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17/09/2015

Resenha - Toda Luz Que Não Podemos Ver


Nome: Toda Luz Que Não Podemos Ver
No Original: All The Light We Cannot See
Autor (a): Anthony Doerr
Tradutor (a): Maria Carmelita Dias
Páginas: 528
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniat)ura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu.Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

Conheci o livro pouco depois de seu lançamento e desde então estava na lista de livros que não perderia de jeito nenhum caso lançado por aqui. Quando a Intrínseca anunciou seu lançamento em abril fiquei feliz e mais ainda quando um exemplar do livro chegou de surpresa da editora. Toda Luz Que Não Podemos Ver é um daqueles raros livros que merece toda a atenção que anda recebendo da mídia pelo mundo, mais do que o vencedor do Pulitzer de ficção, mais do que uma bela história situada na Segunda Grande Guerra, o livro de Anthony Doerr é um singular lembrete do que devemos valorizar e da capacidade do ser humano tanto para o bem quanto para o mal. Conheçam essa inesquecível história.

Logo no começo somos apresentados as frentes da história em um ponto adiantado, Marie-Laure, a garota cega sozinha em meio ao bombardeio, Werner, o jovem soldado alemão lutando para sobreviver ao mesmo ataque para em seguida voltarmos ao começo. Antes da guerra, Marie-Laure a menina que tão cedo ficou cega vive com o pai, um talentoso chaveiro que trabalha no Museu durante o dia e à noite constrói com cuidado uma réplica em miniatura do bairro onde vivem para Marie-Laure poder conhecer e circular sem dificuldades e na Alemanha, numa pequena cidade mineradora Werner e sua irmã moram no orfanato de Frau Helena, francesa radicada na Alemanha. Werner logo cedo mostrou inteligência e quando encontra um pequeno rádio seu destino muda, aos poucos o garoto desmonta, remonta e melhora o rádio, ouvindo cidades longínquas e sonhando. Quando a guerra se aproxima tudo fica difícil, Frau Helena esconde seu sotaque, livros são proibidos e na França Marie-Laure vê o museu que tanto ama esvaziar, artefatos sendo levados e escondidos, quando o pai decide partir em meio à confusão ela não imagina o segredo que ele carrega consigo. Quando Werner é chamado para consertar o rádio de um oficial sua vida muda de curso. O destino dois nunca esteve tão distante e ao mesmo tempo conectados. Numa sucessão de eventos tudo terminará em Saint Malo.

É a partir dessa premissa que a narrativa se desenvolve. Anthony Doerr atinge extremos opostos em sua narração ora com delicadeza ora com uma crueza visceral o autor nos guia por sua história única. A narrativa é alternada entre os personagens principais, com maior destaque para a voz narrativa de Marie-Laure e Werner, e através deles conhecemos faces da guerra pouco exploradas. É difícil depois de 70 anos existir um ponto de vista sobre a Segunda Grande Guerra que ainda não fora explorado na literatura, mas Doerr conseguiu isso ao aliar uma prosa sensível, com um toque de sonho e mito ao lado de uma visão tão triste e crua no lado "inimigo".

Werner é a síntese de grande parte dos jovens alemães daquela época. Sem dinheiro ou perspectiva de futuro, órfão e perdido em meio a mudanças bruscas que graças ao seu talento natural para números e rádios consegue entrar em um dos colégios de preparação do Reich. Lá Werner muda, cresce, mais do que enxergar o lado oposto fica perdido diante do mundo a sua volta. Enquanto isso Marie-Laure tem um mundo próprio, cega quando criança cresce na barra da calça do pai e vê a guerra levá-lo de maneira tão inesperada. Em seu próprio mundo não perde a noção da realidade e sua atitude diante do mundo é única, de uma perseverança diferente. Através deles somos jogados diante de questões que muitos nunca pensaram e outros procuram evitar. O porquê da guerra, sua injustiça, sua crueldade, seu despropósito, quem eram aquelas pessoas que morreram na guerra e/ ou pela guerra. Será que não somos iguais ou piores aqueles que ao fim de tudo disseram "eu estava obedecendo ordens"?

Leitura única, tocante, envolvente e instigante. Fiquei arrasada por Marie-Laure, e sem palavras por Werner. Impossível não pensar em tantos que se perderam e em tudo que ficou apenas na memória de quem viveu tal época. Hoje tentamos imaginar, tentamos sentir, mas jamais saberemos. A edição da Intrínseca está perfeita, tradução, fonte e adaptação da capa. Espero que se sair uma adaptação para o cinema seja benfeita. Recomendo a todos sem exceção. É uma bela história, que vai além do certo e do errado, da perda e dos dramas da Segunda Grande Guerra. Leiam e se surpreendam! Até mais!

11/05/2015

Resenha - Objetos Cortantes


Nome: Objetos Cortantes
No Original: Sharp Objects
Autor (a): Gillian Flynn
Tradutor (a): Alexandre Martins
Páginas: 256
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago, Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.

Quando li Garota Exemplar tive uma reação semelhante à da maioria dos leitores, achei o livro incrível, mas ao contrário de muitos não gostei do final, da conclusão e sempre que penso no livro o aprecio pela engenhosidade, pelas camadas e complexidade de seus personagens, talvez por isso quando Objetos Cortantes apareceu na lista de lançamentos da Intrínseca esperava encontrar algo parecido. Se por um lado o livro de estreia de Gillian Flynn gelará o sangue dos leitores o surpreendendo tanto quanto em Garota Exemplar por outro é capaz de deixar uma dúvida perniciosa que em alguns falará mais alto tornando o livro apenas bom. Conheça Objetos Cortantes, o livro de estreia da autora que caiu no gosto do mundo inteiro.

Camille Preaker não acredita quando seu frustrado editor a manda para a pequena Wind Gap, sua cidade natal. Ser repórter do quarto maior jornal de Chicago não é grande coisa, mas com pequenas notícias Camille se virava, e retornar a Wind Gap era algo que ela não esperava fazer tão cedo. O sumiço misterioso de uma nova garota. Seu editor estava interessado porque em agosto passado a polícia de Wind Gap havia encontrado o corpo de uma garotinha estrangulado. Camille chega à cidade como uma forasteira, sem encontrar nenhuma facilidade na busca por respostas. Sua mãe, Adora não está feliz por vê-la, desde a morte de Mariam a relação das duas é estranha. Seu padrasto Alan parece mais um acessório que sua mãe carrega e exibe pela cidade e sua meia irmã Amma é uma garota estranha, mimada e com atitudes perturbadoras e contrastam com o que sua mãe diz. Quando o corpo de Natalie Keene é encontrado sem dentes Camille pode desistir de ir embora rápido. A investigação está fechada, ela não consegue respostas com Richard, o detetive enviado pela capital para cuidar do caso e nem com a família da vítima. A única testemunha do desaparecimento é uma criança e Camille não sabe se a polícia está investigando o que o garoto disse. A cidade toda está tensa, a pequena e católica Wind Gap, onde pouco acontece e famílias loiras se escondem tensas atrás de suas belas casas. Camille se sente sufocada pela cidade e conversar com Richard, o detetive, se torna uma de suas fugas do ar da cidade. Sem declarações oficiais, com uma fofoca correndo solta entre em moradores, Camille têm dúvida se conseguirá encontrar o verdadeiro culpado pelas mortes.

É essa a premissa que dá tom ao livro, uma jovem repórter voltando a pequena cidade do interior onde cresceu. Flynn constrói o caso de forma curiosa, como se a verdadeira história do livro fosse a cidade, a grande personagem que vamos conhecendo capítulo a capítulo, uma cidade de famílias tão ricas e tão pobres, tão católicas quanto sínicas, onde tudo parece perfeito e nada acontece. A pequena Wind Gap é o personagem que engana o leitor, que tem mais segredos e podres do que aparenta e na voz narrativa de Camille, a filha que sua mãe teve antes de casar e que cresceu como um membro extra, a mulher que é bonita e tem talento para o jornalismo, mas que se corta desde os treze anos.

Camille tem o corpo recortado por palavras, palavras que ela cortou ao longo dos anos, de suja e vazia, de anáguas a cupcake. É sua válvula de escape e motivo de vergonha para a mãe, que gosta de tudo perfeito e harmonioso. Através dela conhecemos diversos personagens da cidade, das amigas peruas da mãe as amigas problemáticas de sua meia-irmã. Ficamos atentos em busca de suspeitos e em busca de motivos, mas desde o começo toda a história soa estranha, do assassinato aos dentes arrancados e desde os primeiros capítulos tive minhas desconfianças. Não há suspeitos claros e como disse a autora desenvolve mais a cidade, seus moradores e estranhezas do que o assassinato.

A leitura fluiu fácil e é instigante apesar do clima todo diferente. Para uma estreia é um ótimo livro, e o fim deixará o leitor com os pelos da nuca arrepiado, Gillian Flynn foi audaciosa ao construir um final daquele, mas a parte do grande fim e da grande construção do cenário, essa cidade que se torna algo vivo para o leitor esperava mais desenvolvimento, principalmente dos conflitos de Camille, algo que explicasse ou pelo menos concluísse as coisas para ela. A edição da Intrínseca está ótima, capa, tradução, fonte, tudo cuidadoso. Recomendo a todos que gostaram do estilo da autora e principalmente aos que gostam de suspenses com investigação, mas que o foco é algo maior do que o assassinato. Leiam e se surpreendam! Até mais!

15/04/2015

Resenha - Sonhos Com Deuses e Monstros


Nome: Sonhos Com Deuses e Monstros
No Original: Dreams Of Gods and Monsters
Autor (a): Laini Taylor
Tradutor (a): Viviane Diniz
Páginas: 560
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Dois mundos se equilibram na iminência de uma terrível guerra. Na Terra, os humanos recebem com êxtase os anjos e seu imperador, que pretendem angariar armas para um combate maligno. Karou assumiu o controle da rebelião quimera e, ao menos na batalha contra o inimigo em comum, está, finalmente, ao lado de Akiva. É uma versão distorcida do tão antigo sonho dos dois, uma esperança de futuro para seus povos. E, talvez, para o amor que eles sentem renascer. 

Desde o primeiro livro fiquei impressionada com a história e o universo construído por Laini Taylor, por isso a espera por este terceiro livro era mais do que pela simples conclusão, era pelos personagens fascinantes que ela construiu, pelo mundo que a cada capítulo nos trazia uma surpresa. Em Sonhos Com Deuses e Monstros temos o ápice da trama, mas também muitas revelações e novidades que deixarão qualquer leitor querendo que Laini volte ao mundo seu fascinante universo de quimeras e anjos. Conheçam a trilogia e o emocionante desfecho.

Karou para todos era só uma estudante de arte com cabelos azuis e que vivia em Praga ao lado de amigos, mas por trás ela viajava o mundo em busca de dentes e sempre tinha desejos que podia usar. O mundo de Karou vira de cabeça quando ela conhece Akiva, um anjo que estava tentando matá-la. Karou descobre a verdade sobre si, sobre as quimeras, sua outra vida como Madrigal e com Akiva, sua morte e seu renascer. Karou é jogada para a realidade de um mundo em guerra, onde quimeras e anjos travam uma luta incansável e de preços altíssimos. Tudo o que ela e Akiva queriam era a paz, era pensar em um futuro onde quimeras e anjos pudessem coexistir, mas isso é uma missão praticamente impossível, até agora. Quando Jael, o imperador dos anjos chega a Terra arrebatando milhares de humanos, deixando todos maravilhados com seu batalhão de anjos no Vaticano, Karou e Akiva sabe que precisam agir, sabem que precisam unir o exército de quimeras aos Ilegítimos, o batalhão mais feroz dos anjos que ficou ao lado de Akiva. Correndo contra o tempo enquanto veem Jael conquistar os humanos com sua lábia ferina Karou precisa aumentar o exército dos quimeras, Akiva manter seus irmãos calmos e juntos talvez podem vencer Jael, que está atrás de armas potentes com os humanos e é questão de tempo até conseguir. No meio disso tudo Karou guarda um segredo que pode ser trágico para as quimeras e Akiva descobre ser dono de poderes estranhos e incontroláveis. Tão perto e ao mesmo tempo tão distantes, os dois trabalham junto contra o relógio em busca de salvar não só a humanidade, como a si próprios e o futuro que tanto desejaram.

Esse é o ponto de partida da trama deste terceiro e último livro da trilogia. Não quis falar das outras pontas da trama para não estragar a surpresa, mas Laini Taylor construiu uma bela tapeçaria, que encaixa cada pequeno detalhe, dos já conhecidos aos novos em sua trama. A narrativa alterna pontos de vistas importantes da trama sendo os de Karou e Akiva os mais frequentes e capítulo a capítulo somos surpreendidos pelas voltas e rumos que a trama toma. Depois do primeiro livro emocionante, do segundo livro cheio de cenários incríveis e trama intrigante não sabia o que esperar e Laini me surpreendeu mais uma vez, com belas descrições, uma sutil tensão marcada de tristeza entre Akiva e Karou e claro muitas tramas que vieram completar o que já foi dito e finalizar a trilogia com chave de ouro.

De personagens fica difícil citar os que se destacaram mais, claro Karou e Akiva, que em cada cena eletrizava o leitor, e Zuzana e Mik, que foram mais do que alívio cômico, uma ótima dupla de amigos para Karou. Liraz, que me surpreendeu demais nesse desfecho e ainda Eliza que foi um mistério bem resolvido. Laini Taylor amarrou tudo, deixando o leitor apaixonado e suspirando pelo fim de sua história. Não sou de me apegar a casais e a torcer, e essa coisa toda, mas Karou e Akiva definitivamente é meu casal favorito, impossível não ficar feliz com o fim e com o durante, afinal capítulo a capítulo adorei cada cena, cada diálogo, cada detalhe. Um fim para não esquecer.

Leitura rápida, fluída, instigante e marcante. Laini Taylor não é só uma contadora de histórias talentosa, mas uma escritora perspicaz que não caiu no comum. A edição da Intrínseca está ótima como sempre, mas estou chateada porque alguns livros da primeira edição foram cortados errado, mais curtos que os dois livros anteriores enquanto outros livros da mesma edição estão no tamanho correto. Enfim. Adoraria ver a trilogia ganhar os cinemas, mas Karou e Akiva são tão perfeitos como protagonistas que espero que se isso vier acontecer sejam fiéis a trama e escolham muito bem os atores.

Recomendado a todos, Feita de Fumaça e Osso é uma trilogia única, com mitologia incrivelmente criativa e marcante, que vai além de romance, não se engane, o casal principal é forte justamente porque eles casam de forma única, não porque a trama é melosa, com batalhas, traições, reviravoltas, elementos únicos, ação, amizade, tristeza, superação e mais, a história conquistará o mais variado tipo de leitor. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Feita de Fumaça e Osso - Laini Taylor
1- Feita de Fumaça e Osso
2- Dias de Sangue e Estrelas
3- Sonhos Com Deuses e Monstros

20/02/2015

Resenha - O Dragão Renascido


Nome: O Dragão Renascido
No Original: The Dragon Reborn
Autor (a): Robert Jordan
Tradutor (a): Fábio Fernandes, Júlia Henriques
Páginas: 656
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: As profecias do Dragão predizem que a Pedra de Tear, a lendária fortaleza, cairá quando Callandor , A Espada Que Não Pode Ser Tocada, for empunhada pelo Dragão. Será um dos sinais de que ele de fato renasceu e que a Última Batalha se aproxima. Rand al’Thor, recém-proclamado Dragão Renascido, ainda tem dúvidas sobre seu destino, e decide que é hora de partir sozinho em sua jornada. Enquanto isso, Nynaeve, Egwene e Elayne seguem para Tar Valon, onde Mat precisa ser Curado ou morrerá. Entretanto, com a presença da Ajah Negra na Torre Branca, as jovens logo descobrem que suas próprias vidas correm perigo. Perrin, por sua vez, acompanha Moiraine na busca por Rand. Todos os caminhos parecem levar a Tear, onde o Dragão Renascido enfrentará um desafio que pode pôr tudo a perder.

Desde que a Intrínseca começou a lançar a série do Robert Jordan vivo em completa tensão. Meu medo era chegar ao segundo livro e não ver o terceiro como aconteceu anteriormente. Apenas quando solicitei o terceiro e aguardado livro que pude respirar. Com uma história ainda mais completa e fantástica do que seus antecessores O Dragão Renascido fecha o ciclo introdutório da série e deixa o leitor ansioso para a nova etapa. Mais desenvolvimento de personagem, mais ações, intrigas e segredos marcam essa continuação. Conheçam.

Separados em três frentes os personagens que nos conquistaram logo no primeiro livro estão de volta vivendo sob o fio de uma navalha. Rand continua teimoso e receoso de seu destino. Odeia ter a impressão de que está sendo manipulado e por isso parte sozinho em busca do que ele acredita ser a solução de seus problemas. Depois de longos meses afastados e acampados sob um inverno intenso Rand decidi que é hora de agir partindo no meio da noite sem deixar muitas pistas. Apenas na manhã seguinte que Moiraine com ajuda de Lan e Perrin consegue determinar o que Rand pretendia. Ele acredita que se chegar a Tear conseguirá empunhar a espada de Callandor e colocará fim as disputas em seu nome e a dúvida sobre ele ser ou não ser o Dragão Renascido, mas o que Rand não sabe é que a Pedra de Tear é guardada a sete chaves, apenas os grãs-lordes de Tear tem acesso e eles não suportam ouvir falar de dragões renascidos, profecias e apenas toleram as Aes Sedai. Tudo o que resta ao grupo é seguir seu rastro e torcer para que ele sobreviva ao menos a viagem já que muitos estão o caçando, desde os irmãos da Luz e o Tenebroso até inimigos impensáveis e furtivos. Enquanto o grupo segue um Rand que muda tudo por onde passa, Nynaeve, Egwene e Elayne seguem para Tar Valon. Ele precisa ser curado da adaga e elas serão iniciadas, mas o que as aguarda na Torre é muito pior. O medo de inimigos escondidos, das fofocas que correm a torre e dos planos da Ajah Negra fará com que as três ajam antes que seja tarde para salvar a si mesmas e a Rand. Numa jornada dividida em várias frentes acompanhamos a última trama que provará ao mundo que a roda girou e o dragão renasceu. É isso é apenas o começo.

É a partir daí que a trama se desenvolve e devo dizer que a cada livro a leitura flui mais fácil e mais cativante. Robert Jordan é mais do que um grande autor, sua trama cresce a cada livro e ainda assim é refrescante acompanhar a narração. Ao contrário de muitos autores parece que quanto mais ele entrelaça e intrinca a trama mais envolvente ela se torna. Ao dividir os personagens em diversas frentes e ainda colocar na hora certa diversos pontos dos antagonistas Jordan mantem a trama fluída, sempre em movimento, mas sem perder a tensão de toda a situação.

A cada novo livro gosto mais dos personagens. Se no primeiro não estava totalmente certa sobre Perrin, Mat, e até mesmo Egwene posso dizer agora que não consigo vê-los fora da história. Na contramão disso tem Rand, que começou cativando e se continuar reclamando sobre ser o Dragão Renascido vai perder créditos com o leitor. Gostei demais de ver a força dos personagens e o laço que se desenvolve entre eles. O fim foi esperado e inesperado, com o ritmo que tudo está acontecendo e com esse primeiro ciclo da série fechada mal posso esperar para ter o quarto livro em mãos. Com novos cenários, novos personagens e muita intriga O Dragão Renascido é um livro de quase 700 páginas que pode ser lido em poucas horas de tão cativante que é o universo criado por Jordan e povoado por seus personagens.

Leitura ágil, agradável e que leva a série a um novo começo. Robert Jordan deixa claro a cada livro que sua série não tem 14 livros levianamente, o tapete de tramas, conflitos e personagens construídos pelo autor se expande de forma fenomenal para deixar qualquer leitor surpreso. A edição da Intrínseca está ótima, fonte padrão da editora, um pouco pequena, mas o espaçamento é cuidadoso e não atrapalha o tamanho da letra. A tradução também está cuidadosa e sem entraves típicos de livros muito grandes ou traduzidos por quatro mãos. Recomendo a série a todos, sou fascinada pelo complexo universo criado pelo autor, seus personagens e sua trama merece uma chance do leitor mais cético ao mais apaixonado por fantasia, de qualquer idade. Leiam e se surpreendam a cada livro! Até mais!

A Roda do Tempo - Robert Jordan
1- O Olho do Mundo
2- A Grande Caçada
3- O Dragão Renascido
4- The Shadow Rising
5- The Fires Of Heaven
6- Lord Of Chaos
7- A Crown Of Swords
8- The Path Of Daggers
9- Winter's Heart
10- Crossroads Of Twilight
11- Knife Of Dreams
12- The Gathering Storm
13- Towers Of Midnight
14- A Memory Of Light

13/01/2015

Resenha - O Presente do Meu Grande Amor


Nome: O Presente do Meu Grande Amor
No Original: My True Love Gave To Me
Autor (a): Vários
Tradutor (a): Cássia Zanon, Rachel Agavino, Regiane Winarski
Páginas: 368
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve — presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite —, vai se apaixonar por O' presente do meu grande amor'. Nas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa que você comemore o Natal, o ano-novo, o Chanucá ou o solstício de inverno.

O problema de se publicar três resenhas de antologias uma atrás da outra é ter de usar a mesma frase em todas, mas o que posso fazer se eu amo contos? Sim, vou repetir, eu amo contos e vejo tão poucos por aqui que quando são lançados mal posso me conter de felicidades. Com o livro organizado pela autora Stephanie Perkins não foi diferente, ainda mais que eram histórias de final de ano, não apenas natal, mas os feriados de fim de ano e como nunca vai nevar em Minas Gerais me contento com ler livros onde o natal é geladinho e a passagem de ano aconchegante ao invés de quente e melada de suor. Conheçam O Presente do Meu Grande Amor, uma bela antologia, recheada de grandes autores e histórias improváveis, tímidas, atiradas e deliciosas.

A surpresa da Intrínseca ao trazer o livro já nesse final de ano merece ser comentada, afinal nada melhor do que ver a atenção de uma editora com nós, leitores. Abrindo a antologia temos o conto da aclamada autora Rainbow Rowell, em seu "Meias-Noites" o leitor é surpreendido com uma história de amor que atravessa diversos anos-novos e que deixa o leitor angustiado. O segundo conto é da autora Kelly Link e nos encantamos com o mistério e o charme de seu "A Dama e A Raposa",  e ele se tornou um dos meus favoritos, talvez o segundo favorito, o mistério e a impossibilidade o tornaram único. Seguido pelo mais contundente, mas não menos amoroso "Anjos na Neve" do autor Matt de La Peña e pelo mágico "Encontre-me na Estrela do Norte" onde uma menina acaba adotada quando bebê pelo Papai Noel, da autora Jenny Han e chegamos a um dos meus preferidos, empatado em terceiro, "É Um Milagre de Yule, Charlie Brown", da autora e organizadora da antologia Stephanie Perkins, seu conto é simples, tocante e consegue ser sinceramente realista, não sei se o que mais gostei foi a personalidade de seus protagonistas ou se pelo modo como tudo acontece, só sei que a história do garoto que vende árvores de natal com a família e da garota cuja mãe é vegana e sonha em trabalhar com animação me conquistou e fez meu dia. Fechando a primeira metade dos contos temos o bonitinho "Papai Noel Por Um Dia" do sempre sincero David Levithan, uma história simples e tocante do que fazemos por amor para manter um sonho vivo.

O sétimo conto é um dos mais diferentes e só podia ser da autora Holly Black, a autora vai buscar na mitologia nórdica, germânica a figura antagonista a do Papai Noel em um conto criativo, que traz magia, desejos e punições como não podia deixar de ser sob o título de "Krampuslauf". Para quem não entendeu, na cultura de países como a Alemanha e Áustria até os dias de hoje a figura do Krampus aparece em paradas natalinas, ele já foi proibido, mas retornou desde o começo do século, o Krampus é um acompanhante de São Nicolau, ou Papai Noel, e ele pune as crianças que se comportaram mal, colocando brasas de carvão em suas meias. A autora foi bem criativa em seu conto e adorei encontrar uma figura diferente. Seguindo temos o diferente "O Que Diabo Você Fez", Sophie Roth?", de Gayle Forman, autora queridinha dos jovens que traz a história de um encontro improvável e atrapalhado que vai de Ned Flanders a suéteres de renas. Gostei muito da história pelo toque de improbabilidade que mostra como as vezes o destino dá um empurrão nas coisas mesmo de seu modo torto de fazer tudo. Em “Baldes de Cerveja e Menino Jesus", de Myra McEntire encontramos mais um encontro mal arranjado do destino e que muda tudo, seguido pelo meu terceiro conto favorito, "Bem-Vindo a Christmas, Califórnia", da autora Kiersten White, uma história doce de esperança e que faz o leitor pensar no quanto de coisa enxergamos errado e o tanto de tempo que perdemos julgando mal coisas que não são tão feias quanto pensamos. Terno e marcante, o conto é mais do que uma bela história. Chegamos ao fim com o "Estrela de Belém", de Ally Carter, um conto comum sobre fugas e encontros, sobre liberdade e amor.

E por último, meu favorito, que merece um parágrafo só para si. Parece que Stephanie Perkins simplesmente sabia que o conto de Laini Taylor se encaixa perfeitamente para ser o último da antologia. Ah a Laini Taylor, ainda morro com as histórias dela, mais um lindo conto, com todos os seus toques sombrios e belos. Sabe quando um autor chega no ponto de ter um estilo só dele? Por exemplo os leitores do Neil Gaiman sempre dizem que "ah o novo livro dele é tão Neil Gaiman", porque já é um estilo próprio, só dele, sem como descrever, e Laini Taylor, depois de sua trilogia e de alguns contos seus já está chegando nesse ponto, No conto "A Garota Que Despertou O Sonhador" a autora faz mais do que falar de natal e esperança, faz mais do que contar uma história de amor, ela faz o leitor torcer, sofrer, chorar e se apaixonar, tudo isso em apenas um conto e são poucos os autores que conseguem esse feito em apenas um conto. Se pudesse dizer uma coisa para autora diria para ela lançar antologias só dela, aposto que seriam tão brilhantes e tão Laini Taylor quanto as do Gaiman são Gaiman. Amei seu conto e me lembrarei dele por muito tempo para não dizer para sempre e soar clichê.

Leitura deliciosa, sou suspeita quando o assunto é conto, mas amei o livro, não tem um conto fraco, todos eles têm algo que os faz distinguível, mesmo o que menos gostei. A edição da Intrínseca está ótima, com ótima tradução e adorei que mantiveram a capa. Os casais formados nos contos aparecem na capa e é um toque bem legal e o kit que a editora enviou junto do livro foi um presente muito atencioso da editora nesse natal que passou. Enfim, recomendo o livro a todos que procuram uma leitura deliciosa e que consegue marcar, alguns contos mais do que outros, mas vale a pena só pelo conto da Laini e claro do seu autor favorito. Tem conto que fará você rir, e que fará você chorar, tem conto que emociona e que diverte, tem conto que faz você pensar e até torcer. Leiam, se encantem, se surpreendam e se emocionem! Até mais!

14/10/2014

Resenha - O Espelho do Tempo


Nome: O Espelho do Tempo
No Original: Obsidian Mirror
Autor (a): Catherine Fisher
Tradutor (a): Flávia Assis
Páginas: 304
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Um espelho feito da mais pura obsidiana, capaz de romper as dimensões do espaço-tempo. Seu imenso poder atravessa séculos, despertando a cobiça e a ambição de muitos homens. Quem o detém hoje é o misterioso explorador Oberon Venn, em sua isolada propriedade no interior da Inglaterra. O corajoso adolescente Jake Wilde chega à propriedade para descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai, que trabalhava com Venn em um projeto secreto — que envolve o espelho. Na busca pela verdade, ele mergulhará nos mistérios da viagem no tempo e descobrirá seus enormes riscos, inclusive o de destruir o futuro. Jake terá que enfrentar também todas as outras pessoas que cobiçam o artefato: um homem marcado por uma cicatriz no rosto, que acredita ser o dono original da peça; uma jovem cujo passado desconhecido esconde pistas sobre os terríveis perigos da viagem no tempo; e o próprio Venn, que tenta a todo custo trazer a esposa de volta à vida.

Sempre que vejo um novo livro da autora britânica Catherine Fisher saindo por aqui é certeza de uma boa leitura pela frente. Com O Espelho do Tempo, lançamento recente da Intrínseca não foi diferente. O livro abre uma nova trilogia da autora mesclando viagem no tempo, faeries e muito mais, surpreendendo e encantando o leitor como sempre acontece em seus livros. Não é por pouco que é considerada uma das melhores autoras de fantasia britânica dos últimos muitos anos. Conheçam e se encantem com o misterioso começo da trilogia Chronoptika.

Jake está certo de que o seu padrinho matou seu pai. Eles eram melhores amigos e trabalhavam em um projeto secreto havia bastante tempo quando o pai dele desapareceu, sem deixar vestígios além da palavra de Venn. Jake então passa a criar situações impossíveis que obrigam o diretor de seu novo e exclusivo colégio a mandá-lo de volta. Se Venn pensa que enviá-lo para longe resolverá o problema está muito enganado. A foto do pai na estação dias depois da data que Venn afirmou é a prova de que ele precisava. Viajando para a isolada propriedade no interior da Inglaterra ao lado de seu insistente professor Wharton. Na propriedade Jake descobre um lugar vazio, frio e com ares sombrios. Sem espelhos e pouca conversa. Sarah chegou a Wintercombe Abbey um pouco antes de Jake, fugindo de criaturas terríveis. Venn cego em seu propósito aceita Sarah na mansão em troca de sua ajuda em um experimento. O que Venn não sabe é que Sarah está ali com um propósito, com uma missão e seja lá de que tempo veio, ela sabe que não está sozinha. Criaturas estranhas cercam a casa, pessoas de confiança que se revelam, e Jake no meio de todos precisa descobrir a verdade sobre seu pai. O que o homem da cicatriz realmente está querendo? O experimento de Venn, é real ou trapaça de Sarah para poder ficar mais tempo na casa? Jake descobrirá os segredos gelados de Wintercombe Abbey a qualquer preço.

É a partir dessa premissa que Catherine Fisher mais uma vez deslumbra o leitor. Misturando de forma elegante e perspicaz elementos da fantasia, da ficção-científica e da mitologia dos faerie, a autora nos conduz em meio a uma trama emaranhada, que se revela aos poucos e de maneira intrigante. A narração é dividida entre diversos personagens, sendo Jake e Sarah as vozes centrais da narração. Ao redor do espelho negro de obsidiana todos transitam com seus interesses próprios e obsessões. Fisher como narradora habilidosa insinua e desconstrói o tempo todo, levando o leitor para uma teoria e depois nos surpreendendo com um desenrolar todo diferente.

Os personagens são todos ambíguos e curiosos, cada um com seu segredo e intenção, Jake consegue ser o mais transparente com sua busca obsessiva pela verdade do que aconteceu com seu pai. Venn é taciturno, obcecado pela esposa morta, mas ainda com traços de consciência, Wharton é uma peça que não se encaixa, fazendo as perguntas que todos deviam estar fazendo o professor começa irritando o leitor para depois surpreendê-lo. Sarah é um enigma, tem medo de algo, que ora parece uma coisa ora parece outra, para no fim ser algo ainda mais diferente. A trama ligado ao espelho é complexa e estou curiosíssima para saber mais do aparelho e principalmente de como a história chega no ponto que foi citado. Fisher é genial ao mover a trama no ritmo certo, dando o suficiente para deixar o leitor satisfeito com o final, mas ainda muito curioso e cheio de perguntas.

A leitura é rápida, envolvente e instigante. O universo criado por Catherine Fisher é único e muito criativo, misturando elementos variados a ambientação é perfeita e cheia de surpresas. As descrições são precisas e conseguimos sentir o frio e o vento gelado na pele em cada cena. A floresta então é sem palavras. Uma conversa de Venn no final da história tornou tudo ainda mais rico, o povo da floresta parece um tanto deslocado, mas Fisher foi brilhante ao deixar essa pista no final. A edição da Intrínseca está ótima, boa fonte e diagramação além de uma capa muito bem adaptada. Adoraria ver a história e o universo adaptados, além de um ótimo filme renderia um visual marcante. Recomendado a todos que procuram uma trilogia jovem diferente, rica e com trama inovadora. Ótimos personagens e um desenvolvimento impecável. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Chronoptika - Catherine Fisher
1- O Espelho do Tempo
2- The Box of Red Brocade
3- The Door In The Moon

07/08/2014

Resenha - A Grande Caçada


Nome: A Grande Caçada
No Original: The Great Hunt
Autor (a): Robert Jordan
Tradutor (a): Fábio Fernandes, Júlia Henriques
Páginas: 704
Editora: Intrínseca
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: A Roda do Tempo gira, e Eras vêm e vão, deixando memórias que se transformam em lendas. Há séculos os menestréis narram a Grande Caçada à Trombeta de Valere, que muitos pensavam não passar de uma história, e agora foi encontrada. Ela seria usada para convocar heróis mortos de seus túmulos para lutar contra o Tenebroso, mas alguém a roubou. Rand al’Thor, Mat Cauthon e Perrin Aybara juntam-se aos soldados shienarianos, dispostos a sacrificar a própria vida para recuperar o artefato. No entanto, há algo que Rand teme ainda mais do que as forças do Tenebroso: a mácula de saidin. Rand sabe que está condenado à loucura e à morte e se pergunta se conseguirá ajudar seus amigos antes que isso aconteça ou se será ele próprio o responsável por destruí-los.

Cumprindo a promessa inicial de lançar ao menos um livro por semestre a editora Intrínseca trouxe no último mês de maio o segundo volume da aclamada série A Roda do Tempo e dando continuidade a brilhante história iniciada em O Olho do Mundo, Robert Jordan avança a rede de tramas, mistérios e camadas da história de Rand al'Thor e seus companheiros. Em uma audaciosa prova de que sua série é única a trama segue tão complexa quanto seu antecessor e encantando o leitor com revelações imprevistas e mostrando porque a série é o fenômeno mundial que é desde seu lançamento na década de 90.

Rand al'Thor está em negação, depois dos acontecimentos no olho do mundo que revelaram para o mundo que ele é um homem que pode usar o poder e que para a Aes Sedai Moiraine ele é o dragão renascido. Rand já disse que não vai ser manipulado e nem amansado por ninguém. Ele sabe o que acontece com homens que pode tocar o poder, terminam amansados em Tar Valon, o lar das Aes Sedai. Eles estão em Fal Dara, Shienar desde que voltaram do olho do mundo. Treinando com Lan o uso de sua espada, Rand não sabe porque ainda não partiu. Lan lhe faz a mesma pergunta, mas Rand não quer deixar Mat e Perrin para trás. Eles mal falam com ele desde que tudo aconteceu. Egwene também está diferente, ele não sabe o que Moiraine está esperando para partir com ela e Nynaeve para Tar Valon. Quando uma comitiva chega de Tar Valon, com a própria Amyrlin, líder das Aes Sedai, Rand sabe que perdeu sua chance de partir incógnito. Com a confusão do castelo tudo o que Rand não quer é chamar atenção, mas quando há um ataque nas masmorras, Rand não pensa e simplesmente sai em disparada sabendo que Egwene ainda visita Fain em sua cela. O amigo das trevas escapam, deixando ela desacordada e levando a adaga ligada a Matt junto com a Trombeta de Valere. Todos comentam o rompante de Rand e as Aes Sedai já comentam quando Amyrlin o convoca. Para sua surpresa ela fala abertamente com ele sobre o poder e sobre ele ser o dragão renascido. Moiraine e a Amyrlin sabem que não devem impedir a profecia por isso deixa que ele parte com a com a comitiva que sairá no encalço de Fain. Lorde Ingtar com seus homens, Matt, Perin, Loial seguem para sul no rastro dos trollocs e do fugitivo enquanto Egwene e Nynaeve seguem para Tar Valon. Mas o caminho de Rand ainda guardará surpresas. Com o exército que chegou do mar na Ponta de Toman vindo ninguém sabe de onde, e os amigos das trevas infiltrados onde menos se esperam, Rand terá dificuldades de fugir de si próprio, aprenderá muito no caminho e será levado para onde menos quer estar.

Essa é a simplificação da premissa dessa fabulosa continuação, afinal resumir a trama criada por Jordan é algo impossível. Cortei e recortei, assim como escrevi e rescrevi diversas vezes porque é difícil falar de algo de que gostei tanto. A trama que segue Rand no centro das mudanças que ele tanto tentou evitar é fluida, envolvente e instigante, comecei a ler o livro com a meta de ler apenas cem páginas e mal notei a hora passar. O ponto forte da narração continua sendo a divisão em várias frentes que culminam em um fim tenso e que amarra as questões colocadas desde o começo.

O conceito do autor de "Roda do Tempo" ganha mais contornos nessa segunda etapa onde temos Rand sendo levado pelas circunstâncias para o meio das tramas que tentou evitar e mesmo quando o foco são os outros personagens o autor consegue mostrar ao leitor como Rand está intricado a cada um deles mesmo que indiretamente. Com alguns pontos de vista Jordan consegue deixar o leitor tenso e fascinado, como no começo do livro o encontro entre os amigos das trevas e com outros mostra o quanto sua série é audaciosa e cuidadosamente desenvolvida. Sem perder nenhuma ponta da história o autor dá seguimento a todos os personagens e subtramas, movendo-as no ritmo do crescimento de Rand, prova disso é o fato de algumas das partes mais ricas dos diálogos terem saído da frente de personagens secundários.

A história consegue ainda surpreender mesmo o leitor já conquistado pela história intrincando camadas, novos povos, cidades e sociedades na trama. Gostaria muito de saber como Jordan concebeu a história e o modo como organizava todas suas ideias porque a trama da série é de uma complexidade vertiginosa e a cada capítulo nos vemos mais e mais envolvidos. Não importa se a letra é um pouco pequena ou se o livro é pesado, de manhã ou de madrugada, a história desse universo fisga até o leitor desinteressado. É incrível como de um personagem para o outro tudo pode mudar. Rand não está apenas em uma jornada de X para Y, a cada parada que ele faz é uma nova trama, um novo misto de intrigas, perigos, segredos e possíveis traições. E é assim para cada personagem. Além claro do crescimento das subtramas como é o caso de Lan, que continua sendo intrigante e um personagem que merecia uma série só dele, tamanha é a curiosidade que o leitor fica diante de sua personalidade e história pessoal.

A leitura dita já no começo do livro que tem um ritmo próprio, que coloca o leitor no lugar onde o autor deseja e assim segue nos hipnotizando cada vez mais. Jordan tem algo em sua escrita, em seu modo de narrar que vai além de saber contar uma história. Mais uma vez começamos de um jeito e com a evolução do livro mudamos, somos cativados por cada personagem, intrigados e apanhamos em meio as possibilidades das tramas, pegos pela tensão que cerca Rand, temendo por todos os personagens e imaginando desfechos.

A edição da Intrínseca está ótima, fonte padrão, ótima tradução e capa adequada. Com essa arco da história encaminhando para o final já estou contando os dias para os próximos livros, já disse e repito que se tivesse todos os livros em mãos leria até o fim sem parar. Uma série que não se deve julgar pelo tamanho, ela merece uma chance até dos céticos, não é fantasia épica apenas, é um conjunto de temas e tramas fascinante, audaciosas e que surpreende a todo momento. Um universo com histórias milenares, mistérios, intriga, traições de onde se menos espera, guerras, relacionamentos humanos e realistas e mais. Recomendado a todos! Leiam e se apaixonem! Até mais!

A Roda do Tempo - Robert Jordan
1- O Olho do Mundo
2- A Grande Caçada
3- O Dragão Renascido
4- The Shadow Rising
5- The Fires Of Heaven
6- Lord Of Chaos
7- A Crown Of Swords
8- The Path Of Daggers
9- Winter's Heart
10- Crossroads Of Twilight
11- Knife Of Dreams
12- The Gathering Storm
13- Towers Of Midnight
14- A Memory Of Light

04/06/2014

Resenha - Silo


Nome: Silo
No Original: Wool
Autor (a): Hugh Howey
Tradutor (a): Edmundo Barreiros
Páginas: 512
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras. Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo. Um crime cuja punição é simples e mortal. Elas são levadas para o lado de fora. Juliette é uma dessas pessoas. E talvez seja a última.

Silo é um daqueles livros que à primeira vista desconfiei e com um olhar mais atento fiquei profundamente interessada. Pensar na famigerada frase "mais uma distopia" para descrevê-lo quando o conheci foi o mais longe que passei da realidade. Chegando ao mercado de forma serializada o livro de Hugh Howey mudou não só a forma como muitos viam as publicações divididas como também o gênero da ficção-científica que há muito procurava por algo excepcional. Conheçam e entendam porque Silo é excepcional.

Como disse o livro reúne cinco partes, Holston, A Medida Certa, O Começo, A Descoberta e Os Abandonados. Cinco partes de uma história de revelações. Em um futuro não tão distante os seres humanos vivem em um silo. Um grande e complexo silo enterrado na superfície. Por séculos as pessoas vivem assim, confinadas graças ao ar tóxico e mortal que varre a superfície da terra. É nesse cenário que a história começa com o xerife Holston pedindo para sair. Pedindo para ir para a Limpeza. Todos ficam em choque e a prefeita Jahns mais do que todos. Ela sabia que Holston vinha sofrendo com a perda da mulher, mas não conseguia entender o que havia levado ao homem a pedir para sair. É a partir da saída de Holston que tudo acontece. Com o cargo de xerife vazio a prefeita tem de escolher um novo nome e é aí que entra Juliette, uma mulher inteligente, de trinta e poucos que vive nas profundezas, como Mecânica. Juliette chamou atenção do delegado Marnes anos atrás quando ajudou na investigação de um assassinato com observações perspicazes. Tudo o que Juliette sempre quis é consertar as coisas, manter as máquinas funcionando e consertá-las antes que eles estragassem. Desde que trocou os níveis intermediários pela Mecânica lá nas profundezas que Juliette trabalha com prevenção e quando a prefeita chega querendo que ela se torne xerife, Juliette mesmo relutando aceita, afinal lá em cima poderia fazer diferença. Poderia fazer algo para mudar o ritmo errado com que o Silo funciona. Mal sabia ela que sua subida seria o começo mais do que de uma revolução, o que começo de mudanças e revelações drásticas.

A premissa vai dessa descrição, com toda certeza muito além, mas não entrei em detalhes porque Silo é uma história que deve ser desvendada e saboreada enquanto lemos. Quanto menos você souber do que defini os rumos da trama central melhor. A narrativa de Howey é fluida, e a despeito da passagem lenta dos acontecimentos sua escrita é leve, cativando a atenção do leitor e tornando imperceptível o passar da história. Howey criou mais do que um futuro pós-apocalíptico, ele criou um conto de inquietação e acomodamento, uma história de coragem e choque, onde seus personagens principais são levados a agir pela situação e descobrem mais do que buracos na aparente máscara de perfeição.

As revelações foram dosadas com cuidado, e o ritmo ajudou a manter o leitor preso até o final. A sociedade que Howey criou é uma mistura única, e assim como toda sociedade socialista é uma ditadura disfarçada, com o verdadeiro poder nas mãos de poucos. O que nos leva a característica mais marcante do universo apresentado pelo autor: o comportamento da sociedade como um todo. As pessoas agem como um gado com ilusão de liberdade e controle. O cidadão comum, com emprego, família e uma vida estável age como se fosse dono de sua vida, felizes com a situação do Silo e o modo como Howey leva isso ao leitor é brilhante. Poucos sabem que a fachada de perfeição esconde algo podre e à medida que a história avança, conhecendo o passado e o que levou ao Silo ficamos ainda mais surpresos com a capacidade do ser humano de se colocar no controle das coisas.

Juliette é uma boa protagonista, mais velha do que o de costume em livros do gênero, inteligente e dona de uma força que funciona em todos os sentidos, ela não buscou ou se rebelou para se ver naquela situação. Juliette foi levada pelos acontecimentos e sempre do lado que é certo acaba no centro das mudanças. Por isso digo que a trama de Silo é sobre conhecimento, sobre informação e o que fazemos com ela, como lidamos com o que descobrimos. O fim abre possibilidades, mas também deixa claro que até mesmo os que desejam a verdade podem se corromper.

Leitura rápida, instigante, de ambientação imersiva e criativa. Hugh Howey conquista o leitor na primeira parte e nos mantém conectados a sua história de forma imperceptível pela força de seus personagens e pela força de um universo pós-apocalíptico permeado por temas humanos. Jogos políticos, intrigas, traições e segredos alternam com segredos e manipulação no foco dessa excepcional história. A edição da Intrínseca está ótima, fonte agradável, tradução cuidadosa e capa bem adaptada. Os direitos da adaptação da trilogia foram comprados pela Fox e mal posso esperar para ver um cenário tão rico e uma trama tão interessante ganhar vida. Recomendado a todos que procuram um futurista maduro, com temas bem desenvolvidos, ótimos personagens e narrativa instigante. Leiam e se surpreendam pela perspicácia e audácia do mundo de Silo! Até mais!

Silo - Hugh Howey
1- Silo
2- Shift
3- Sand

10/03/2014

Resenha - Recomeço


Nome: Recomeço
No Original: Revived
Autor (a): Cat Patrick
Tradutor (a): Rachel Agavino
Páginas: 304
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Tudo começou com um acidente de ônibus. Daisy Appleby era pequena demais para lembrar — tem apenas flashes do acidente que a matou e de ter sido trazida de volta à vida. A partir daquele momento, ela se tornou uma das catorze crianças que fazem parte de um programa secreto do governo que visa aprovar um novo medicamento: o Recomeço. Dez anos depois, Daisy, agora com quinze, já morreu outras quatro vezes. A cada morte ela recebe um novo sobrenome, vai para uma nova cidade e ganha uma nova história. A única constante em sua vida é a própria inconstância. É ao chegar à cidade de Omaha - então com a identidade de Daisy West - que ela conhece Matt e Audrey, seus primeiros amigos de verdade. Enquanto tenta criar raízes em mais um lar, ela começa a descobrir segredos sobre o programa Recomeço, e, quanto mais informações vêm à tona, mais Daisy percebe que não passa de um peão em um jogo sinistro, que pode revelar que seu mundo - e tudo no ela que acredita - é uma grande mentira. 

Desde que li o primeiro livro da autora lançado por aqui estava torcendo para que a Intrínseca continuasse a lançar outros livros da autora Cat Patrick. Numa mistura comum nos dias de hoje, a autora lança livros avulsos que passeiam com naturalidade entre o jovem adulto e a ficção-científica. Fugindo de adentrar no lucrativo mundo das trilogias e séries, Patrick mais uma vez surpreende o leitor com uma história leve, com bons personagens e uma trama inovadora. Conheçam Recomeço.

Daisy acaba de morrer. Não era para ter acontecido de novo, mas por causa de um esquecimento Daisy Appleby acaba de se tornar Daisy West. Abelhas mais uma vez. Daisy está acostumada a se mudar e a não ter laços, por isso a muda para Omaha é apenas mais uma. Ou assim ela pensava até conhecer em seu primeiro dia de aula, Audrey. Audrey tem gostos parecidos com o dela e é muito simpática. Decida a não ser a garota que se mistura, mas com medo Daisy reluta em se aproximar, mas acaba conquistada pela luz de Audrey e pelo seu jeito, assim como pelo seu irmão, Matt. Daisy está feliz com sua nova vida quando num passeio no shopping ela reconhece Nora, uma garota que estudou com ela na sua vida anterior. Assustada, Daisy conta tudo a Mason, o agente com quem vive e que se passa por seu pai, sem saber que isso mudaria tudo. Quando Daisy descobre o segredo de Audrey, arrasada acaba contando tudo a Matt e decide saber mais sobre as outras crianças que estava no ônibus que deu início ao programa Recomeço. Mas ao contrário do que esperava o programa parece ter mais casos do que ela pensava e com propósitos bem diferentes do que ela imaginou...

É a partir dessa premissa que Cat Patrick construiu sua história, acompanhando o ponto de vista de Daisy o leitor é levado através de uma trama jovem adulto com toques de ficção-científica, que se desenrola em torno de como a vida de uma pessoa pode ser alterada e manipulada por segredos. A narrativa de Patrick continua fluida e gostosa de acompanhar, bastante leve e despreocupada a autora encaixa o crescimento da personagem em meio ao desenvolvimento em torno do projeto de forma a focar nas mudanças na vida de Daisy. Isso pode não agradar quem esperava um foco maior na ficção-científica, mas acaba funcionando muito bem para quem espera um jovem adulto leve, com bons personagens e uma história criativa.

Daisy tem seus altos e baixos durante a narração, por horas me senti cativada por ela e por seus problemas, mas em algumas pequenas passagens desejei que ela fosse mais sensata ou esperta. Se por um lado eu esperava que Patrick investisse mais no programa Recomeço e nos seus segredos por outro gostei muito do tom da história e do desenvolvimento das relações de Daisy. Foi muito bom acompanhar uma garota que cresceu se isolando do mundo e vivendo uma vida de faz de contas entrando no mundo, conhecendo novas pessoas e experimentando. A história criada por Patrick é mais sobre sair de sua zona de conforto do que sobre projetos secretos, e ela soube equilibrar bem para conseguir um fim com ação, tensão e uma boa conclusão para Daisy.

A leitura é rápida e agradável, nos instiga de forma natural e surpreende pelo tom e pelos temas. Cat Patrick mais uma vez conseguiu uma história criativa, inovadora e com personagens que cativam. A edição da Intrínseca está ótima, desde a fonte até a capa escolhida para casar com o outro da autora e também tradução cuidadosa. A história do programa e de Daisy renderia um filme bastante diferente se adaptado fielmente. Ficaria ótimo. Recomendado a todos que procuram um jovem adulto diferente, com um tema inovador por trás dos personagens e uma narrativa bem gostosa, com romance, segredos e traições. Leiam! Até mais!

04/02/2014

Resenha - Círculo


Nome: Círculo
No Original: Cirkeln
Autor (a): Mats Strandberg, Sara B. Elfgren
Tradutor (a): Érico Assis
Páginas: 416
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Minoo, Vanessa, Linnéa, Rebecka, Anna-Karin e Ida frequentam o mesmo colégio na cidadezinha sueca de Engelsfors. Elas não são amigas, mas, quando uma lua vermelho-sangue surge no céu, as seis são atraídas por uma força misteriosa até um parque de diversões abandonado. Lá descobrem que são as Escolhidas, um grupo de bruxas ligadas por uma profecia, e que uma força terrível foi libertada. Quando a pequena cidade se torna palco de uma série de suicídios de alunos, elas precisam se unir e aprender a usar suas habilidades mágicas recém-adquiridas — e ao mesmo tempo lidar com os problemas da adolescência, como pais ausentes, distúrbios alimentares, abuso de drogas e a descoberta de quem realmente são.

Faz bastante tempo que conheci a trilogia da dupla de autores suecos no Goodreads, mas somente ano passado soube que a Intrínseca lançaria por aqui e desde então estava aguardando ansiosa visto que adoro ler livros que fogem das nacionalidades comuns, principalmente os vindo do norte europeu. Mats Strandberg e Sara Elfgren apresentam ao leitor um universo intrigante e marcado por personagens interessantes.

A história tem início na pequena cidade de Engelfors onde seis garotas completamente diferentes e que frequentam a mesma escola têm a vida alterada quando uma lua vermelha surge no céu. Sem saber porque todas as garotas são impelidas para o parque da cidade. Elas ainda estão chocadas com o recente suicídio de Elias. Minoo que o encontrou no banheiro e ainda não tirou a imagem da cabeça. No parque elas estão confusas quando Nicolau, o zelador da escola surge contando a elas o que a lua significa. Porém ele não consegue se lembrar quem é e o que deve fazer para proteger as garotas. A profecia não fala em sete escolhidos e sim em um. Alguma coisa apagou sua memória e as garotas que mal se conhecem se veem obrigadas a conviver. Após o encontro no parque as garotas começam a desenvolver poderes. Rebecka pode mover as coisas com a mente. Anna Karin pode forçar as pessoas fazer o que quiser, Vanessa pode ficar invisível, Ida é um condutor do passado e apenas Minoo não desenvolveu nenhum pode ainda. Nicolau avisa para elas não confiarem em ninguém, Elias era um escolhido e foi assassinado. Uma delas é a próxima e sem conseguir conviver as seis garotas vão ser caçadas e jogadas em uma trama de mentiras, traições e surpresas. Por que elas são as escolhidas? Escolhidas para que? Quem está arriscando tudo para matá-las?

É a partir dessa premissa que a história se desenvolve e a despeito da primeira impressão a trama não é clichê. Um colégio e seis garotas escolhidas pode soar comum a princípio, mas à medida que os autores vão apresentando a trama e seus meandros nos vemos surpresos diante de um quadro mais complexo e intrigante do que o pressuposto. A narração é dividida entre as garotas o que torna o ritmo mais fluido, sendo a troca entre uma e outra bastante natural, funcionando muitas vezes em favor do desenvolvimento da trama, nunca parada sempre com novos elementos se encaixando. A ambientação é vívida, e com descrições bem colocadas, que passam com precisão o clima de cidade pequena sombria e misteriosa.

Das seis personagens Minoo é a mais interessante. Não se encaixando nem entre os populares e nem entre os excluídos, Minoo tem uma visão clara sobre si mesmo e à medida que a história avançou ela se mostra a mais interessada nos porquês da situação que vive. A amizade dela com Rebecka foi um dos pontos altos da história assim como a reviravolta próximo ao fim que deixa perguntas interessantes para o próximo volume. Já Anna Karin é a mais irritante. Passou a vida inteira sofrendo bullying e ao invés de aproveitar a descoberta dos poderes para crescer e ganhar autoestima acaba manipulando a situação de forma impossível e tola. Os personagens secundários também se mostram fortes, enriquecendo a trama e levantando perguntas que movem a trama. O fim amarra todas as pontas com harmonia, com acontecimentos que surpreende com revelações imprevisíveis.

Leitura rápida e agradável. No geral a trama que Strandberg e Elfgren apresentaram nesse primeiro volume é intrigante, com mais nuances do que se pode prever e um universo com toques de mitologia nórdica que promete muitas surpresas. A edição da Intrínseca está ótima, fonte agradável e capa mantida do original sueco. O livro já está em processo de adaptação e se for benfeita ficará ótimo, tanto pelo clima como pela trama. Recomendado a todos que procuram uma trilogia jovem adulto diferente, que inova com elementos conhecidos e surpreende com um universo intrigante e criativo. Clima sombrio, mistérios, segredos, traições e personagens fortes. A trama que envolve as seis garotas vai surpreender o leitor. Leiam! Até mais!

Engelfors - Mats Strandberg & Sara B. Elfgren
1- Círculo
2- Eld
3- Nyckeln

03/02/2014

Resenha - A Queda dos Cinco


Nome: A Queda dos Cinco
No Original: The Fall Of Five
Autor (a): Pittacus Lore
Tradutor (a): Joana Faro
Páginas: 288
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: John Smith, o Número Quatro, achou que tudo seria diferente quando os lorienos se juntassem. Eles parariam de fugir. Lutariam contra os mogadorianos. E venceriam. Mas Quatro estava errado. Depois de enfrentarem Setrákus Ra e quase serem dizimados, os membros da Garde reconhecem que estão despreparados e em minoria. Escondidos na cobertura de Nove, em Chicago, eles planejam os próximos passos. Os seis são poderosos, porém não são fortes o suficiente para vencer um exército inteiro, mesmo com a ajuda de um antigo aliado. Para derrotar os mogadorianos, cada um deles precisará dominar seus Legados e aprender a trabalhar em equipe. O futuro incerto faz com que eles busquem a verdade sobre os Anciões e seu plano para os nove lorienos escolhidos. O tempo está se esgotando, e quando a Garde recebe uma mensagem do Número Cinco - um símbolo lórico em uma plantação - a única certeza dos sobreviventes é que é preciso encontrar Cinco antes que seja tarde demais. A Garde pode ter perdido batalhas, mas não perderá a guerra.

Comecei a acompanhar a série meses após o lançamento do primeiro livro com certa relutância. Já havia esperando tanto tempo pela capa normal que estava desanimada, mas depois de ler o terceiro livro acabei conquistada pelo desenrolar da história e minhas expectativas para o quarto volume eram altas. Pittacus Lore leva o leitor ao ponto crítico da trama que consegue surpreender enquanto se encaminha para o derradeiro final. Muita ação, segredos revelados e traições.

John estava de volta a cobertura de Nove em Chicago com todo o grupo. Pela primeira vez reunidos, John, Seis, Marina, Oito, Ella e Nove, não sabem o que fazer. A batalha contra Setrákus Ra mostrou que estão ridiculamente despreparados para agir e que se não começarem a treinar seus legados com afinco tudo estará perdido. Todos contam com John para encontrar respostas, mas ele não sabe o que fazer. Ir atrás dos mogadorianos é loucura, mas Nove não vai aguentar ficar parado e ir atrás do Cinco também é uma questão difícil, afinal eles não sabem nada sobre o Cinco, nem mesmo se ele é confiável. Passando o tempo se recuperando o grupo mal acredita quando surge no noticiário a imagem de um símbolo em uma plantação, um que conhecem bem, o símbolo lorieno do Cinco. John, Seis e Sarah partem para encontrá-lo e a situação não sai como o esperado. De volta a cobertura trazendo também Sam e o pai dele, John precisa lidar com o Cinco, um garoto estranho, com tiradas de duplo sentido que coloca um clima de tensão no ar. Com a ajuda de Sam e de seu pai, o grupo começa a treinar enquanto tentam entender o Cinco, porém quando os pesadelos de Ella pioram e surpreendem John de forma assustadora, o grupo precisa enfrentar uma situação inesperada. Traições, mentiras e revelações chocantes vão abalar a Garde e transformar mais uma vez tudo o que John conhece e ama.

É a partir dessa premissa que a trama se desenvolve, dando sequência pouco após os acontecimentos do livro anterior Lore avança a história trazendo pela primeira vez todo o grupo junto em uma narrativa fluida, marcada por um ritmo mais cadenciado do que os anteriores, que investe no desenvolvimento dos personagens e da trama por trás da batalha dos lorienos com os mogadorianos. Ao invés de ação sem parar as descrições compõe um cenário conhecido, que leva o leitor através daquele clima de tensão e sufoco que sempre precede grandes choques e batalhas. Chegando a um ponto crítico da história o autor surpreende o leitor não com uma grande virada, mas com vários detalhes, elementos e surpresas na trama.

Ao trazer tantos personagens para o quadro central o autor arriscou, mas acertou ao equilibrar apenas alguns pontos narrativos. Dessa vez temos John na maior parte da narração, com alternância entre Sam e Marina. Cada parte é importante para equilibrar o momento que a trama se encontra. De um lado John luta para fazer o que é certo para o grupo e agradar a todos em suas decisões, de outro Marina lida com os pesadelos de Ella e fechando temos o lado humano da história com Sam, que por ver de fora a situação dos gardes consegue entender melhor. O amadurecimento e as novas facetas dos personagens também marcam a trama. Outro ponto que merece destaque é que o autor finalmente traz Adam, o mogadoriano que aparece nos contos, para a trama e com papel importante pelo que fica no final. Final esse que foi explosivo, com reviravoltas drásticas e de cortar o coração. O ponto de virada e o ponto final chegou e de forma violenta Pittacus Lore dá início ao fim. Ação, choque, surpresas e tensão marcam o final deste quarto livro.

Leitura rápida e que mesmo com menos ação no começo é instigante do princípio ao fim. Pittacus Lore mostra que sua série tem mais força do que o imaginado, criativa e inovadora o autor procura a cada desdobramento da trama apresentar novos elementos e nuances para seu universo, mostrando-se um autor perspicaz e inteligente. A edição da Intrínseca está ótima, capa bem adaptada, fontes agradáveis e tradução fluida. Adoraria ter visto a série adaptada com fidelidade para os cinemas, principalmente porque a história cresce para uma ficção-científica fantástica a cada novo livro. Recomendado a todos, desde os que querem conhecer o gênero até aqueles que procuram algo diferente, universo rico, com mistérios intrigantes e reviravoltas chocantes. Leiam e se surpreendam com a série! Até mais!

Os Legados de Lorien - Pittacus Lore
1- Eu Sou O Número Quatro
2- O Poder dos Seis
3- A Ascensão dos Nove
4- A Queda dos Cinco
5- Sem Título Ainda

08/01/2014

Resenha - Dias de Sangue e Estrelas


Nome: Dias de Sangue e Estrelas
No Original: Days Of Blood and Starlight
Autor (a): Laini Taylor
Tradutor (a): Viviane Diniz
Páginas: 448
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Karou, uma estudante de artes plásticas e aprendiz de um monstro, por fim encontrou as respostas que sempre buscou. Agora ela sabe quem é — e o que é. Mas, com isso, também descobriu algo que, se fosse possível, ela faria de tudo para mudar: tempos atrás Karou se apaixonou pelo inimigo, que a traiu, e por sua culpa o mundo inteiro foi punido. Na deslumbrante sequência de Feita de Fumaça e Osso, ela terá que decidir até onde está disposta a ir para vingar seu povo. Dias de Sangue e Estrelas mostra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra ancestral. Enquanto os quimeras, com a ajuda da garota de cabelo azul, criam um exército de monstros em uma terra distante e desértica, Akiva trava outro tipo de batalha: uma batalha por redenção... por esperança. Mas restará alguma esperança no mundo destruído pelos dois?

Quando li o primeiro livro da trilogia criada por Laini Taylor há pouco mais de um ano não sabia o que esperar. Era um livro que havia sido muito bem comentado lá fora, mas que na época não sabia que tipo de mitologia envolvia. E logo no começo fui surpreendida não apenas pelo universo como pela escrita, pelo tom de Laini Taylor. Foi uma mistura brilhante escrita e universo, diferente e bem construído, por isso as expectativas para esse segundo eram imensas assim como receio de que o livro ficasse aquém do primeiro, mas Laini Taylor conseguiu uma história tão equilibrada quanto.

A história segue os acontecimentos finais do primeiro livro pouco tempo depois. O mundo está em polvorosa com a cena que as câmeras de segurança transmitiram. Karou lutando com anjos. A mídia não deixa a melhor amiga dela em paz, quem saber onde Karou está, quem é ela, mas Zuzana não sabe. Enquanto isso em Eretz, Akiva tenta lidar com a culpa corrosiva e o medo que ameaçam tomar conta de seu ser. Voltar para aquele mundo e encarar suas ações é terrível, só não é pior do que o medo de Karou estar morta. Seus irmãos os aceitam sem comentários, mas à medida que seu grupo é enviado para caçar quimeras fugitivas e os misteriosos rebeldes que parecem surgidos do nada Akiva sofre ainda mais. Abomina o apelido de Ruínas das Feras que lhe atribuíram, abomina suas ações no passado quando pensou ter perdido Karou, e teme ter esperanças. Mas Liraz e Hazael começam a mudar, e Akiva se pergunta se os Ilegítimos também pensam diferente sobre sua realidade. Quando mortes suspeitas e massacre de serafins começa a acontecer Akiva teme o pior. Um grupo de rebeldes fantasmas ataca sem dó, os comandantes estão histéricos, teria os quimeras um novo Ressurreicionista? No deserto árido Karou trabalha dia e noite. Após voltar a Eretz a primeira pessoa que encontrou foi o Lobo Branco, o filho do comandante morto e o mesmo que culpou por tudo, que a executou. Carregando uma culpa que não é sua Karou trabalha dia e noite trazendo os quimeras de volta, mas à medida que o tempo passa suas ações pesam. Está fazendo a coisa certa? Como a paz seria feita de guerra?

É a partir dessa premissa que a autora desenvolve esse segundo livro e de forma tão magnífica quanto Laini Taylor segue sua história com a mesma escrita fluida, intrigante e profunda. Ganhando mais pontos de vista a trama alterna o ritmo para apresentar com mais detalhes o resultado da guerra entre os serafins e as quimeras. E ao dar espaço para outras vozes narrativas além dos protagonistas Taylor enriqueceu a narrativa. Por mais que alguns momentos essa mudança de foco tenha deixado o leitor mais ansioso funcionou muito bem, mostrando que seu universo é uma fantasia mais madura, com uma guerra antiga, e que como toda guerra traz perdas irreparáveis, perdas que na narrativa começa a pesar não só para os quimeras conquistados, mas para os soldados, não é mais só Akiva que se pergunta se derramar sangue é a melhor maneira de fazer paz.

As partes destinadas a Akiva e Karou foram ótimas e as melhores da história, mas Zuzana também chamou atenção trazendo alguma leveza para a história. A autora foi perspicaz ao colocar a dupla de amigos de Karou no meio de tudo, suas partes ajudaram a não deixar o livro todo sombrio. A visão dos amigos faz Karou mudar, ainda que pouco para perdoar o que Akiva fez com sua família, mas o suficiente para ver que precisa repensar suas escolhas. A ambientação é marcada por descrições pontuais, um cenário vívido e criativo, que mais uma vez surpreende por ser diferente e inovador. A medida que os capítulos avançam a trama ganha ritmo e o desfecho deixa o leitor com o fôlego preso. Emocionante e com mudanças drásticas o fim deixa no ar expectativas altas e a pergunta: como a autora vai encerrar a história da trilogia? Ansiedade é pouco.

Leitura rápida, instigante, com uma trama que cresce e um universo inovador, muito rico e que surpreende por ser um sobrenatural diferente, uma fantasia moderna que apresenta um cenário totalmente inesperado pelo leitor. E aliado a isso tudo a escrita fabulosa da autora, muito marcante e com um tom único. A edição da Intrínseca está ótima, fonte agradável com um bom espaçamento, capa muito bem adaptada e tradução fluida. A história e o universo da trilogia ficariam perfeitos se adaptado fielmente, tanto pelo universo original e elementos, como pela trama e pelos personagens. Recomendado a todos que procuram uma história diferente, sombria e madura que agradará a todos as idades. Guerra, mentiras, traições, romance, personagens ótimos e um mundo muito surpreendente. Leiam! Até mais!

Feita de Fumaça e Osso - Laini Taylor
1- Feita de Fumaça e Osso
2- Dias de Sangue e Estrelas
3- Dreams Of Gods and Monsters

02/12/2013

Resenha - A Caçada


Nome: A Caçada
No Original: The Hunt
Autor (a): Andrew Fukuda
Tradutor (a): Regiane Winarski
Páginas: 288
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Gene é diferente dos outros. Ele não tem a força e agilidade de seus colegas da escola, é imune à luz do sol e não sente uma sede insaciável por sangue. Gene é um “eper”, um dos últimos humanos do planeta, e vive disfarçado no meio das pessoas normais. Ele usa presas falsas, raspa todos os pelos do corpo, faz o possível para esconder seu cheiro e jamais abandona sua máscara. Sabe que não deve chamar a atenção em um mundo em que um pequeno deslize pode ser fatal. Mesmo vivendo sozinho há anos, Gene ainda escuta as palavras de advertência de seu pai: Não faça amigos; não pegue no sono durante a aula; não pigarreie; não gabarite as provas, embora sejam um insulto à sua inteligência. Não durma na casa de colegas; não cantarole nem assobie. E ainda: Nunca esqueça quem você é. Ele leva sua vida de acordo com essas regras, determinado a sobreviver. Mas a frágil segurança de Gene é ameaçada por uma terrível surpresa: a Caçada Eper.

Desde que conheci o livro no Goodreads fiquei bastante em dúvida sobre a premissa. Afinal como conseguiram a faceta de eliminar todos os seres humanos da face da Terra, e por isso mesmo quando soube que a Intrínseca lançaria fiquei contando os dias para ver o livro na lista de lançamentos. A premissa de Andrew Fukuda é notável e a forma como ele desenvolve uma mitologia toda nova em torno do que conhecemos como vampiros é fascinante. Conheçam A Caçada.

A história começa nos apresentando o protagonista, de sua preparação exaustiva até suas suposições sobre ser ou não o último, eper, ser humano existente. Ele não se lembra do nome que recebeu. Seu pai, que lhe ensinou tudo, e martelou até tudo se tornar um hábito. Não sorria, não encha os olhos d'água, não faça qualquer coisa que provoque o suor, não deixe nenhum pelo crescer, não durma em sala de aula, não se destaque, sente na frente para não espremer os olhos tentando enxergar, corte as unhas todos os dias, passe manteiga na pele para disfarçar o odor, polir as presas falsas todos os dias e assim por diante. É assim que ele vem sobrevivendo sozinho desde que o pai sumiu. É uma rotina exaustiva e algumas vezes ele quase foi descoberto. Tenta ficar longe dos cavalos porque eles denunciam seu cheiro. Pratica natação porque é o único esporte que não denuncia o suor excessivo. Senta na primeira carteira para enxergar na luz cinzenta, quase negra da sala de aula. Durante os dias, às vezes ele se permite sair, enquanto os outros dormem. Os outros não são vampiros, eles são as pessoas normais e os humanos são os epers, a raça inferior em extinção. O pai disse para ele nunca se esquecer, ele não é eper, ele é humano. Quando a notícia de uma nova caçada eper chega ao colégio todos ficam alvoroçados, coçando os pulsos feitos loucos e babando descontrolados. Ele faz seu melhor para soar igual, mas em seu íntimo fica desesperado. Quando seus números são sorteados, ele não tem tempo de buscar seus equipamentos. Sabe que começará a cheirar mal e se a caçada acontecer será descoberto no mesmo instante. Mas no centro de pesquisas eper, ele descobrirá mais do que o próprio nome e pela primeira vez as coisas sairão do controle. Ele se chama Gene e não está sozinho.

É a partir dessa premissa que o autor construiu sua história. Recriando uma das mitologias que mais fez sucesso nos últimos. Vampiros como nunca vistos antes. Eles são a raça dominante, não se chamam de vampiros, e são sanguinolentos. Mesmo a menção sobre um ser humano causa alvoroço e descontrole. Rasgam suas vítimas vivas e comem tudo. Saem à noite, e como acreditam que os humanos, chamados de epers estão em extinção comem carne crua.

A narrativa em primeira pessoa é tensa e cativa o leitor desde o começo, através da voz de Gene vivemos suas tensões e medo. As descrições são precisas e bem colocadas, a ambientação é viva e funciona de forma fantástica em favor da trama. Fukuda faz mais do que apresentar seu universo, ele constrói uma trama cheia de nuances e camadas. A sensação de nunca saber o que virá é um dos pontos marcantes da história. A história se passa toda antes a caçada em si, e esse é outro ponto que o autor acertou. O desenrolar é em um ritmo fluido, mas que transpassa com riqueza os sentimentos do protagonista, e o clima do ambiente. E ao marcar isso na trama a história ganha e muito.

Assim como Gene o leitor fica na dúvida, será que existem outros humanos em volta de Gene? Apenas se passando por "pessoas" comuns? É um tanto sombrio os sentimentos que passam por Gene e o encontro dele com outros epers, outros humanos foi no tom perfeito. Foi estranho e assustador ver Gene admirado com uma expressão facial ou um sorriso. O autor foi perspicaz e inteligente em suas escolhas, não esquecendo de nenhum detalhe. Desde o menor hábito humano até a coisa mais comum de nossas vidas, tudo foi usado em favor da trama e de forma brilhante. O fim é o ápice de tensão, com um ritmo frenético a história se encerra com uma mudança e evolução, deixando no ar perguntas interessantes, e principalmente dúvidas curiosas.

Leitura rápida, com um ritmo instigante e um universo brilhante. Partindo de uma mitologia conhecida Andrew Fukuda construiu uma história inovadora e fascinante. Uma história pulsante, repleta de tensão com um tom diferente e um protagonista sozinho em um ambiente hostil. A edição da Intrínseca está ótima, com uma fonte boa e capa muito bem adaptada. A tradução é fluida e cuidadosa. A história sem dúvida renderia um filme interessante, não só pela estranheza da mitologia, que é ao mesmo tempo rica e inovadora, mas também pelo tom da trama e pelo protagonista. Recomendado a todos que procuram uma história diferente, com uma mitologia brilhantemente reconstruída. Sombrio, tenso e emocionante na medida certa. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Trilogia Hunt - Andrew Fukuda
1- A Caçada
2- The Prey
3- The Trap