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13/01/2015

Resenha - O Presente do Meu Grande Amor


Nome: O Presente do Meu Grande Amor
No Original: My True Love Gave To Me
Autor (a): Vários
Tradutor (a): Cássia Zanon, Rachel Agavino, Regiane Winarski
Páginas: 368
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve — presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite —, vai se apaixonar por O' presente do meu grande amor'. Nas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa que você comemore o Natal, o ano-novo, o Chanucá ou o solstício de inverno.

O problema de se publicar três resenhas de antologias uma atrás da outra é ter de usar a mesma frase em todas, mas o que posso fazer se eu amo contos? Sim, vou repetir, eu amo contos e vejo tão poucos por aqui que quando são lançados mal posso me conter de felicidades. Com o livro organizado pela autora Stephanie Perkins não foi diferente, ainda mais que eram histórias de final de ano, não apenas natal, mas os feriados de fim de ano e como nunca vai nevar em Minas Gerais me contento com ler livros onde o natal é geladinho e a passagem de ano aconchegante ao invés de quente e melada de suor. Conheçam O Presente do Meu Grande Amor, uma bela antologia, recheada de grandes autores e histórias improváveis, tímidas, atiradas e deliciosas.

A surpresa da Intrínseca ao trazer o livro já nesse final de ano merece ser comentada, afinal nada melhor do que ver a atenção de uma editora com nós, leitores. Abrindo a antologia temos o conto da aclamada autora Rainbow Rowell, em seu "Meias-Noites" o leitor é surpreendido com uma história de amor que atravessa diversos anos-novos e que deixa o leitor angustiado. O segundo conto é da autora Kelly Link e nos encantamos com o mistério e o charme de seu "A Dama e A Raposa",  e ele se tornou um dos meus favoritos, talvez o segundo favorito, o mistério e a impossibilidade o tornaram único. Seguido pelo mais contundente, mas não menos amoroso "Anjos na Neve" do autor Matt de La Peña e pelo mágico "Encontre-me na Estrela do Norte" onde uma menina acaba adotada quando bebê pelo Papai Noel, da autora Jenny Han e chegamos a um dos meus preferidos, empatado em terceiro, "É Um Milagre de Yule, Charlie Brown", da autora e organizadora da antologia Stephanie Perkins, seu conto é simples, tocante e consegue ser sinceramente realista, não sei se o que mais gostei foi a personalidade de seus protagonistas ou se pelo modo como tudo acontece, só sei que a história do garoto que vende árvores de natal com a família e da garota cuja mãe é vegana e sonha em trabalhar com animação me conquistou e fez meu dia. Fechando a primeira metade dos contos temos o bonitinho "Papai Noel Por Um Dia" do sempre sincero David Levithan, uma história simples e tocante do que fazemos por amor para manter um sonho vivo.

O sétimo conto é um dos mais diferentes e só podia ser da autora Holly Black, a autora vai buscar na mitologia nórdica, germânica a figura antagonista a do Papai Noel em um conto criativo, que traz magia, desejos e punições como não podia deixar de ser sob o título de "Krampuslauf". Para quem não entendeu, na cultura de países como a Alemanha e Áustria até os dias de hoje a figura do Krampus aparece em paradas natalinas, ele já foi proibido, mas retornou desde o começo do século, o Krampus é um acompanhante de São Nicolau, ou Papai Noel, e ele pune as crianças que se comportaram mal, colocando brasas de carvão em suas meias. A autora foi bem criativa em seu conto e adorei encontrar uma figura diferente. Seguindo temos o diferente "O Que Diabo Você Fez", Sophie Roth?", de Gayle Forman, autora queridinha dos jovens que traz a história de um encontro improvável e atrapalhado que vai de Ned Flanders a suéteres de renas. Gostei muito da história pelo toque de improbabilidade que mostra como as vezes o destino dá um empurrão nas coisas mesmo de seu modo torto de fazer tudo. Em “Baldes de Cerveja e Menino Jesus", de Myra McEntire encontramos mais um encontro mal arranjado do destino e que muda tudo, seguido pelo meu terceiro conto favorito, "Bem-Vindo a Christmas, Califórnia", da autora Kiersten White, uma história doce de esperança e que faz o leitor pensar no quanto de coisa enxergamos errado e o tanto de tempo que perdemos julgando mal coisas que não são tão feias quanto pensamos. Terno e marcante, o conto é mais do que uma bela história. Chegamos ao fim com o "Estrela de Belém", de Ally Carter, um conto comum sobre fugas e encontros, sobre liberdade e amor.

E por último, meu favorito, que merece um parágrafo só para si. Parece que Stephanie Perkins simplesmente sabia que o conto de Laini Taylor se encaixa perfeitamente para ser o último da antologia. Ah a Laini Taylor, ainda morro com as histórias dela, mais um lindo conto, com todos os seus toques sombrios e belos. Sabe quando um autor chega no ponto de ter um estilo só dele? Por exemplo os leitores do Neil Gaiman sempre dizem que "ah o novo livro dele é tão Neil Gaiman", porque já é um estilo próprio, só dele, sem como descrever, e Laini Taylor, depois de sua trilogia e de alguns contos seus já está chegando nesse ponto, No conto "A Garota Que Despertou O Sonhador" a autora faz mais do que falar de natal e esperança, faz mais do que contar uma história de amor, ela faz o leitor torcer, sofrer, chorar e se apaixonar, tudo isso em apenas um conto e são poucos os autores que conseguem esse feito em apenas um conto. Se pudesse dizer uma coisa para autora diria para ela lançar antologias só dela, aposto que seriam tão brilhantes e tão Laini Taylor quanto as do Gaiman são Gaiman. Amei seu conto e me lembrarei dele por muito tempo para não dizer para sempre e soar clichê.

Leitura deliciosa, sou suspeita quando o assunto é conto, mas amei o livro, não tem um conto fraco, todos eles têm algo que os faz distinguível, mesmo o que menos gostei. A edição da Intrínseca está ótima, com ótima tradução e adorei que mantiveram a capa. Os casais formados nos contos aparecem na capa e é um toque bem legal e o kit que a editora enviou junto do livro foi um presente muito atencioso da editora nesse natal que passou. Enfim, recomendo o livro a todos que procuram uma leitura deliciosa e que consegue marcar, alguns contos mais do que outros, mas vale a pena só pelo conto da Laini e claro do seu autor favorito. Tem conto que fará você rir, e que fará você chorar, tem conto que emociona e que diverte, tem conto que faz você pensar e até torcer. Leiam, se encantem, se surpreendam e se emocionem! Até mais!

29/01/2013

Resenha - Lola e O Garoto da Casa Ao Lado


Nome: Lola e O Garoto da Casa Ao Lado
No Original: Lola and The Boy Next Door
Autor (a): Stephanie Perkins
Tradutor (a): Robson Falchetti Peixoto
Páginas: 288
Editora: Novo Conceito
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: A designer-revelação Lola Nolan não acredita em moda... ela acredita em trajes. Quanto mais expressiva for a roupa — mais brilhante, mais divertida, mais selvagem — melhor. Mas apesar de o estilo de Lola ser ultrajante, ela é uma filha e amiga dedicada com grandes planos para o futuro. E tudo está muito perfeito (até mesmo com seu namorado roqueiro gostoso) até os gêmeos Bell, Calliope e Cricket, voltarem ao seu bairro. Quando Cricket — um inventor habilidoso — sai da sombra de sua irmã gêmea e volta para a vida de Lola, ela finalmente precisa conciliar uma vida de sentimentos pelo garoto da porta ao lado.

Há pouco mais de um ano resolvi ler "Anna e O Beijo Francês". Na época li porque era um livro que ajudava a misturar mais os gêneros naquele começo de blog e foi com total surpresa que não só gostei da história como de vários outros detalhes. Um romance leve com personagens cativantes. Quando soube que a autora planejava mais dois livros que interligava os ambientes fiquei animada, afinal Stephanie Perkins tinha feito o que nenhum outro autor havia conseguido: conquistar-me com o puro e mais estrito romance jovem.

Dessa vez conhecemos Lola, ela está no último ano do ensino médio e tem dois pais protetores. Vive em São Francisco e namora Max, músico e mais velho do que ela. Os pais não aprovam Max, mas Lola faz o melhor que pode para tornar a situação agradável em todo café da manhã de domingo. Era mais um domingo comum quando Lola foi obrigada a levar a cachorra para passear. Sabia que os pais iriam encher Max de perguntas, mas não podia fazer nada. Não era surpresa para Lola ver a casa ao lado receber moradores. Desde que os donos se mudaram todo o tipo de pessoa já havia passado por lá. Apesar disso toda vez que Lola via um caminhão de mudanças sentia o mesmo frio na barriga. Não podia ser os Bell. Eles não voltariam nunca. Mas Lola perde o chão quando seu temor se confirma. Os Bell estão de volta. Calliope arrumou um novo treinador e Cricket entrou para a faculdade em Berkeley. Lola até tenta se convencer de que está e vai ficar tudo bem, mas velhos sentimentos e antigas mágoas retornam com força. Para piorar ela não está certa sobre Max, gosta dele, mas vendo Anna e St. Clair sabe que nem de longe seu namoro com Max é como deveria ser. Cricket está de volta, mais alto, mais bonito e com ele mudanças que vão abalar a vida de Lola.

A premissa é essa e a narrativa de Perkins segue tão harmoniosa, viva e leve quanto antes. Mais uma vez a autora investe em uma história visual, usando o ambiente e a caracterização dos personagens como pontos de apoio da trama. Lola é uma personagem singular, mas que consegue conquistar o leitor. Ela é improvável, mas não impossível. Stephanie Perkins desenvolveu uma trama sobre personalidade, auto descobrimento e escolhas. Os medos e as inseguranças de Lola e como tudo refletia no que ela mostrava as pessoas.

Lola é uma personagem visual, desde o modo como se veste até as suas ações. E isso pode não ser bem aceito por todos os leitores. A autora foi bastante corajosa, para não dizer audaz ao nos apresentar um ambiente que nem todos já tiveram contato e personagens que representam uma pequena parcela do mundo como a maioria conhece. Lola usa a roupa como forma de expressão. De perucas a maquiagens. Desde vestidos imitando o fogo a maquiagens estilo Cleópatra. Vai dizer que não é estranho? Mas aqui entra o bom senso do leitor, afinal só porque você não conhece e nem nunca viu alguém como Lola não quer dizer que não exista.

Cricket também é diferente, inventor e estudante de engenharia mecânica. Viveu a sombra da irmã gêmea, sempre seguindo a família de competição em competição. O maior problema não é a identificação o visual da protagonista e sim o modo como ela agiu, sendo injusta com coisas tão óbvias. Ouvi muitas pessoas comentarem que Lola usa figurinos bizarros e perucas para se esconder e até certo ponto concordo que Lola deixou claro em vários momentos isso, mas é complicado falar sobre isso porque a autora desenvolveu parte dessa questão e personalidade é personalidade, cada um enfrenta a vida com os recursos que têm.

Leitura rápida, que apresenta um cenário rico, um universo desconhecido de muitos. Stephanie Perkins é uma autora curiosa, que transporta parte da própria personalidade em seus livros. Seja com uma cinéfila em Paris ou uma futura designer que se expressa com as roupas a autora acertou na leveza do romance. A edição da Novo Conceito está ótima, fonte agradável e título alterado só para agradar os leitores. Recomendado a todos que curtem um bom romance e ainda aos que adoram conhecer uma parte do mundo diferente. Stephanie Perkins é uma ótima opção para quem quer começar no gênero. Leiam! Até mais!

Anna, Lola & Isla - Stephanie Perkis
1- Anna e O Beijo Francês
2- Lola e O Garoto da Casa Ao Lado
3- Isla and The Happily Ever After

03/11/2011

Resenha - Anna e o Beijo Francês


Nome: Anna e o Beijo Francês
No Original: Anna and The French Kiss
Autor (a): Stephanie Perkins
Páginas: 288
Editora: Novo Conceito
Comprar: Siciliano - Saraiva - Cultura - Fnac
Sinopse: Anna Oliphant não está nada entusiasmada com a ideia de se mudar para Paris, já que seu pai, um famoso escritor norte-americano, decidiu enviá-la para um colégio interno na Cidade Luz. Anna prefere ficar em Atlanta, onde tem um bom emprego, uma melhor amiga fiel e um namoro prestes a acontecer. Mas, ao chegar a Paris, Anna conhece Étienne St. Clair, um rapaz inteligente, charmoso e bonito. Só que Etiénne, além de tudo, tem uma namorada... Anna e Etiénne se aproximam e as coisas ficam mais complicadas. Será que um ano inteiro de desencontros em Paris terminará com o esperado beijo francês? Ou certas coisas simplesmente não estão destinadas a acontecer?

Uau. Há muito tempo não lia um livro que contasse exclusivamente uma história de amor. Todo livro tem seu romance, mas sempre embolado a outra trama e nem sempre tem tanta atenção. Anna e o Beijo Francês em suas 288 páginas contou a história de Anna, a garota que não queria morar em Paris (!) e acabou vivendo um dos melhores anos de sua vida. Não tem como não gostar da história. A não ser que você não esteja em uma fase romântica. Se for assim é melhor nem pegar o livro. Aliás, acho que foi por isso que gostei do livro. O clima do livro é muito bom.

Anna chega a Paris desejando nunca ter saído de Atlanta, mas logo de cara conhece St. Clair. Um rapaz extremamente inteligente e fofo. A amizade dos dois é algo que surge do nada, química pura, como se não precisasse de mais nada. Por muito tempo ela tenta negar o amor que está sentindo, afinal ele tem namorada. Contudo ela mesmo constata que ele passa mais tempo com ela do que a namorada. É com histórias assim que o livro transcorre. As paranoias, os medos, os sonhos, os pequenos gestos que quando estamos nos apaixonando fazem toda diferença. Os problemas de St. Clair faz Anna sofrer em sua dúvida. Apesar das crises e dúvidas em nenhum momento acreditei que eles terminariam separados. É um romance jovem. Não digo nem young adult, digo jovem mesmo, adolescente quase. Apesar que para as apaixonadas acho que não tem muita data.

Enquanto lia o livro lembrei-me de várias coisas e essa sensação foi muito boa. A autora foi feliz ao narrar os dias de Anna e as idas e vindas dela e de St. Clair em Paris. O modo como as coisas aconteceram, a forte amizade dos dois, tudo foi bem medido. A narrativa detalhada o suficiente sem exageros e os comentários dos próprios pensamentos de Anna deram um tom leve e até engraçado a certos momentos. Vale mencionar também outro ponto positivo: conhecimento da autora sobre a cidade e os diversos filme que Anna, com sua paixão por cinema, citou.

Nem preciso dizer que a leitura é rápida, leve e o tempo passa rápido. O livro é até bem grosso para suas 288 páginas. Isso se dá ao cuidado da Novo Conceito com a diagramação. O detalhe da capa foi parar na numeração, um pequeno toque que dá um ar a mais ao livro. A divisão de capítulos também foi bem pensada. Dei nota cinco pela leveza e pelo que esse livro me fez lembrar. Ah isso não tem preço. E quem quiser ganhar o livro não esqueça de participar do sorteio aqui, vai até o dia 12/11! Até mais!