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03/08/2016

Resenha - Silêncio


Nome: Silêncio
Autor (a): Richelle Mead
Tradutor (a): Daniela Porto Dias
Páginas: 280
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo — todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis. O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas. Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.

Desde que li meu primeiro livro de Richelle Mead gostei de seu estilo e a autora sempre me surpreendeu com universos intricados e ricamente detalhados. Foi por isso que solicitei Silêncio, mas não imaginava que a história seria tão tocante e belamente inspirada numas das culturas mais antigas do mundo. Mead mais uma vez surpreende e encantada. Conheçam.

Fei mais uma vez teve de corrigir o trabalho da irmã, Zhang. Ela está cada vez mais próxima de ficar cega e já não consegue retratar tudo o que vê. Como aprendizes do Paço do Pavão as duas irmãs ao lado dos demais aprendizes relatam tudo o que observam no vilarejo em suas pinturas. É a memória pintada de seu povo. O vilarejo no topo da montanha é dividido em camadas, dos mineradores aos anciões, é um equilíbrio e quanto mais minério enviam montanha a baixo mais alimento recebem. Presos no pequeno vilarejo este é o equilíbrio. Eles não ouvem e muitos estão ficando cegos. Qualquer tentativa de pedir mais suprimentos termina em menos comida e um aviso por serem gananciosos e estragarem o equilíbrio. Cansado do sofrimento e destruído pela morte do pai Li
Wei decide descer a montanha de alguma forma e Fei, a mais talentosa pintora e aprendiz está decidida a ir junto. Precisa salvar a irmã e precisa compreender porque sua audição está voltando. Ninguém do seu vilarejo ouve há séculos e ela precisa saber o que tem na base da montanha. O que ela e Li Wei descobrem é chocante e
revoltante, tantos as mentiras quanto às manipulações. O problema será convencer alguém da verdade e voltar ao vilarejo. Presos em uma montanha altíssima, isolados do mundo e mergulhados em crenças eles não acreditarão em dois jovens que fugiram e contrariaram séculos de tradição. Seria o ser humano capaz de tamanha atrocidade?

A partir daí a história se desenrola, ou devo dizer bem antes disso. A narrativa é bem surpreendente desde o começo porque não sabemos o que esperar da história. Misturando folclore antigo oriental e uma triste história de exploração e ganância Richelle Mead envolve o leitor através da voz marcante de Fei e Li, nos guiando desde o começo baseado nos sentimentos de perda e desespero dos dois, que partem em busca de qualquer coisa para aplacar o sofrimento daqueles que amam. Com poucas e bem colocadas descrições a autora cria um mundo de beleza sem igual, delicado e vívido, mas ao mesmo tempo seco cruel e desolado. Brincando com a ideia de equilíbrio que ela cita na trama Mead mergulha o leitor em um cenário que surpreende por ir de um extremo ao outro.

Leitura rápida porque depois que começamos precisamos saber como termina. A protagonista é forte, foge do padrão e ainda bem termina exatamente no ponto certo, sem romances de contos de fadas e sem besteiróis. Ambos os protagonistas cativam e conquistam por suas ações e personalidades. A edição da Galera está belíssima com a capa original bem adaptada e uma ótima fonte. Recomendo aos que buscam livros de culturas diferentes e que querem ser encantados por visões e universos únicos, que resgata elementos de culturas diferentes e com uma história humana, de luta por justiça e que explora a ganancia humana. Leiam e se encantem! Até mais!

17/01/2015

Resenha - O Feitiço Azul


Nome: O Feitiço Azul
No Original: The Indigo Spell
Autor (a): Richelle Mead
Tradutor (a): Guilherme Miranda
Páginas: 400
Editora: Seguinte
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: A atual missão da alquimista Sydney Sage fez com que ela revisse seus conceitos não só sobre os vampiros, mas também sobre a própria organização à qual pertence, responsável por esconder a existência dessas criaturas do resto da humanidade. Sydney acabou descobrindo um grupo dissidente que tinha muito em comum com os alquimistas, mas objetivos bem mais radicais. Certa de que seus superiores estão guardando segredos sobre essa facção paralela, ela contará com a ajuda do misterioso ex-alquimista Marcus Finch para tentar desvendá-los. Mas isso só será possível se ela conseguir escapar de uma ameaça ainda mais urgente: uma feiticeira cruel que suga a alma de jovens usuárias de magia. Enquanto isso, a garota luta contra os sentimentos cada vez mais fortes pelo rebelde vampiro Adrian Ivashkov. Há tabus e preconceitos milenares arraigados entre as duas raças, que representam um obstáculo enorme para esse relacionamento. Mas Adrian é persistente e é o único em quem ela confia para enfrentar as ameaças que se aproximam. Será que Sydney conseguirá se libertar do seu modo de vida e se render a esse romance?

Ainda não acredito que estou lendo a série e menos ainda que já está para chegar ao Brasil o quinto livro. O 5º livro depois de menos de dois anos? Pois é, e é com satisfação que escrevo a resenha desse terceiro livro da série Bloodlines. O Feitiço Azul é um marco na narrativa, tudo é mais dinâmico, mais real e por isso mesmo o livro foi o melhor dos que li até agora na série. Richelle Mead parece mais confortável com a história, como se finalmente tivesse chegado na parte que estava ansiosa para colocar no papel. Afinal não é só nós, reles mortais é que adoramos o meio e o fim de uma coisa e detestamos o começo. Conheçam O Feitiço Azul, o livro que vai mudar sua ideia quanto a ler a série.

Sydney ainda não acredita no que aconteceu na arena com os Guerreiros da Luz. Desde que viu seres humanos caçando Strigois e com uma vontade louca de acabar com eles só para começar sua matança de Morois Sydney anda balançada. Os Alquimistas dizem que não compactuam com os Guerreiros e nem os ajudam, mas Sydney precisa descobrir sobre o tal de Marcus Finch, um alquimista que conseguiu sair e que todos parecem fingir que não existe. Para piorar as coisas ela ainda tem que lidar com sua recém descoberta magia quando descobre que Veronica, irmã de sua professora reapareceu matando jovens bruxas e sugando sua beleza e seu poder. Tudo o que ela queria era ficar longe daquilo tudo, mas aparentemente se manter viva vale mais do que o medo de mexer com magia. Fechando seus problemas tem Adrian, a única pessoa que a faz sorrir, que não cobra e nem exige nada dela, e a única pessoa que ela não pode amar. Ele é um Moroi, mesmo entre eles um casal formado por classes diferentes é abominável, entre os Alquimistas então. Porém suas viagens de busca ao lado de Adrian só confundem mais Sydney e o que ele descobre com Marcus pode mudar tudo de uma vez por todas. Os Alquimistas escondem muito mais do que contam, e depois de um ano vivendo ao lado de morois e dampiros Sydney está mais tentada acreditar no que vê ao invés de acreditar no que sempre ouviu. Sydney está em um caminho sem volta e lutará para proteger aqueles que aprendeu a amar, mas o preço pode ser alto demais. Ajudar os ex alquimistas, estudar feitiços e caçar uma bruxa assassina e lidar com a crescente tensão entre ela e Adrian serão coisas pequenas quando a verdadeira bomba explodir.

É a partir daí dessa premissa que a história se desenrola neste terceiro livro. Mead divide a história em três tramas que se unem de modo bem coerente. Além da voz narrativa de Sydney ter melhorado quinhentos por cento em relação aos dois primeiros livros a trama das bruxas e dos ex alquimistas movimentaram a trama da série de um jeito único. Ao acompanhar as idas e vindas de Sydney foi possível sentir que o momento estava mudando, como a calmaria antes da tempestade e só de pensar do que vem por aí para Sydney, Adrian e todos os outros é de partir o coração. A ambientação mais uma vez é vívida e cuidadosa, e deixa o leitor imerso em cada cena e detalhe.

Uma das mudanças que mais admirei foi a nova postura de Sydney diante de seus medos e preconceitos. Por isso o livro é mais gostoso de ler, dessa vez ela não estava apenas aguentando a situação e cumprindo sua tarefa, ao invés de ficar metade do tempo negando sua amizade com Jill, Adrian e os outros ela foi natural e amadureceu demais diante os olhos do leitor. Outro que está cada vez mais apaixonante como personagem é Adrian, ganhando mais espaço da trama o leitor começa a torcer mais por ele do que por Sydney. Ansiosa demais para ler a continuação tanto por ter Adrian narrando junto com Sydney quanto pelas notícias horrorosas que Sydney recebe no final desse que é o melhor livro da série até o momento.

Leitura rápida, instigante e gostosa. Richelle Mead é brilhante ao criar e expandir seu universo. É sempre uma surpresa atrás da outra em termos de trama e também de elementos. Nunca pensei que gostaria de vampiros e a série Bloodlines abriu o caminho. Quando comecei a série era para ser uma experiência com vampiros e não pensei que a série se tornaria uma das que acompanho com gosto. A edição da Seguinte está ótima como sempre, bela capa, belo tom de azul metalizado, fonte agradável e tradução fluída. Recomendo a todos que procuram uma série de universo rico, bons personagens e elementos diferentes que vão trazer o frescor que todo leitor que lê muita série precisa. Leiam e se surpreendam!

Bloodlines - Richelle Mead
1- Laços de Sangue
2- O Lírio Dourado
3- O Feitiço Azul
4- Coração Ardente
5- Sombras Prateadas
6- The Ruby Circle

16/01/2015

Resenha - Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias


Nome: Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias
No Original: Doctor Who: 12 Doctors, 12 Histories
Autor (a): Vários
Tradutor (a): Vários
Páginas: 480
Editora: Fantástica Rocco
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Doze Doutores, doze contos, doze autores. Não é qualquer universo que pode receber doze visitantes tão ilustres e acolher doze interpretações tão radicalmente diferentes do mesmo herói. 'Doctor Who', a série de ficção científica, conta as aventuras do Doutor, um alienígena de aparência humana que trafega livremente pelo tempo e pelo espaço. Fascinado pelo planeta Terra e a humanidade, o Doutor está sempre acompanhado de um terráqueo enquanto viaja na sua máquina do tempo, a TARDIS, por todos os cantos do universo e da história. Nesse cinquentenário, o Doutor foi interpretado por doze atores, cada um deles uma encarnação diferente do personagem, com personalidades e trejeitos peculiares. As muitas faces do Doutor e suas jornadas infinitas ofereceram aos criadores da série a liberdade de explorar não só as galáxias e profundezas do tempo, mas também temas que vão do lírico ao terror, numa verdadeira investigação do coração e mente do ser humano. É essa mesma liberdade de imaginação que agora vemos nas mãos de doze dos autores de ficção mais queridos da atualidade, incluindo nomes como Eoin Colfer, Derek Landy, Neil Gaiman e Holly Black. Doze autores que foram conquistados pelas peripécias do Doutor, alguns desde que eram crianças, e que agora compartilham com os fãs doze visões muito particulares do personagem mais cativante deste lado da galáxia.

Nesses quase quatro anos que voltei a ser uma leitora assídua nunca esperei tanto por um livro quanto esperei por Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias. Quando a Rocco anunciou no começo do ano que começaria a lançar os contos digitalmente e fechando com a antologia completa em formato físico fiquei radiante e mês após mês lá estava eu atualizando a página de lançamentos, tanto que consegui cadastrar todos os contos individuais no Skoob, todo começo de mês e foi maravilhoso ler três deles antes do livro completo, mas nada se compara a ter o livro em mãos. Uma bela edição em capa cartonada sob o selo Fantástica, mais um trabalho perfeito da Rocco e que você conhece agora. Fã ou não da série, leitura obrigatória para qualquer pessoa antenada no mundo atual. Conheçam.

Doze grandes autores para um grande personagem: O Doctor, que já aviso não consigo chamá-lo de Doutor, é estranho depois de anos assistindo a série em inglês chamá-lo de Doutor. O meu Doctor, porque é assim, de modo pessoal, que todos nós whovians, fãs de Doctor Who falamos. O meu Doctor favorito virou os meus doctors favoritos ao longo dos anos porque consegui assistir um bom pedaço da fase clássica da série e por isso foi tão especial ter essa antologia em mãos. Rever o primeiro doctor ranzinza com sua neta e o espalhafatoso sexto doctor com seu casaco de quadriculados vermelhos e amarelos, até mesmo o passageiro oitavo Doctor, é indescritível quando temos mais uma história, mais um momento com os Doctors que aprendemos a amar e aprendemos a deixar partir como foi o caso do décimo e do décimo primeiro Doctor. Quando cheguei no conto do 11º Doctor sendo que ele tinha acabado de mudar, deu uma dor no coração ler a história com ele e a Amy, ainda mais que tinha de ser justo do Neil Gaiman, meu autor preferido para um dos meus Doctors preferidos.

Eoin Colfer abre o livro com o 1º Doctor em "Uma Mãozinha Para O Doutor", e traz abduções alienígenas macabras, lutas de bengala e a falta de uma mão. O conto abre bem a antologia e deixa o leitor querendo mais do primeiro Doctor. O 2º Doctor chega pelas mãos de Michael Scott em "A Cidade Sem Nome", em mais uma daquelas tramas onde o Doctor se encontra em uma enrascada por causa de um simples livro e mais uma raça que não tem grande simpatia pelo Doctor. Voltando aos vikings em "A Lança do Destino", Marcus Sedgwick coloca o 3º Doctor e um de seus nêmeses em meio a figuras lendárias que ele próprio ajudou a criar. Uma lança que não erra e um trapaceiro único. Em "As Raízes do Mal" o autor Philip Reeve trouxe de forma bem esperta o 4º Doctor de protagonista e o 11º Doctor como "vilão", adorei a história da árvore e aposto que qualquer leitor vai se apaixonar pelo universo descrito, um mundo que é uma árvore gigantesca, um dos meus favoritos. Depois dele gostei muito de "Na Ponta da Língua", do Patrick Ness, ele traz o 5º Doctor ao lado de Nyssa e a descoberta de adoráveis contadores de verdade muito antes do previsto no planeta Terra. Queria um daqueles... O 6º conto chega com Richelle Mead, "Algo Emprestado" traz o 6º Doctor em um mundo onde no casamento, a partir da química corporal dos apaixonados a pessoa muda de aparência. Uma trama ágil que deixa todo mundo querendo mais, Mead é mestre de fazer isso e adorei tudo em seu conto, do Doctor ao cenário. "O Efeito de Propagação", de Malorie Blackman, conto que traz o 7º Doctor é um enigma chocante para quem é fã da série quase delirante, ambas as partes, nós leitores e o Doctor não conseguimos comprar tais seres bonzinhos e a ideia foi brilhante apesar de moralmente angustiante. O oitavo conto, "Esporo" do autor Alex Scarrow é tão rápido quanto foi a aparição do 8º Doctor, não amei, mas também não posso dizer que não gostei, a ideia é perfeita e se mais desenvolvida teria sido um dos melhores contos.

Abrindo os contos da nova fase da série "A Besta da Babilônia", de Charlie Higson é uma perseguição que vai do espaço a dois planetas completamente diferentes e surpreende pelo final criativo. Uma nova visão sobre o encontro do 9º Doctor com a Rose. Chegando ao meu Doctor favorito, o 10º temos o conto do autor Derek Landy, "O Mistério da Cabana Assombrada" é um dos mais criativos, toda a ambientação em diversos universos literários ficou ótima e o conto amarra tudo de forma bem criativa. O 11º, "Hora Nenhuma", do sempre genial Neil Gaiman, você conferiu a resenha separada aqui no blog, mas vale sempre comentar a premissa assustadora e sombria do conto assim como seu desfecho perspicaz. Para surpresa do todos a edição ganhou o 12º conto, para o novíssimo 12º Doctor, que quase ninguém aprendeu amar por enquanto, eu espero que seja. O conto "Luzes Apagadas" de Holly Black é um dos mais estranhos, e deixa muita curiosidade no ar com suas entrelinhas, a autora merece todos os elogios por captar com uma exatidão assustadora o novo Doctor.

Leitura rápida, que instiga pelo simples fato de estar ali, impossível parar depois de começado, mesmo agora que voltei ao livro para uma simples consulta acabei lendo o livro quase todo de novo. A edição da Fantástica, novo selo da Rocco está perfeita, capa cartonada, mais firme e num tom de TARDIS perfeito. Ótimas traduções, ótima diagramação, nada menos do que uma série como Doctor Who merecia. Recomendado a todos que ainda não conhecem a série, vá ler e depois nem preciso dizer para ir correndo assistir porque essa será a reação de um jeito ou de outro. Também é imperdível para todos os whovians, seja de 8 ou 80 anos. Leiam, se surpreendam e se apaixonem mais uma vez por esse maluco com sua caixa azul! Até mais!

05/12/2014

Resenha - O Lírio Dourado


Nome: O Lírio Dourado
No Original: The Golden Lily
Autor (a): Richelle Mead
Tradutor (a): Guilherme Miranda
Páginas: 424
Editora: Seguinte
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Em sua última missão, a alquimista Sydney Sage foi enviada a um colégio interno na Califórnia para proteger a princesa Moroi Jill Dragomir, e assim evitar uma guerra civil entre os vampiros que certamente afetaria a humanidade. Porém, a convivência com Jill, Eddie e principalmente Adrian leva Sydney a perceber que talvez os Moroi não sejam criaturas tão terríveis assim - e ela passa a questionar os dogmas que lhe foram ensinados desde a infância. Tudo se torna ainda mais complicado quando Sydney descobre que talvez tenha a chave para evitar a transformação em Strigoi, vampiros malignos e imortais, mas esse poder mágico a assusta. Igualmente difícil é seu novo romance com Brayden, um cara bonito e inteligente que parece combinar com Sydney em todos os sentidos. Porém, por mais perfeito que ele seja, Sydney se sente atraída por outra pessoa - alguém proibido para ela. E quando um segredo chocante ameaça deixar o mundo dos vampiros em pedaços, a lealdade de Sydney será colocada mais uma vez à prova. Ela confiará nos alquimistas ou em seu coração?

Desde que voltei a ler com assiduamente identifiquei diversos gêneros que amo e não passo sem, assim como vários outros que não suporto. No meio desse caminho fica a mitologia dos vampiros, com suas diversas faces e formatos, os vampiros estavam em estado de suspensão quando o assunto era minha lista de leituras. Apenas no ano passado quando a editora Seguinte anunciou o lançamento da série Bloodlines da aclamada autora Richelle Mead é que criei coragem de começar em algum lugar. Bloodlines me surpreendeu, assim como a confirmação dos milhares de elogios que a autora recebe. Depois deste segundo livro começo a me perguntar o que mais estou perdendo ao evitar os vampiros, quantas outras séries e livros estou deixando passar. Conheçam O Lírio Dourado, onde drama, segredos, e diversas emoções se misturam na história de Sydney Sage.

Sydney estava voando de volta para Palm Springs com a cabeça ainda mais atormentada do que ela poderia ter imaginado. Os Alquimistas a têm em alta conta depois da exposição das falcatruas de Keith, porém Sydney sabe que qualquer deslize, mesma a mais ínfima mensagem que sugira amizade entre ela e os vampiros poderá levá-la para o mesmo calabouço subterrâneo que agora Keith enfrenta. Ela passou a vida inteira sendo doutrinada, levada a acreditar nos mais rígidos dos conceitos quando se trata dos vampiros e de sua natureza, mas meses convivendo com Jill, Adrian e Eddie mudou algo dentro de si. Ela não está pronta para admitir, mas seus amigos são mais do que monstros irracionais e antinaturais. Jill é uma garota doce, Eddie é protetor e leal, Adrian, além de uma alma artística sensível começa a representar muito mais do que Sydney jamais poderá admitir. Os alquimistas estão interessados em descobrir porque dampiros e Morois que foram transformados em Strigois e depois restaurados por usuários do espírito não podem ser transformados novamente em Strigoi. Se todo vampiro puder ser restaurado era uma vitória contra os sanguinários Strigoi. Quando Sonya é reconhecida na rua por alguém que nunca viu na vida e um ataque logo se segue, Sydney precisa descobrir que são esses humanos que andam por aí armados de espadas e conhecem tão bem o segredo dos vampiros. Se lutar contra o que sente já era complicado enfrentar inimigos invisíveis pode ser ainda mais devastador.

É a partir dessa premissa que Mead desenvolveu a história, concentrando em crescer Sydney como personagem e protagonista ao mesmo tempo em que desvela novas subtramas e complicações no mundo dos vampiros. Estou encantada com o universo criado pela autora e apesar de não ter lido mais do que um livro da série que antecede Bloodlines é nítido a evolução de sua escrita, e de sua voz como autora. A narração ganha mais ritmo, envolvendo o leitor e tornando a leitura impossível de largar antes do final. A ambientação apesar de inusitada quando se pensa em vampiros continua cumprindo bem seu papel.

O único ponto que ainda pesa contra a trama é a personalidade de Sydney. Após um ano vivendo em meio aos vampiros ela ainda é uma chata preconceituosa em diversos quesitos que já deveriam, poderiam ter sido amenizados com o passar do tempo. Outro ponto irritante e que não acrescenta em nada na história é sua mania de magreza, vê-la reclamar de estar gorda foi o ápice. Saber que está errada em relação a seus preconceitos foi um passo muito pequeno, pequeno demais para ser crível. O foco nesse livro fica mais em Sydney e senti um pouco de falta dos demais personagens. Ansiosa para o livro onde temos Adrian narrando, ele é ótimo e merece uma voz própria. O desenrolar da trama de Sonya e seus atacantes foi uma agradável surpresa, um elemento que complica ainda mais a história dos Alquimistas, de Sydney e dos vampiros, apesar de ter sido fácil ligar o personagem x a trama foi bem intricada e promete render bons frutos.

Leitura rápida, de ritmo acelerado e que cativa o leitor com mais facilidade do que seu antecessor. Richelle Mead escapa da sina dos segundos livros com uma história bem amarrada, com toques de romance e humor, mas que não deixa seu lado sombrio de lado, expandindo seu universo, complicando tramas de forma perspicaz e amadurecendo, ainda que a passos curtos, sua protagonista. A edição da Seguinte está belíssima, seguindo o padrão do anterior, com ótima fonte e tradução. Recomendado a todos os que procuram uma série jovem adulto de vampiros que vai além de romance água com açúcar e além dos elementos comuns da mitologia vampírica. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Bloodlines - Richelle Mead
1- Laços de Sangue
2- O Lírio Dourado
3- O Feitiço Azul
4- Coração Ardente
5- Sombras Prateadas
6- The Ruby Circle

18/03/2014

Resenha - Tabuleiro dos Deuses


Nome: Tabuleiro dos Deuses
No Original: Gameboards Of The Gods
Autor (a): Richelle Mead
Tradutor (a): Guilherme Miranda
Páginas: 424
Editora: Paralela
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Justin March, um investigador de religiões charmoso e traiçoeiro, volta para a República da América do Norte Unida (RANU), após um misterioso exílio. Sua missão é encontrar os responsáveis por uma série de assassinatos relacionados com seitas clandestinas. Sua guarda-costas, Mae Koskinen, é linda, mas fatal. Membro da tropa de elite do exército, ela irá acompanhar e proteger Justin nessa caçada. Aos poucos, os dois descobrem que humanos são meras peças no tabuleiro de poderes inimagináveis.

Faz muito tempo que ouço as pessoas falando que Richelle Mead é uma excelente escritora e elogiando sua série jovem de vampiros. Desde que li a segunda delas que cheguei à conclusão que o universo criado pela autora é mesmo intricado e marcado por elementos interessantes por isso quando soube de uma nova série que misturava mitologia, distopia e romance fiquei curiosa para ler. Sou apaixonada por tramas que trazem mitologia, seja qual for e foi uma surpresa conhecer a história apresentada nesse primeiro momento.

Mae é uma pretoriana, uma soldado de elite que tem um implante que melhora as funções corporais fazendo-o suas habilidades excepcionais. Sua farda é tudo, pretorianos não dormem e são fiéis aos seus. Quando no velório de um deles uma provocação é feita, Mae perde a cabeça e como punição recebe a incumbência de buscar Justin March no Panamá e acompanhá-lo em sua missão. É terrível, mas é melhor do que uma suspensão formal. Justin March foi exilado quatro anos atrás da RANU e passa todos seus dias sonhando com o dia que poderá voltar para a civilização. Justin era um agente da Segurança Interna, um dos melhores investigadores de seitas e cultos religiosos proibidos, mas há quatro anos escreveu um relatório que lhe rendeu o exílio. Algo inédito na RANU e que deixou todo mundo intrigado. No Panamá, por causa de um mal-entendido Justin e Mae acabam na cama antes de conhecer a missão o que rende um atrito imediato na relação dos dois. A RANU sempre lutou contra religiões, sua principal meta foi manter o povo afastado de crenças irreais, mas à medida que os dois mergulham no caso dos estranhos assassinatos, mas Mae começa a enxergar que existe muito mais por trás das proibições dos cultos. Justin, que desde que foi exilado é acompanhado por dois corvos na sua mente sabe que tem algo a mais em Mae, mais do que o implante e quando pistas do caso começam a se interligar perigosamente, ele fará de tudo para fazê-la enxergar a verdade e solucionar o caso sem perder o direito de ficar no país.

É a partir dessa premissa que a autora dá início a sua história e o que começa um pouco desencaixado evolui para uma história coerente e criativa. Mead usa a investigação dos assassinatos para dar corpo a trama, mas a verdadeira trama é o que se revela por trás dos assassinatos. Encaixando nas entrelinhas dicas e pistas a autora constrói seu universo através de uma narração dividida em três pontos de vistas. E como eu disse o livro evolui muito na segunda metade, à medida que a autora aprofunda na trama religiosa e no culto aos diversos deuses sua história cresce, mostrando instigante e inovadora.

As descrições é outro fator que chama atenção, criando uma ambientação futurística com traços próprios, que fogem do comum do gênero e mergulha o leitor num futuro onde o mundo quase foi destruído por guerras em nome de deus e por um vírus mortal. Mead se utiliza de toda sua pesquisa e conhecimento de religiões e mitologias para criar esse novo mundo. É notável o primor das partes onde descreve os cultos, os deuses e seus costumes. Foi um dos pontos que mais enriqueceu a história. Perceber que não teríamos só deuses gregos também foi fascinante. O conhecimento da autora para criar uma trama complexa envolvendo diversas deidades tem se der extenso e sua pontualidade é fabulosa. Aliado a esse pano de fundo rico temos personagens curiosos, que em um primeiro momento soam relutantes e confusos, mas que crescem, chegando ao final do livro em um ponto que deixa o leitor curioso para saber como se desdobrará a história.

Leitura agradável, de ritmo alternado e que surpreende pelos elementos. Gostei muito da construção do mundo e da trama. Richelle Mead apresentou um universo muito criativo e com personagens complicados, com falhas e que cativam o leitor pouco a pouco. Muitos acharam a história um começo lento para a série, mas eu gostei da forma como tudo foi se encadeando. E gostei muito de captar algumas pistas, com gosto de mitologias foi fácil. A edição da Paralela que li é prova, mas gostei da capa e a tradução está ótima. Recomendado a todos que procuram uma série mais adulta, com mundo diferente, que mistura mitologias e distopia de forma única. Leiam e se surpreendam! Até mais!

A Era do X - Richelle Mead
1- Tabuleiro dos Deuses
2- The Immortal Crown
3- Sem Título Ainda

24/06/2013

Resenha - Laços de Sangue


Nome: Laços de Sangue
No Original: Bloodlines
Autor (a): Richelle Mead
Tradutor (a): Ana Ban
Páginas: 440
Editora: Seguinte
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Sydney estava encrencada. Em sua última missão, ela tinha ajudado a dampira Rose Hathaway a escapar da prisão, e essa aliança foi considerada uma traição grave, já que vampiros e dampiros são criaturas terríveis e antinaturais, ameaças àqueles que os alquimistas devem proteger - os humanos. Com sua lealdade colocada em questão, Sydney se sente obrigada a voluntariar-se para uma tarefa nada agradável - ajudar a esconder Jill Dragomir, uma princesa vampira que está sendo perseguida por rebeldes que querem o poder. Caso ela seja capturada e assassinada, a rainha Lissa ficará sem nenhum parente vivo e, como manda a lei, terá de abdicar do trono - o que culminará numa guerra civil tão sangrenta no mundo dos vampiros que certamente afetará a humanidade. Assim, pelo bem dos humanos, Sydney aceita se disfarçar de estudante e passa a conviver diariamente com Jill e seu guardião Eddie, quando os três são matriculados como irmãos no último lugar em que qualquer um procuraria a realeza dos vampiros - a Escola Preparatória Amberwood, em Palm Springs, na Califórnia. Mas entre uma pizza e outra, entre um jogo de minigolfe e uma conversa sobre garotos, ela começa a ter a sensação de que talvez esses seres estranhos não sejam tão maus assim, principalmente Adrian, um vampiro muito próximo de Jill que desperta os sentimentos mais contraditórios - e proibidos - em Sydney... O problema é que além de refletir sobre suas convicções e se preocupar com o seu coração, que anda acelerando mais do que deveria, a garota terá de encarar outros inconvenientes um pouco mais graves, como as tatuagens que viraram febre entre os alunos da escola e que parecem conferir poderes sobrenaturais a quem as usa. De que ingredientes elas eram feitas? Quem estaria por trás disso? Será que havia algum alquimista traidor entre eles? Caberá a Sidney resolver todos esses mistérios e garantir a paz entre os humanos antes que seja tarde demais.

Quando vi que a Seguinte ia começar a lançar Richelle Mead percebi que era hora de dar uma chance aos vampiros. Sempre ouvi diversos comentários sobre como Mead é uma autora excepcional, mas nunca tive oportunidade de ler por vários motivos e principalmente o meu receio sobre como a mitologia dos vampiros seria desenvolvida. Conhecendo apenas o básico do mundo criado pela autora recebi uma prova do livro e não podia ter me surpreendido mais. O livro nos traz um universo rico, bem elaborado e repleto de mistérios coroado com um ótimo desenvolvimento e trama.

A sinopse já fala bastante do corpo da trama. Sydney é uma alquimista educada em casa e criada num rígido sistema de crenças. Sua vida não está fácil desde que teve sua lealdade questionada, mas acaba conseguindo ser enviada para uma nova missão. Ela não quer que sua irmã mais nova faça a tatuagem e entre no mundo sem opções dos alquimistas, mas acaba odiando a ideia de ter que prestar contar a Keith. O pai de Sydney acha que Keith é um garoto de ouro, mas só Sydney sabe o crápula pedante que ele é. A missão parece simples, viver ao lado de Jill e protegê-la pelos próximos meses na ensolarada Palm Springs. A ideia de frequentar uma escola também parece boa já que durante toda a sua vida estudou em casa, mas dividir o quarto com uma Moroi não é nada animador. Sydney passou a vida aprendendo que vampiros, tanto Moroi quanto Strigoi são criaturas antinaturais assim como os dampiros e sua magia. São criaturas com a alma marcada. Mas com o passar do tempo Sydney percebe que viver ao lado de Jill e Eddie é quase normal. E a estranheza inicial entre ela e Adrian quase não existe. Quando Jill descobre que na cidade as tatuagens no estilo dos alquimistas é o maior sucesso entre estudantes pelos seus mais variados fins ela se depara com a chance de refazer sua imagem com os alquimistas, mas as desvendar e acabar com esse esquema acaba se colocando no centro de assassinatos perigosos, que revelarão muito mais do que ela imagina. Uma traição surpreendente e uma descoberta que abalará tudo o que Sydney sempre teve como certo.

A premissa básica é essa, lembrando que Richelle Mead estende nesse primeiro volume o já consolidado universo de vampiros e alquimistas. Vários elementos e conceitos podem soar estranho no começo, mas a autora consegue situar o leitor que não leu sua série anterior e o sentimento de que está faltando algo é muito superficial. A narrativa em primeira pessoa limita o nosso campo de visão as experiências e aos conceitos de Sydney, o que torna mais interessante para o leitor que está conhecendo esse mundo agora. A tão elogiada escrita de Mead me surpreendeu. Assim como a fluidez que a trama se desenvolve. Uma leitura extremamente leve e natural, que se encaminha com suas voltas e reviravoltas de forma fácil e interessante.

A autora nos prende pela riqueza de seu universo, desde sua complexa organização até seus rígidos conceitos sobre certo errado e de sociedade. Através da voz narrativa de Sydney sentimos a limitação e os preconceitos do mundo apresentado pela autora. As atitudes e a forma de pensar de Sydney podem deixar os mais aflitos descontentes, mas dentro do contexto da história ela é ótima. Seus medos e receios são justificados. Fiquei impressionada como sua vida é arraigada a conceito tão preconceituosos. Os personagens secundários também são outro fator que chama atenção. São todos bem desenvolvidos a seu modo e com participação na trama. Fiquei muito curiosa para conhecer mais detalhes do universo da série. Mead nos apresenta um novo conceito de vampiros que achei bastante fascinante. Com descrições pontuais e uma ambientação marcante a trama se desenrola com facilidade e imerge o leitor de forma única.

O final foi uma surpresa, não contava com aquela reviravolta final e gostei muito do vi afinal a outra trama, sobre as tatuagens foi bem óbvia. Gostei muito mais do que supus a princípio e como primeiro volume o livro cumpre bem seu papel de introduzir não só a história como os que ainda não conheciam o universo. Como será que Sydney vai reagir diante das descobertas do final? Ela não pode negar para sempre o que os alquimistas tanto querem negar. Será que seus preconceitos vão começar a ceder?

Leitura rápido, muito agradável, com uma escrita fluida e uma história que prende o leitor com sutileza em um universo rico, cheio de mistérios, seres e conceitos interessantes. Uma história que instiga o leitor em todos os sentidos. A edição da Seguinte está ótima, sem erros, gostei da arte da capa e do relevo. Recomendado a todos que procuram uma história com ação aliada a bons personagens e um universo inovador. Leiam! Até mais!

Bloodlines - Richelle Mead
2- O Lírio Dourado
3- O Feitiço Azul
4- The Fiery Heart
5- Sem Título Ainda
6- Sem Título Ainda