer a teimosa Emma a enfrentar sua real natureza e aceitar o desafi o. E nada pode impedi-lo de alcançar seu objetivo. 

A trilogia da autora Anna Banks foi uma das primeiras que soube que a Novo Conceito lançaria quando comecei a coletar dados sobre o que as editoras andavam comprando. E por esse motivo era uma das que estava aguardando desde o ano passado. Não apenas por isso, mas por trazer como trama central as sereias com base na mitologia grega. No Brasil não há palavra para diferenciar sereia da mitologia grega para sereia do conto das pessoas com rabos de peixe por isso é sempre maravilhoso encontrar uma série que recria as Syrenas de forma a misturar os dois conceitos. Anna Banks apresenta nesse primeiro livro um mundo com organização intrigante, com jogo de poder e segredos imprevisíveis, mas que poderia ter sido melhor.

Quando Galen encontrou Emma na praia teve certeza do que ela era. Mesmo com sua improvável aparência, Emma era uma deles, uma syrena. Galen não sabia como explicar o cabelo quase branco ou a pele clara, mas os olhos violetas de Emma não mentem nem a conexão que sentiu ao esbarrar nela. Emma estava aproveitando a praia quando encontrou o belíssimo Galen, mas os acontecimentos que se seguem impedem Emma de pensar nele. Uma tragédia tira sua melhor amiga e arrasada Emma precisa seguir sua rotina. Mas Galen insistentemente vem seguindo-a e os encontros dos dois se tornam mais do que desastrosos. Enquanto Emma não sabe o que fez para merecer a repentina insistência do garoto, Galen tenta pensar em uma forma de descobrir a verdade. Emma sabe que é uma syrena? E se não sabe, como pode viver tanto tempo longe do mar e de tudo. Por que seus pais a esconderam. A medida que a ligação entre os dois cresce Galen precisará decidir o que fazer. Se entregar Emma, Galen sabe seu destino, mas não consegue pensar nessa possibilidade. Sua ligação é maior do que jamais sonhou, mas Emma é diferente. Existe algo envolvendo-a que vai além de ter sido criada como humana. O que é?

É a partir do encontro de Emma e Galen que a história se desenvolve, o que a princípio leva o leitor a pensar que a trama é mais aliada ao romance do que tudo, mas logo nos primeiros capítulos a autora desfaz parcialmente essa imagem. A trama vai além do encontro de dois personagens, Banks criou um mundo subaquático imerso em guerras e intrigas seculares, entre reinos diferentes que nunca tiveram laços estáveis e que desde um acontecimento trágico anos atrás estão piores ainda. Galen é um embaixador do clã de Poseidon, príncipe, segundo na linha de sucessão e que estava em terra em busca de algo que ele não acreditava ser possível.

A história é boa, gostei da forma como a autora construiu o pano de fundo, os mundos e a sociedade dos syrenas, mas a história tem seus problemas. Pequenos problemas que pode incomodar mais alguns leitores do que outros. Por exemplo a sociedade dos syrenas é sexista, patriarcal pelo pouco que fica tanto pela trama envolvendo a irmã de Galen quanto a própria história de Emma e esse tom machista é um pouco irritante certos momentos. Emma é uma personagem boa, com ótimos momentos, bem-humorada e que pode ser forte e madura, mas em diversas cenas esperei mais dela. Galen também é ótimo, mas precisa deixar Emma mais livre. As descrições sob a água foram belíssimas e estou curiosa para conhecer mais detalhes. A ambientação de Banks é precisa e vívida, funcionando bem em ambos os cenários.

O fim era algo que foi ficando nas entrelinhas capítulo a capítulo, desde a primeira cena onde tal personagem apareceu, mas nem por isso foi menos bom. Anna Banks deixa o leitor preso em busca de mais respostas esperando o próximo livro. A leitura é rápida, com mistérios e segredos que instigam e personagens que cativam por si só o leitor. O universo é criativo e inovador, uma mistura de elementos refrescantes em meio a tanta coisa comum no gênero jovem adulto. A edição da Novo Conceito está muito boa, desde a fonte até a capa mantida e bem adaptada. Recomendo a todos que procuram uma série jovem adulto com mundo criativo, que traz um ar fresco além de mistérios, intrigas e romance. Leiam e se surpreendam com as syrenas. Até mais!

O Legado Syrena - Anna Banks
1- Poseidon
2- Of Triton
3- Of Neptune

25/01/2014

Resenha - A Cidade dos Segredos


Nome: A Cidade dos Segredos
No Original: Cross My Heart
Autor (a): Sasha Gould
Tradutor (a): Luís Gonzaga Fragoso
Páginas: 256
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Laura foi enviada para o convento logo depois da morte de sua mãe. Passa a maior parte dos dias em silêncio, e, apesar de ser tolerante e obediente, no fundo da alma não consegue aceitar a ideia de viver ali para sempre. Uma noite, sem maiores explicações, Laura é informada de que seu pai a quer de volta em casa. Feliz da vida, ela começa a se preparar para rever sua irmã mais velha, Beatrice, que há algum tempo deixou de responder suas cartas. O que ela jamais imaginava era chegar durante o velório de Beatrice, que morreu em uma situação inexplicável. Agora, o pai de Laura ordena que ela se case com Vincenzo, noivo de Beatrice, um homem muito mais velho e de aparência repugnante. A sociedade Segreta faz um pacto com Laura e promete ajudá-la a se livrar de Vincenzo - e a descobrir quem matou Beatrice. Sem alternativas, Laura é obrigada a depositar todas as suas esperanças nas mãos dessas mulheres enigmáticas. Mas até que ponto se pode confiar na palavra de alguém?

Para quem acompanha os lançamentos e os futuros lançamentos é raro ser pego de surpresa por uma editora, mas foi exatamente assim que me senti quando a Novo Conceito anunciou o lançamento deste que é o primeiro livro da trilogia da autora Sasha Gould. Provavelmente porque ele foi comprado pela editora muito antes de eu acompanhar religiosamente o que vem para aqui e para qual editora. A história apresentada pela autora é uma surpresa deliciosa. Com cenário histórico, intrigas e traições conheçam a história de Laura.

Laura sempre foi apegada a irmã e suas memórias são todas de verões felizes ao lado de sua irmã, porém quando a mãe morreu seu pai não estava bem financeiramente e decidiu mandá-la para um convento assim poderia focar todos seus esforços em Beatrice, a irmã mais velha que faria um casamento com alguém da alta sociedade e que salvaria a família da ruína. Os anos se passaram e quando Laura estava começando a se resignar com a vida dura que levava no convento seu pai a chama de volta. Não para uma visita, mas para sempre. Laura enganada pensa que teria sua vida de felicidade com a irmã de volta, mas seu pai omitiu o motivo de sua saída do convento. Beatrice está morta, segundo dizem foi um acidente terrível e agora Laura deve assumir seu noivado e se casar com o repugnante noivo de Beatrice. Laura não entende a força de sua irmã e como ela pôde poupar-lhe em suas cartas contando doces mentiras sobre seu futuro marido. Laura logo percebe que em Veneza o jogo de poder é bem mais forte do que a simpatia dos sorrisos nos bailes. Além de tragédias familiares e desavenças a cidade esconde segredos e tramas impossíveis. Quando no baile do Duque Laura conhece Giacomo, um jovem pintor, ela sabe que não poderá nunca se casar com Vincenzo. Quando uma estranha sociedade lhe oferece ajuda Laura duvida que uma sociedade de mulheres possa fazer algo, mas ela subestima a Segreta. Quando o perigoso jogo iniciado por ser acordo emerge Laura precisará descobrir em quem confiar e quem evitar antes que a cidade a destrua como fez com sua irmã. Laura precisará de toda astúcia para desmascarar o assassino de sua irmã e de toda força para fugir de um sentimento que ainda lhe revelará grandes surpresas.

É a partir dessa premissa que a autora desenvolve a história de Laura nessa fascinante cidade que é Veneza. Mais do que por seus canais, Veneza sempre me fascinou assim como o período em que a história se passa com uma Itália dividida, cheias de duques, ambições e tramoias. E por isso foi tão maravilhoso encontrar uma história que se passava na cidade e ainda por cima excedia minhas expectativas. A narrativa em primeira pessoa é tão rica, fluida e crível assim como a trama é instigante desde os momentos iniciais. A ambientação da autora é forte, compondo o lado histórico com precisão e destreza Gould não trava a trama com longos detalhes, apenas o suficiente para encantar e situar o leitor, sempre com elementos precisos e bem encaixados.

Laura é uma personagem que começa após um longo exílio em um convento e por isso foi ótimo notar que a autora acertou no tom ao nos apresentar uma moça desconcertada diante da sociedade veneziana com medos, dúvidas e que a cada capítulo crescia com seus erros e diminuía seus anseios. O modo como autora desenrolou a trama em três frentes foi bastante interessante já que possibilitou uma ambientação mais rica que dava um toque mais vívido a história. Laura foi levada pelos meandros de uma sociedade que é mais traiçoeira do que sua elegância aparente. Os capítulos finais foram marcados por reviravoltas que deixam no ar expectativas altas para o próximo livro. Tenso, rico e surpreendente.

Leitura rápida, que cativa o leitor logo nas primeiras páginas, instigando tanto pela protagonista como pela trama e que apresenta uma trama interessante em um ritmo cadenciado. Sasha Gould construiu um universo elegante, que leva o leitor as intrigas de uma sociedade ricamente ambientada. A edição da Novo Conceito está ótima, capa mantida e fonte agradável. A história ficaria belíssima e muito interessante se adaptado tanto para o cinema quanto para a TV. Recomendado a todos que procuram uma trama intrigante, um romance inovador com bons personagens e um ambiente rico. Intrigas, traições, romance, mentiras e disputas. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Cross My Heart - Sasha Gould
1- A Cidade dos Segredos
2- Heart of Glass
3- Sem Título Ainda

18/01/2014

Resenha - O Presente


Nome: O Presente
No Original: The Gift
Autor (a): Cecelia Ahern
Tradutor (a): Tamires Zeoti Cianci
Páginas: 320
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Todos os dias, Lou Suffern luta contra o tempo. Ele tem sempre dois lugares para ir, tem sempre duas coisas a fazer. Quando dorme, sonha com os planos do dia seguinte, e, quando está em casa, com a esposa e os filhos, sua mente está, invariavelmente, em outro lugar. Numa manhã de inverno, Lou encontra Gabe, um morador de rua, sentado no chão, sob o frio e a neve, do lado de fora do imenso edifício onde Suffern trabalha. Os dois começam a conversar, e Lou fica muito intrigado com as informações que recebe de Gabe; informações de alguém que tem observado uniões improváveis entre os colegas de trabalho de Lou, como os encontros da moça de sapatos Loubotin com o rapaz de sapatos pretos... Ansioso por saber de tudo e por manter o controle sobre tudo, Lou entende que seria bom ter Gabe por perto — para ajudá-lo a desmascarar associações que se formam fora de suas vistas — e lhe oferece um emprego. Mas logo o executivo arrepende-se de ajudar Gabe: sua presença o perturba. O ex-mendigo parece estar em dois lugares ao mesmo tempo, e, além disso, Gabe lhe fala umas coisas muito incomuns, como se soubesse do que não deveria saber... Quando começa a entender quem é realmente Gabe, e o que ele faz em sua vida, o executivo percebe que passará pela mais dura das provações. Esta história é sobre uma pessoa que descobre quem é. Sobre uma pessoa cujo interior é revelado a todos que a estimam. E todos são revelados a ela. No momento certo.

Desde que a Novo Conceito começou a lançar Cecelia Ahern passei por várias fases de opinião sobre a autora e ainda hoje não consegui posicionar-me de forma exata a respeito de seus livros. Ahern quase sempre surpreende o leitor com os rumos e os elementos de sua história, mas nem sempre de forma positiva. Por isso estava muito em dúvida sobre este livro quando o vi entre os lançamentos, mas por ser uma história de natal resolvi conferir e hoje posso dizer que o livro faz parte das surpresas positivas da autora.

A história começa nos apresentando um garoto que com raiva do pai e de sua nova família resolve atirar um peru de natal pela janela do pai. Mas ao ser levado para a delegacia acaba ouvindo uma história que mudará seu natal. A história de Lou, homem de negócios que nunca tinha tempo para nada e na véspera do natal resolve comprar um café extra para o homem que está sentado em frente ao prédio onde ele trabalha. Conversando com o mendigo, Lou descobre que seu nome é Gabe, e também vários entre e sai de seus colegas de trabalho. Interessado em um cargo recém vago Lou consegue um emprego no escritório para Gabe como entregador de correspondências afim de usar seu poder de observação para tomar conta de seu adversário ao cargo. Porém logo nos primeiros dias Lou se sente incomodado com a presença de Gabe, que parece surgir do nada e terminar suas tarefas de forma instantânea. A simpatia que ele conquista de seus colegas de trabalho também é algo que irrita Lou. Ele não sabe porque, mas não consegue tirar o pensamento do estranho homem que ajudou e sua preocupação crescente com Gabe e o estresse do fim do ano começa a acabar com a ordem de sua vida. Será que Gabe está tentando tomar o lugar de Lou? Lou sabe que isso é loucura, como um homem de rua poderia conseguir isso? E como Gabe sabe tanto sobre sua vida?

Essa é a premissa básica da história apresentada por Ahern e para não falar muito sobre a trama deixarei apenas assim. A narrativa de autora nessa sua nova história incorpora um tom mais cadenciado que consegue trazer ao leitor uma espécie de conto de natal moderno, com Gabe no papel de catalisador que transforma a vida de Lou e à medida que a trama se desenrola muda a forma como o protagonista se vê. A ambientação é crível assim como as descrições que compõem não apenas o cenário como os personagens, suas emoções e ações.

A forma que a autora optou de introduzir uma história dentro de outra ajuda a passar a mensagem de natal. Uma mensagem que combina com o estresse do mundo atual e vai se assentar bem para todos os tipos de leitor. Lou e Gabe o tempo todo tiveram uma relação semelhante a anjo da guarda, mas Ahern é mais esperta e não deixa nada claro, usando de forma criativa e subjetiva o recurso que Gabe é. O fim foi diferente do que esperava, e surpreende ao fugir dos fins mais usados em histórias de natal. Bem realista e ácido a autora amarrou bem sua história deixando o leitor com um gosto estranho ao lembrar da mensagem da história com aquele fim.

Leitura rápida, que flui fácil a medida que a trama avança. Cecelia Ahern mais uma vez mistura histórias atuais e realistas com toques sobrenaturais em favor de uma trama mais rica. A edição da Novo Conceito está muito boa, com fonte agradável e diagramação bonita. Gostei que mantiveram a capa, mas ao mesmo tempo esperava uma capa que casasse com os outros já lançados da autora. Uma história que sem dúvida vai acabar virando filme em um futuro próximo. Recomendado a todos que procuram uma história diferente, que vai ficar com o leitor e serve perfeitamente de presente para amigos e parentes que nunca têm tempo para nada. Leiam! Até mais!

02/01/2014

Resenha - Adeus A Inocência


Nome: Adeus À Inocência
No Original: Little Girl Gone
Autor (a): Drusilla Campbell
Tradutor (a): Robson Falchetti Peixoto
Páginas: 272
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Madora tinha 17 anos quando Willis a “resgatou”. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos... Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar , Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas?

Quando vi o livro entre os lançamentos da Novo Conceito fiquei na dúvida sobre solicitar com receio de que fosse uma história forte demais, mas por outro lado eu gosto de histórias desse tipo e a autora apesar de ser novo por aqui já havia sido muito recomendada. Por isso quando recebi o livro sabia que seria uma história boa, porém o único problema é que o que era uma história ótima foi brutalmente interrompida. A sensação é de estar assistindo a um filme ótimo quando de repente você descobre que não tem fim, que o rolo estragou e só tinha uma cópia dele. Conheçam e entendam.

A sinopse fala bastante da história por isso não vou me prolongar. Madona vive no meio do deserto desde que foi "resgatada" por Willis. Isolada do mundo tudo o que Willis diz é lei. Ela lava, passa, cozinha, arruma a casa e "cuida" de Willis. Na cabeça de Madora, Willis é um homem forte, mas que começa a sofrer com a dureza do mundo e a obrigação dela como mulher é mantê-lo forte sendo compreensiva, dócil e companheira. Ela acredita em tudo o que ele diz. Que seu pai se suicidou porque a mãe dela não era uma boa mulher, compreensiva e tudo o mais. Na cabeça de Madora ele só quer juntar dinheiro para fazer faculdade de Medicina porque é um ótimo homem e só foi mandado embora dos fuzileiros porque armaram contra ele. Mas desde que Linda chegou e é a nova resgatada de Willis as preocupações de Madora aumentaram. Porque Willis não a libera logo? O que está esperando? E quando ela conhece Django, um garoto de doze anos, que acaba de ficar órfão de pai e mãe, e sair de sua luxuosa vida como filho de celebridade para viver com a tia no meio do deserto, é que Madora a temer, sem saber pelo o que, Madora teme e receia. Começa a enxergar as brechas na fachada de bom homem de Willis. E Django no seu luto acaba ajudando Madora irremediavelmente...

É a partir dessa premissa que a história se desenvolve e até muito bem. Campbell possui uma narrativa num tom pessoal que aumenta o lado psicológico da trama, com situações e descrições que ajudam a construir o lado duro da história. O cenário também é bastante marcante na história, funcionando junto com a história para criar um ambiente mais vivo e sombrio. O calor escaldante, os animais predadores do deserto e a vastidão foram elementos complementares muito bons. O ritmo da trama e a mudança sutil dos pontos de vista narrativos ficaram bem colocados, e foi bom ter pequenos flashes de Willis como narrador.

Os personagens também são bons, a autora desenvolveu a personalidade de seus protagonistas muito bem, com nuances que pouco a pouco começam crescer. É uma ótima evolução que mostrava como uma pequena peça pode desencadear qualquer situação quando se vive uma mentira, mas quando estávamos chegando no ápice, que seria a mudança, Madora enxergando o monstro que Willis era simplesmente tudo se amarra e um epílogo. O fim foi muito corrido. Foi injusto com tudo o que a autora apresentou encerrar a história de forma tão abrupta. Sim, temos as respostas, mas Drusilla Campbell desenvolveu tão bem o crescimento dos personagens, o lado psicológico, as tramas e a mudança das intenções, porque jogar tudo para o ar e encerrar de forma rápida a história? Não entendi. O fim de Madora e Django foram bons, mas podia ter sido espetacular, poderia ter sido de tirar o fôlego.

Leitura rápida, com uma premissa instigante e personagens que prendem o leitor desde o começo. Drusilla Campbell tinha uma trama e tanto nas mãos e fez o melhor que pode no espaço que se propôs. Ao se limitar em um número de palavras a autora perdeu a chance de fazer uma história estrondosa que marcaria mais, muito mais. A edição da Novo Conceito está ótima, fonte muito boa e capa perfeita para a trama. Uma história que sem dúvida renderia um ótimo filme se adaptado com mais detalhes. Recomendo a todos que procuram uma história rápida, com um tema forte, mas desenvolvido de um jeito que não vai chocar e que vai ficar com o leitor. Um romance diferente, que poderia ter sido ótimo, mas que ainda assim foi muito bom. Leiam! Até mais!

31/12/2013

Resenha - Esconda-se


Nome: Esconda-se
No Original: Hide
Autor (a): Lisa Gardner
Tradutor (a): Camila Werner
Páginas: 440
Editora: Novo Conceito
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Uma mulher que foi obrigada a fugir — desde criança— de uma possível ameaça. Uma ameaça que seu pai via em todo lugar, mas que a polícia nunca considerou. Um antigo e desativado sanatório para doentes mentais que pode ter muito mais a esconder entre suas paredes do que homens e mulheres entorpecidos por remédios. Uma história de rancor entre membros de uma mesma família que nunca conseguiram superar os episódios de violência doméstica que presenciaram. Um pingente que foi parar em mãos erradas — e a cena de um crime brutal: seis meninas mortas e mumificadas há mais de trinta anos. Agora, cabe à famosa detetive D.D. Warren descobrir quem foi o serial killer que cometeu esta atrocidade e que motivação infame deformou sua mente. Acompanhe D.D. Warren na solução de mais este complexo caso e encontre o inimaginável que está por trás de pessoas aparentemente comuns!

Desde que a editora começou a lançar os livros da Lisa Gardner que me apaixonei pelo estilo da autora. O gênero policial estava bastante estagnado e a autora traz mais do que inovação, traz uma pesquisa realista e uma trama que se desenrola com naturalidade, porém o único problema foi a editora começar pelo quarto livro, depois lançar o cinco e só agora o dois. Os livros dela são tão bons que não fez diferença, mas sinceramente espero que a editora lance o primeiro em breve. Agora conheçam mais essa brilhante história de Lisa Gardner.

Annabelle Granger passou a vida inteira mudando de cidade para cidade desde que tinha sete anos de idade. Um dia chegou em casa e seu pai disse para escolher apenas duas coisas em seu quarto que eles iriam partir. Na época ela era apenas criança, mas à medida que os anos iam passando e a família se mudava para uma nova cidade ela começou a ter raiva do pai. Raiva das mudanças sem explicação, raivas dos incessantes treinos contra ameaças invisíveis e raiva por tanta mudança ter matado sua mãe. Mas agora Annabelle está de volta a Boston, como Tanya Nelson, a cidade onde viveu na infância e que viu seu tão paranoico pai morrer atropelado por um táxi. Os anos de treino transformaram-na em uma pessoa solitária, com três trancas na porta, um sistema de segurança extra e que trabalha em casa quando pode. Annabelle estava começando a confirmar que o pai foi neurótico atoa quando viu a matéria no jornal, uma cova coletiva com o corpo de seis garotas foi encontrada no subterrâneo do Hospital Psiquiátrico de Boston, e a polícia já identificou um corpo como Annabelle Granger. Quando D.D. e Bobby recebem Annabelle na delegacia duvidam de sua história. Uma vida de fugas sem registros é quase impossível. Com ainda mais perguntas do que antes dos dois precisarão descobrir onde Annabelle se encaixa nessa história antes que seja tarde demais. Afinal seu pai estava certo ao fugir? Existe mesmo alguém atrás dela após tantos anos?

É a partir dessa premissa que a autora desenvolve uma trama brilhante, com os melhores elementos do gênero, marcado por excelentes personagens e um tom realista que coroa tudo de forma perfeita. Gardner mais uma vez mostra como se faz um bom investigativo, com ambientação rica e crível, desde os procedimentos da polícia até os menores trejeitos dos personagens. Uma ótima autora, com uma trama intrincada e instigante nas mãos, desenvolve pistas e reviravoltas de forma harmoniosa e perspicaz conduzindo o leitor por uma história fluida, impossível de largar antes do final e ainda sem um gostinho de quero mais.

Nesse segundo volume da série o foco entre os três personagens principais, D.D., Bobby e Annabelle é bastante equilibrado, sobrando uma pontinha até para o romance. Eu sabia que já tinha ouvido falar no nome de Annabelle e foi perfeito saber de onde ela veio depois de ter lido os livros quatro e cinco. A trama trouxe um criminoso inteligente, audaz e sem escrúpulos no centro das investigações, mas Gardner de maneira inteligente joga com os acontecimentos, cria pistas e muda a trama de forma a deixar o leitor na dúvida até o final, o que sem dúvida rendeu um dos melhores fins entre os três livros da autora que já. Uma história que sem dúvida vai ficar marcada tanto pela trama inteligente como pela riqueza de elementos realistas e interessantes. Gardner se supera ao transportar a polícia de Boston para as páginas de sua história.

Leitura rápida, agradável, instigante por si e não apenas pela trama eletrizante. Lisa Gardner se firma como uma das melhores autoras do gênero e também como uma das que mais é fiel a realidade. D.D. é uma detetive fantástica, longe de ser canastrona e brilhante em sua forma de agir. Esperando ansiosa pelos outros livros da série. A edição da Novo Conceito está ótima, desde a fonte até a capa escolhida. Se as capas não combinam entre si pelo menos as lombadas remetem a uma série única. E isso a Novo Conceito está de parabéns. Podem fazer capas diferentes, mas lombadas iguais por favor. Aprendam com eles editoras. Recomendado a todos! Desde amantes do gênero investigativo policial até os que ainda não começaram no gênero. Dentre minhas autoras favoritas Gardner vai surpreender o leitor. Tramas inteligentes, personagens ótimos e narrativa sensacional. Leiam! Até mais!

Detective D.D. Warren - Lisa Gardner
1- Alone
2- Esconda-Se
3- The Neighbor
4- Viva Para Contar
5- Sangue Na Neve
6- Catch Me
7- Fear Nothing

30/12/2013

Resenha - Rose na Tempestade


Nome: Rose na Tempestade
No Original: Rose In A Storm
Autor (a): Jon Katz
Tradutor (a): Alda Porto
Páginas: 240
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: No meio de uma terrível nevasca, a cadelinha Rose insiste em dar conta de seu trabalho como pastora enquanto nos deixa a par de suas curiosas reflexões: onde está Katie, que ela nunca mais viu, embora seja capaz de sentir sua presença em todo lugar? Quem será aquele cachorro selvagem que parece seu amigo? Por que Carol, a mula, fica parada mesmo debaixo de toda a neve que cai? E onde foi parar Sam, que sumiu depois daquele barulho todo? Mas Rose não tem muito tempo para suas reflexões divertidas — e às vezes bem corretas. Agora ela deve voltar sua atenção para uma coisa muito mais séria: correr atrás de Sam, tentar encontrá-lo e, quem sabe, salvá-lo. No entanto, alguns perigos podem ser intransponíveis para uma cachorrinha...

Quando o livro apareceu na lista de lançamentos da Novo Conceito fiquei na dúvida entre solicitar ou não o livro, e no final pesou o amor por cachorros e a bela capa. Não conhecia as histórias do autor apesar de já ter ouvido muito bem de seus livros com animais na trama e logo nos primeiros capítulos me surpreendi com uma bela narração, um ponto de vista curioso, que poderia ter dado errado, mas que funcionou bem. Uma história leve e bela.

A história começa nos apresentando Rose, uma cachorrinha da raça border collie que trabalha na fazenda de Sam fazendo de tudo, cuidando de manter as ovelhas na linha, mantendo os animais calmos e acompanhando seu dono em todas as obrigações. Seu mapa consiste em manter a fazenda organizada e obedecer. Sam às vezes queria que Rose fosse mais parecida com um cachorro de estimação, ou que pelo menos separasse o trabalho do lazer, mas para Rose só existe o trabalho. Ela fica sem saber o que fazer quando o tom de Sam muda do já conhecido tom de trabalho e ordem para um tom mais sentimental. Tudo ia muito bem na fazenda e no mapa de Rose até a maior tempestade de neve que ela já viu chegar acabar com a ordem. A neve cai incessante no primeiro dia, e o cheiro do medo e o pavor dos animais chegam até ela. Sam não pode sair de casa, por isso enfrentando a neve Rose vai fazer sua ronda e o que vê a preocupa. Os coiotes estão chegando perto dos celeiros, a neve não para e quando Sam sai no meio da tempestade e quando tudo sai do controle Rose precisa tomar decisões que jamais sonhou, enfrentar desafios e no fim surpreender a todos.

Essa é a premissa da história de Rose e Sam, mas não quero falar muito para não deixar spoilers no ar. O autor entremeia pequenos trechos do ponto de vista de Sam a narração em primeira pessoa de Rose. A trama é simples, mas o desenrolar fluido e com um tom que tenta ao extremo soar realista. Katz se preocupa em levar ao leitor a verdade nas palavras de Rose, se preocupa em não deixar sua voz parecida com a de uma pessoa e a forma com que ele jogou com as palavras e as organizou através de impressões e memórias foi perfeita. As descrições também não ficam atrás, passando um ambiente vívido e que aliado ao jogo de impressões enriquece a história.

Sam e Rose são ótimos personagens e funcionaram bem juntos. O fim foi um tanto abrupto em alguns sentidos, talvez por uma coisa ter ficado em aberto ou por apenas ter sido insinuado. Pensando agora se o outro cachorro era o pai dela, o lobo poderia ser loba? Sinceramente não sei, mas não posso falar mais. O fim foi repleto de sentimentos, com uma mensagem ótima para todos, principalmente para os que amam os cães.

Leitura rápida e agradável, Jon Katz criou uma história única, e mostra que entende do mundo e dos sentimentos animais. Rose é crível e sua história muito bonita. A edição da Novo Conceito está ótima, desde a fonte até a capa belíssima. Recomendado a todos que adoram animais e gostariam de uma história que ajudem a entender a forma que eles pensam. Uma linda mensagem sobre as coisas inimagináveis da vida. Leiam e se surpreendam! Até mais!

29/12/2013

Resenha - Anjos A Mesa


Nome: Anjos À Mesa
No Original: Angels At The Table
Autor (a): Debbie Macomber
Tradutor (a): Rafael Gustavo Spigel
Páginas: 224
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Shirley, Goodness e Mercy sabem que o trabalho de um anjo é interminável — especialmente na véspera do Ano-novo. Ao lado de seu novo aprendiz, o anjo Will, elas se preparam para entrar em ação na festa de fim de ano da Times Square. Quando Will identifica dois solitários no meio da multidão, ele decide que a meia-noite será o momento perfeito para dar aquele empurrãozinho divino de que eles precisam para acabar com a solidão. Então, por “acidente”, Lucie Ferrara e Aren Fairchild esbarram-se no meio da alegria da festa, mas, assim como se aproximam, acabam se perdendo: um encontro marcado que não acontece os afasta pelo resto da vida. Ou será que não? Um ano depois, Lucie é a chef de um novo e aclamado restaurante, e Aren é um colunista de sucesso em um grande jornal de Nova York. Durante todo o ano que passou, os dois não se esqueceram daquela noite. Shirley, Goodness, Mercy e Will também não se esqueceram do casal... Para uni-los novamente, os anjos vão usar uma receita antiga e certeira: amor verdadeiro mais uma segunda chance (e uma boa dose de confusão), para criar um inesquecível milagre de Natal.

Fiquei surpresa quando vi o livro entre os lançamentos da editora e quase não solicitei, principalmente porque ele já era o sétimo de uma série, contudo por ter gostado de uma outra história da autora acabei solicitando. A Novo Conceito trabalhou bastante na divulgação do livro nesse natal e as expectativas eram altas, mas após a leitura a sensação é de que poderia ter sido muito melhor. Conheçam e entendam.

A história começa com Shirley, Goodness e Mercy observando a terra junto com seu mais novo aprendiz Will. Os quatro são anjos, mas de um tipo que não pode interferir diretamente na vida das pessoas. Eles não deveriam estar ali observando e muito menos ter descido as ruas, mas as três nem sempre foram boas em cumprir as regras e com isso Will que é novato acaba cometendo um terrível erro ao interferir na vida de Lucie, fazendo ela encontrar com Aren um ano antes do que era para ter sido. Agora seu chefe Gabriel está furioso, e quer que encontram uma solução sem interferir diretamente na vida dos dois. O problema é, como Shirley, Goodness, Mercy e Will vão conseguir fazer algo sem interferir? Depois de erros e desencontros eles percebem que o tempo está acabando, é interferir ou eles terão separado Lucie e Aren para sempre.

É a partir dessa premissa que a história se desenvolve, com uma narrativa marcada por mensagens de otimismo e fé Macomber apresenta uma história que tinha todos os elementos para render um ótimo chick-lit, mas que acaba preso pelo envolvimento dos anjos. É engraçado você pensar que o que deveria mover a história é o que atrapalha nesse caso. Não sei se é porque o livro é o sétimo de uma série e os personagens provavelmente foram apresentados antes ao leitor, senti que a autora deixou a personalidade dos quatro anjos e o que eles realmente fazer em aberto. Por exemplo, se eles não podem interferir como ajudam os humanos?

Outro ponto que não gostara foi o fato de tudo o que os anjos fizeram ter piorado a situação. A história de Lucie e Aren é muito boa, e ambos os personagens funcionaram muito bem assim como toda a ambientação natalina. Com belas descrições a autora conseguiu absorver o leitor na história. Por isso é uma pena que os quatro anjos só tenham participado de forma confusa. Não acho justo julgar os personagens pelo sétimo livro, mas é o que tive. O fim é romântico, finaliza bem e ainda vale mencionar que durante toda a narrativa temos mensagens de fé e comentários sobre a humanidade e Deus.

Leitura rápida, que flui com facilidade apesar do desconforto causado pela falta de apresentação dos personagens. A edição da Novo Conceito muito bonita, com detalhes nas páginas e capa bem adaptada. Debbie Macomber é uma ótima autora, com ótimos livros e acredito que essa série tenha ótimas histórias, por isso gostaria de ter lido esse livro já tendo os anteriores como base. Teria sido melhor, porém para quem gosta de histórias com belas mensagens, personagens engraçados e que resgata o clima de natal é perfeita. Leiam se faz seu estilo! Até mais!

Angels Everywhere - Debbie Macomber
1- A Season of Angels
2- The Trouble of Angels
3- Touched by Angels
4- Shiley, Goodness & Mercy
5- Those Christmas Angels
6- Where Angels Go
7- Anjos À Mesa