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14/10/2014

Resenha - O Espelho do Tempo


Nome: O Espelho do Tempo
No Original: Obsidian Mirror
Autor (a): Catherine Fisher
Tradutor (a): Flávia Assis
Páginas: 304
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Um espelho feito da mais pura obsidiana, capaz de romper as dimensões do espaço-tempo. Seu imenso poder atravessa séculos, despertando a cobiça e a ambição de muitos homens. Quem o detém hoje é o misterioso explorador Oberon Venn, em sua isolada propriedade no interior da Inglaterra. O corajoso adolescente Jake Wilde chega à propriedade para descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai, que trabalhava com Venn em um projeto secreto — que envolve o espelho. Na busca pela verdade, ele mergulhará nos mistérios da viagem no tempo e descobrirá seus enormes riscos, inclusive o de destruir o futuro. Jake terá que enfrentar também todas as outras pessoas que cobiçam o artefato: um homem marcado por uma cicatriz no rosto, que acredita ser o dono original da peça; uma jovem cujo passado desconhecido esconde pistas sobre os terríveis perigos da viagem no tempo; e o próprio Venn, que tenta a todo custo trazer a esposa de volta à vida.

Sempre que vejo um novo livro da autora britânica Catherine Fisher saindo por aqui é certeza de uma boa leitura pela frente. Com O Espelho do Tempo, lançamento recente da Intrínseca não foi diferente. O livro abre uma nova trilogia da autora mesclando viagem no tempo, faeries e muito mais, surpreendendo e encantando o leitor como sempre acontece em seus livros. Não é por pouco que é considerada uma das melhores autoras de fantasia britânica dos últimos muitos anos. Conheçam e se encantem com o misterioso começo da trilogia Chronoptika.

Jake está certo de que o seu padrinho matou seu pai. Eles eram melhores amigos e trabalhavam em um projeto secreto havia bastante tempo quando o pai dele desapareceu, sem deixar vestígios além da palavra de Venn. Jake então passa a criar situações impossíveis que obrigam o diretor de seu novo e exclusivo colégio a mandá-lo de volta. Se Venn pensa que enviá-lo para longe resolverá o problema está muito enganado. A foto do pai na estação dias depois da data que Venn afirmou é a prova de que ele precisava. Viajando para a isolada propriedade no interior da Inglaterra ao lado de seu insistente professor Wharton. Na propriedade Jake descobre um lugar vazio, frio e com ares sombrios. Sem espelhos e pouca conversa. Sarah chegou a Wintercombe Abbey um pouco antes de Jake, fugindo de criaturas terríveis. Venn cego em seu propósito aceita Sarah na mansão em troca de sua ajuda em um experimento. O que Venn não sabe é que Sarah está ali com um propósito, com uma missão e seja lá de que tempo veio, ela sabe que não está sozinha. Criaturas estranhas cercam a casa, pessoas de confiança que se revelam, e Jake no meio de todos precisa descobrir a verdade sobre seu pai. O que o homem da cicatriz realmente está querendo? O experimento de Venn, é real ou trapaça de Sarah para poder ficar mais tempo na casa? Jake descobrirá os segredos gelados de Wintercombe Abbey a qualquer preço.

É a partir dessa premissa que Catherine Fisher mais uma vez deslumbra o leitor. Misturando de forma elegante e perspicaz elementos da fantasia, da ficção-científica e da mitologia dos faerie, a autora nos conduz em meio a uma trama emaranhada, que se revela aos poucos e de maneira intrigante. A narração é dividida entre diversos personagens, sendo Jake e Sarah as vozes centrais da narração. Ao redor do espelho negro de obsidiana todos transitam com seus interesses próprios e obsessões. Fisher como narradora habilidosa insinua e desconstrói o tempo todo, levando o leitor para uma teoria e depois nos surpreendendo com um desenrolar todo diferente.

Os personagens são todos ambíguos e curiosos, cada um com seu segredo e intenção, Jake consegue ser o mais transparente com sua busca obsessiva pela verdade do que aconteceu com seu pai. Venn é taciturno, obcecado pela esposa morta, mas ainda com traços de consciência, Wharton é uma peça que não se encaixa, fazendo as perguntas que todos deviam estar fazendo o professor começa irritando o leitor para depois surpreendê-lo. Sarah é um enigma, tem medo de algo, que ora parece uma coisa ora parece outra, para no fim ser algo ainda mais diferente. A trama ligado ao espelho é complexa e estou curiosíssima para saber mais do aparelho e principalmente de como a história chega no ponto que foi citado. Fisher é genial ao mover a trama no ritmo certo, dando o suficiente para deixar o leitor satisfeito com o final, mas ainda muito curioso e cheio de perguntas.

A leitura é rápida, envolvente e instigante. O universo criado por Catherine Fisher é único e muito criativo, misturando elementos variados a ambientação é perfeita e cheia de surpresas. As descrições são precisas e conseguimos sentir o frio e o vento gelado na pele em cada cena. A floresta então é sem palavras. Uma conversa de Venn no final da história tornou tudo ainda mais rico, o povo da floresta parece um tanto deslocado, mas Fisher foi brilhante ao deixar essa pista no final. A edição da Intrínseca está ótima, boa fonte e diagramação além de uma capa muito bem adaptada. Adoraria ver a história e o universo adaptados, além de um ótimo filme renderia um visual marcante. Recomendado a todos que procuram uma trilogia jovem diferente, rica e com trama inovadora. Ótimos personagens e um desenvolvimento impecável. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Chronoptika - Catherine Fisher
1- O Espelho do Tempo
2- The Box of Red Brocade
3- The Door In The Moon

16/07/2013

Resenha - A Cidade Sombria


Nome: A Cidade Sombria
No Original: The Dark City
Autor (a): Catherine Fisher
Tradutor (a): Bruna Hartstein
Páginas: 336
Editora: Bertrand Brasil
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: A única esperança para Anara, um mundo às portas da total devastação, reside em um mestre, seu aprendiz e nas antigas e ilegais relíquias com poderes misteriosos que eles colecionam. Ao saírem à procura de uma relíquia secreta com grande poder escondida há séculos, Raffi e Galen serão caçados, espionados e testados além dos seus limites, pois existem monstros — alguns deles humanos, outros não — que também desejam o poder desta relíquia até consegui-la.

A maioria sabe que gosto muito de fantasia, mas pouco devem saber que adoro a autora, considerada uma das maiores escritoras do gênero. Por isso foi com muita felicidade que descobri que a Bertrand lançaria o primeiro livro de uma das suas elogiadas séries. Fiquei exultante quando recebi a prova do livro no fim de semana. Catherine Fisher nos presenteia com um mundo rico que liga dois gêneros em uma trama coroada de mistérios interessantes.

A história começa nos apresentando Raffi e Galen, os dois vivem viajando, sem parados e morada fixa. No mundo de Anara já faz mais de vinte anos que o Império caiu e a Ordem foi destruída. Quando a Ordem existia os guardiões eram sábios respeitados. Galen é um Mestre das Relíquias, uma das funções da Ordem era lidar com as relíquias, objetos estranhos, de materiais e formatos desconhecidos deixados no mundo pelos Criadores. Mas desde que o Império caiu Anara virou um lugar selvagem e perigoso. Os Vigias foram criados para caçar e prender, vivo ou morto todo Guardião que encontrar. Para os Vigiais os poderes da Ordem não passavam de engodos, truques e os guardiões de mercenários fanáticos que usavam religião e ilusões para enganar o povo. Raffi se tornou aprendiz de Galen depois da queda, mas ainda ficava fascinado com cada Relíquia que encontrava e com a dimensão do que estava aprendendo. Quando o estranho cavaleiro surgiu convidando-os ao vilarejo mais próximo Raffi sabia que podia ser uma armadilha. O que encontram lá os impele em direção a Tasceron. A capital do antigo Império é imensa, está parcialmente em ruínas, os prédios da Ordem todos abandonados, queimados, submersos e ainda por cima abriga a sede dos Vigiais. Raffi sabe que é suicídio, e que Galen tem ido em direção ao perigo de propósito desde que fora ferido quando encontraram uma relíquia dez meses atrás. Mas entende Galen e a necessidade de ir em busca do Corvo. Encontrá-lo significa dar uma chance a Ordem e ao mundo de Anara de se livrar do caos instalado após a queda do Império.

Esse é o ponto de partida da fascinante história criado por Catherine Fisher. Uma história audaciosa que mescla fantasia e ficção científica. Uma mistura perspicaz e criativa que instiga o leitor desde o começo, com descrições pontuais aliadas a uma narrativa rica e fluida Fisher constrói através do desenrolar da trama o mundo e seus mistérios nos envolvendo com uma rede de detalhes que ao final deixa o vislumbre um enredo fascinante. A primeira vista é mais um mundo de magia, mas foi incrível a forma como a autora surpreende o leitor com pistas sobre a verdade por trás dos Criadores e das Relíquias.

A narrativa alternada entre terceira com primeira permite conhecermos de forma única o mundo e a autora ainda desenvolveu na medida certa a história pessoal dos personagens centrais. Raffi, Galen e Carys são ótimos personagens, com personalidade distintas e com vozes narrativas que conseguiram retratar os dois lados desse mundo. As feridas causadas pela queda do Império, as mentiras e os mistérios envolvendo a Ordem, os Vigias e principalmente os Criadores.

Não posso esquecer de citar o clima sombrio, tenso e vívido que a autora conseguiu passar durante toda a trama coroando com o emaranhado da cidade de Tasceron. Um retrato vivo de toda a história desse mundo. O passado e o presente. Outro ponto que merece destaque são os Sekoi. Uma raça que habita o mundo de Anara desde antes da chegada dos Criadores e que são a primeira pista da história por trás das Relíquias. Não quero falar muito para não estragar a leitura, mas deixo para vocês pensarem: já imaginou encontrar em algum canto do universo um mundo onde magia é real?

Leitura rápida, instigante, criativa e com um final surpreendente que coroa os mistérios da trama. As perguntas que ficam no ar são infinitas. Será que Galen está certo? Será que eles sabem a verdade ou vão descobrir? Catherine Fisher com uma premissa original construiu uma história que conquistará tanto pela proposta como pelos personagens. A autora mais uma vez marca com um conjunto harmonioso, habilmente interligando desenvolvimento de trama, mundo e personagens. A edição da Bertrand que recebi é prova, mas já adianto que o livro é lindo. Com a separação de capítulos ilustrados e frases de livros do próprio mundo. Recomendado a todos que procuram algo original e marcante. Longe de ser juvenil o universo proposto pela autora é ricamente desenvolvido e encantará leitores de qualquer idade. Ágil, misterioso e inovador. Leiam e se surpreendam! Até mais!

O Mestre das Relíquias - Catherine Fisher
1- A Cidade Sombria
2- A Herdeira Perdida
3- A Coroa Oculta
4- O Margrave

06/02/2013

Resenha - Incarceron


Nome: Incarceron
No Original: Incarceron
Autor (a): Catherine Fisher
Tradutor (a): Paula Rotta
Páginas: 352
Editora: Novo Século
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Imagine uma prisão tão grande e tão vasta, a ponto de conter corredores e florestas, cidades e mares. Imagine um prisioneiro sem memória, que acredita firmemente ter nascido no Exterior, mesmo que a prisão esteja selada há séculos e que apenas um homem, em cuja história se misturam realidade e lenda, tenha dela conseguido escapar. Agora, imagine uma garota vivendo em um palácio do século XVII movido por computadores, onde o tempo parece ter sido esquecido. Filha do Guardião, está condenada a aceitar um casamento arranjado, cujos segredos a aprisionam em uma rede de conspirações e assassinatos, da qual ela deseja desesperadamente fugir. Um está dentro. A outra, fora. Entretanto, os dois estão aprisionados. Conseguirão enfim se encontrar?

Sou apaixonada por esse livro desde muito antes de ele ser lançado no Brasil. Sabe aquela coisa de olhar para um livro e saber que você vai amar? Não só pela beleza da capa, mas pela sinopse? Incarceron é um desses casos raros onde a paixão à primeira vista é correspondida em todos os sentidos. Você é conquistado pela capa, depois pelo título e pela sinopse. Para depois descobrir que a história em si está acima da expectativa que ele causa. Catherine Fisher acertou no ponto. Universo riquíssimo, instigante, curioso e belíssimo.

A história começa nos apresentando Finn vive em Incarceron. A prisão que é um mundo. Imenso, repleto de lugares desconhecidos. Feita de ferro, aço e metal, mas que abriga pessoas, animais, grandes florestas de cobre. Cheia de alas e passagens secretas. Finn acredita que nasceu no exterior, sua memória é falha e toda vez que ela ameaça a voltar, com fleches do que parecia uma festa de aniversário ele sente náuseas e dores terríveis. Finn sobreviveu graças a Keiro, seu irmão juramentado. Gildas, o velho Sapiente acredita em Finn e acredita que as visões o levarão para fora de Incarceron, mas ninguém jamais fugiu. Exceto Sapphique, que as pessoas consideram mais lenda do que verdade. Foi durante uma emboscada que Finn conhece a Mestra, uma mulher que reconheceu a estranha tatuagem no pulso de Finn e graças ao cristal, a chave encontrada com a Mestra, Finn, Keiro e Gildas terão a chance de escapar. Fugindo e lutando pelos corredores negros de Incarceron. O que eles não imaginam é que a prisão é muito mais do que um mundo, é um ser, com sentimentos terríveis e vis, surgido inesperadamente e agora incontrolável.

Do outro lado conhecemos Claudia, a filha do Guardião de Incarceron. Claudia luta para descobrir os segredos que o pai tanto esconde e sonha em fugir para Incarceron, o "paraíso" criado há tantos anos pelos Sapientes, para abrigar e reeducar os criminosos e bandidos do reino. Em sua busca Claudia descobrirá muito mais do que sonhou, algo que pode mudar não só o seu futuro, como o Reino inteiro.

A premissa é essa e a narrativa de Catherine Fisher nos envolve desde o primeiro momento, com suas descrições precisas e uma ambientação sombria, charmosa e incrivelmente nítida. O universo criado pela autora é fascinante. Um lugar onde baniram a tecnologia e obrigaram as pessoas a viverem como no século XVIII. A história flui tão bem que quase li o livro de uma vez só. A autora desenvolveu e entrelaçou as duas partes da trama com muita habilidade. Os capítulos alternando o ponto de vista de Finn com Claudia ficou perfeito e deu ritmo a trama, mantendo a história sempre em movimento.

Os elementos criados pela autora são todos interessantíssimos. Meu sonho viver em um mundo daquele. Os cenários são todos belos e fiquei curiosíssima com o restante do mundo. Afinal apenas aquele país tinha decidido viver assim ou todo o mundo? Os personagens são outro ponto forte da história. Claudia é ótima, inteligente, perspicaz e com seu raciocínio rápido a trama estava sempre se desenvolvendo. Finn é bastante curioso. O garoto ora aparenta vontade de lembrar ora não. Suas dúvidas são muitas, mas gostei dele. Mal posso esperar para ver ele e Claudia juntos no próximo volume. O final foi surpreendente e complexo, com reviravoltas impossíveis e um desfecho tenso, que deixou uma promessa no ar.

Leitura rápida, instigante, tensa e emocionante. Seja pela triste história de Finn, seja pela fascinante Incarceron. Tantas perguntas e tantas possibilidades. O futuro de Finn não será fácil. Catherine Fisher criou uma história única e extremamente criativa, inovadora. Incarceron sem dúvidas é um cenário que renderia um filme ou uma série perfeita, não só pelo visual, mas pela história poderosa. A edição da Novo Século está ótima, fonte muito boa, marcações bonitas e tradução perfeita. Recomendado a todos. Muito mais do que uma fantasia, muito mais do que juvenil. Um conto rico, sobre sonhar, lutar, e mudar mesmo que tudo pareça impossível e imutável. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Incarceron - Catherine Fisher
1- Incarceron
2- Sapphique