Nome: A Filha do Louco
No Original: The Madman's Daughter
Autor (a): Megan Shepherd
Tradutor (a): Ivar Panazzolo Júnior
Páginas: 416
Editora: Novo Conceito
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira - e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais. De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá- la... Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências. Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.
Vez ou outra um autor atual se inspira em algum clássico para construir sua história, porém ninguém antes de Megan Shepherd se valeu do clássico da ficção-científica A Ilha do Doutor Moreau para construir sua história. Desde o lançamento estrangeiro estava ansiosa por notícias sobre a compra do livro por isso foi com ansiedade que vi a Novo Conceito adquirir o livro e com ansiedade que esperei mês a mês por ser lançamento nacional. Shepherd faz mais do que usar referências e nomes, ela cria algo fascinante que se desenvolve de forma fantástica. Conheçam A Filha do Louco.
Juliet Moreau trabalha como faxineira no hospital desde que o pai fugiu de Londres vítima de um escândalo que arruinou a reputação da família. Juliet viu a mãe sucumbir e todos os bens que restaram serem vendidos. Talvez por piedade o advogado da família a ajudou a conseguir um emprego no hospital, mas ser uma moça pobre na Londres vitoriana não é fácil. Quando num ato impulsivo Juliet rouba alguns documentos que tem certeza pertencer ao seu pai sua vida muda de novo. Ao seguir as pistas sobre os documentos Juliet encontra Montgomery, o outrora empregado da mansão Moreau é agora um belo rapaz. Magoada e irritada Juliet não pode acreditar no que Montgomery lhe conta. Seu pai está vivo. Depois da situação em que Juliet se meteu no hospital ela não tem lugar em Londres e convence Montgomery que se ele não levá-la para a tal ilha onde seu pai se encontra ela terminará trabalhando de prostituta nas ruas. O que não é de todo mentira já que estava sem opção e sem teto. A viagem é longa e exaustiva. Os animais que o navio transporta para a ilha estão irascíveis e ela estaria entediada se não fosse por Montgomery. Quando o navio está próximo da ilha os dois resgatam Edward, um náufrago, filho de coronel que estava a caminho da Austrália. A contragosto Montgomery concorda em levá-lo para a ilha. Chegando lá Juliet percebe que seu pai odiou receber um estranho na ilha, e mais ainda, que os nativos o tratam como uma espécie de Deus. Sempre trancado em seu laboratório Juliet não consegue questioná-lo sobre a verdade por trás das acusações. Quando nativos começam a aparecer mortos e os gritos vindos do laboratório se tornam impossíveis Juliet decide que está na hora de descobrir a verdade sobre o pai, a ilha e seus experimentos de uma vez por toda.
É a partir dessa premissa que a trama se desenrola e com apenas algumas exceções a narrativa flui de forma ágil, carregada pelo tom sombrio e alternando momentos visuais fortes com cenas de diálogos muito boas. Shepherd conseguiu uma história harmoniosa, que surpreende o leitor uma suas reviravoltas, nunca sendo previsível. O único momento um pouco monótono do livro foi a viagem de navio e ainda assim a autora conseguiu um pouco de ação naquela parte com as cenas finais da viagem. A ilha é um lugar sombrio e belo, com descrições bem colocadas Shepherd leva o leitor a sentir o ar úmido e sufocante da ilha, desde o calor abafado, passando por mosquitos e o silêncio sombrio. Muito boa essa ambientação.
A primeira coisa que chama atenção na história porém é a personalidade de Juliet que conquistará de a todos que procuram protagonistas fortes e resolutas. Juliet é um mistura que a vida dura moldou. Inteligente, forte, sofrida, mas que não perde os sonhos comuns e também tem um coração sombrio, capaz de coisas que assustam até ela própria. Essa característica aliada a trama funciona muito bem. Jogada no meio de uma ilha repleta de segredos a personagem nem hesita diante das escolhas difíceis que vão surgindo e o modo como seu relacionamento com Montgomery e Edward se desenvolve também foi uma prova e tanto. Com uma personagem chata essa sombra de triângulo amoroso não teria funcionado, mas funcionou. Com diálogos e cenas bem descritas a autora entrega nesse ponto o alívio para a trama sombria. Os capítulos finais foram repleto de emoções, instigante e surpreendentes. Corando a trama com um fim à altura e que deixa o leitor ansioso pelo próximo volume.
Leitura rápida, que flui de maneira natural, instigando o leitor não apenas pela trama sombria, mas pelos personagens. A escrita de Megan Shepherd é perspicaz e marcada por um tom que entende a gama de sentimentos que forma o ser humano. A autora entrega uma trama construída sob o que o ser humano tem de melhor e pior. E a ideia de usar clássicos como referência para história é brilhante. Nesse tivemos "A Ilha do Dr. Moreau" e foi perfeito, no segundo teremos "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde" e fechando a trilogia "Frankenstein". Mal posso esperar, isso enriquece as possibilidades e muito.
A edição da Novo Conceito está ótima, fonte confortável e capa belamente adaptada. Sem surpresas desagradáveis nesse quesito. Uma adaptação ficaria um sonho visto o cenário, os personagens e a forte referência com o clássico de H.G. Wells. Recomendado a todos que procuram uma trilogia jovem adulto forte, com universo único e inteligente, com ação, temas sombrios e bem desenvolvidos. Leiam e se surpreendam! Até mais!
Juliet Moreau trabalha como faxineira no hospital desde que o pai fugiu de Londres vítima de um escândalo que arruinou a reputação da família. Juliet viu a mãe sucumbir e todos os bens que restaram serem vendidos. Talvez por piedade o advogado da família a ajudou a conseguir um emprego no hospital, mas ser uma moça pobre na Londres vitoriana não é fácil. Quando num ato impulsivo Juliet rouba alguns documentos que tem certeza pertencer ao seu pai sua vida muda de novo. Ao seguir as pistas sobre os documentos Juliet encontra Montgomery, o outrora empregado da mansão Moreau é agora um belo rapaz. Magoada e irritada Juliet não pode acreditar no que Montgomery lhe conta. Seu pai está vivo. Depois da situação em que Juliet se meteu no hospital ela não tem lugar em Londres e convence Montgomery que se ele não levá-la para a tal ilha onde seu pai se encontra ela terminará trabalhando de prostituta nas ruas. O que não é de todo mentira já que estava sem opção e sem teto. A viagem é longa e exaustiva. Os animais que o navio transporta para a ilha estão irascíveis e ela estaria entediada se não fosse por Montgomery. Quando o navio está próximo da ilha os dois resgatam Edward, um náufrago, filho de coronel que estava a caminho da Austrália. A contragosto Montgomery concorda em levá-lo para a ilha. Chegando lá Juliet percebe que seu pai odiou receber um estranho na ilha, e mais ainda, que os nativos o tratam como uma espécie de Deus. Sempre trancado em seu laboratório Juliet não consegue questioná-lo sobre a verdade por trás das acusações. Quando nativos começam a aparecer mortos e os gritos vindos do laboratório se tornam impossíveis Juliet decide que está na hora de descobrir a verdade sobre o pai, a ilha e seus experimentos de uma vez por toda.
É a partir dessa premissa que a trama se desenrola e com apenas algumas exceções a narrativa flui de forma ágil, carregada pelo tom sombrio e alternando momentos visuais fortes com cenas de diálogos muito boas. Shepherd conseguiu uma história harmoniosa, que surpreende o leitor uma suas reviravoltas, nunca sendo previsível. O único momento um pouco monótono do livro foi a viagem de navio e ainda assim a autora conseguiu um pouco de ação naquela parte com as cenas finais da viagem. A ilha é um lugar sombrio e belo, com descrições bem colocadas Shepherd leva o leitor a sentir o ar úmido e sufocante da ilha, desde o calor abafado, passando por mosquitos e o silêncio sombrio. Muito boa essa ambientação.
A primeira coisa que chama atenção na história porém é a personalidade de Juliet que conquistará de a todos que procuram protagonistas fortes e resolutas. Juliet é um mistura que a vida dura moldou. Inteligente, forte, sofrida, mas que não perde os sonhos comuns e também tem um coração sombrio, capaz de coisas que assustam até ela própria. Essa característica aliada a trama funciona muito bem. Jogada no meio de uma ilha repleta de segredos a personagem nem hesita diante das escolhas difíceis que vão surgindo e o modo como seu relacionamento com Montgomery e Edward se desenvolve também foi uma prova e tanto. Com uma personagem chata essa sombra de triângulo amoroso não teria funcionado, mas funcionou. Com diálogos e cenas bem descritas a autora entrega nesse ponto o alívio para a trama sombria. Os capítulos finais foram repleto de emoções, instigante e surpreendentes. Corando a trama com um fim à altura e que deixa o leitor ansioso pelo próximo volume.
Leitura rápida, que flui de maneira natural, instigando o leitor não apenas pela trama sombria, mas pelos personagens. A escrita de Megan Shepherd é perspicaz e marcada por um tom que entende a gama de sentimentos que forma o ser humano. A autora entrega uma trama construída sob o que o ser humano tem de melhor e pior. E a ideia de usar clássicos como referência para história é brilhante. Nesse tivemos "A Ilha do Dr. Moreau" e foi perfeito, no segundo teremos "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde" e fechando a trilogia "Frankenstein". Mal posso esperar, isso enriquece as possibilidades e muito.
A edição da Novo Conceito está ótima, fonte confortável e capa belamente adaptada. Sem surpresas desagradáveis nesse quesito. Uma adaptação ficaria um sonho visto o cenário, os personagens e a forte referência com o clássico de H.G. Wells. Recomendado a todos que procuram uma trilogia jovem adulto forte, com universo único e inteligente, com ação, temas sombrios e bem desenvolvidos. Leiam e se surpreendam! Até mais!
Filha do Louco - Megan Shepherd
1- A Filha do Louco
2- Her Dark Curiosity
3- A Cold Legacy












