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16/01/2015

Resenha - Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias


Nome: Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias
No Original: Doctor Who: 12 Doctors, 12 Histories
Autor (a): Vários
Tradutor (a): Vários
Páginas: 480
Editora: Fantástica Rocco
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Doze Doutores, doze contos, doze autores. Não é qualquer universo que pode receber doze visitantes tão ilustres e acolher doze interpretações tão radicalmente diferentes do mesmo herói. 'Doctor Who', a série de ficção científica, conta as aventuras do Doutor, um alienígena de aparência humana que trafega livremente pelo tempo e pelo espaço. Fascinado pelo planeta Terra e a humanidade, o Doutor está sempre acompanhado de um terráqueo enquanto viaja na sua máquina do tempo, a TARDIS, por todos os cantos do universo e da história. Nesse cinquentenário, o Doutor foi interpretado por doze atores, cada um deles uma encarnação diferente do personagem, com personalidades e trejeitos peculiares. As muitas faces do Doutor e suas jornadas infinitas ofereceram aos criadores da série a liberdade de explorar não só as galáxias e profundezas do tempo, mas também temas que vão do lírico ao terror, numa verdadeira investigação do coração e mente do ser humano. É essa mesma liberdade de imaginação que agora vemos nas mãos de doze dos autores de ficção mais queridos da atualidade, incluindo nomes como Eoin Colfer, Derek Landy, Neil Gaiman e Holly Black. Doze autores que foram conquistados pelas peripécias do Doutor, alguns desde que eram crianças, e que agora compartilham com os fãs doze visões muito particulares do personagem mais cativante deste lado da galáxia.

Nesses quase quatro anos que voltei a ser uma leitora assídua nunca esperei tanto por um livro quanto esperei por Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias. Quando a Rocco anunciou no começo do ano que começaria a lançar os contos digitalmente e fechando com a antologia completa em formato físico fiquei radiante e mês após mês lá estava eu atualizando a página de lançamentos, tanto que consegui cadastrar todos os contos individuais no Skoob, todo começo de mês e foi maravilhoso ler três deles antes do livro completo, mas nada se compara a ter o livro em mãos. Uma bela edição em capa cartonada sob o selo Fantástica, mais um trabalho perfeito da Rocco e que você conhece agora. Fã ou não da série, leitura obrigatória para qualquer pessoa antenada no mundo atual. Conheçam.

Doze grandes autores para um grande personagem: O Doctor, que já aviso não consigo chamá-lo de Doutor, é estranho depois de anos assistindo a série em inglês chamá-lo de Doutor. O meu Doctor, porque é assim, de modo pessoal, que todos nós whovians, fãs de Doctor Who falamos. O meu Doctor favorito virou os meus doctors favoritos ao longo dos anos porque consegui assistir um bom pedaço da fase clássica da série e por isso foi tão especial ter essa antologia em mãos. Rever o primeiro doctor ranzinza com sua neta e o espalhafatoso sexto doctor com seu casaco de quadriculados vermelhos e amarelos, até mesmo o passageiro oitavo Doctor, é indescritível quando temos mais uma história, mais um momento com os Doctors que aprendemos a amar e aprendemos a deixar partir como foi o caso do décimo e do décimo primeiro Doctor. Quando cheguei no conto do 11º Doctor sendo que ele tinha acabado de mudar, deu uma dor no coração ler a história com ele e a Amy, ainda mais que tinha de ser justo do Neil Gaiman, meu autor preferido para um dos meus Doctors preferidos.

Eoin Colfer abre o livro com o 1º Doctor em "Uma Mãozinha Para O Doutor", e traz abduções alienígenas macabras, lutas de bengala e a falta de uma mão. O conto abre bem a antologia e deixa o leitor querendo mais do primeiro Doctor. O 2º Doctor chega pelas mãos de Michael Scott em "A Cidade Sem Nome", em mais uma daquelas tramas onde o Doctor se encontra em uma enrascada por causa de um simples livro e mais uma raça que não tem grande simpatia pelo Doctor. Voltando aos vikings em "A Lança do Destino", Marcus Sedgwick coloca o 3º Doctor e um de seus nêmeses em meio a figuras lendárias que ele próprio ajudou a criar. Uma lança que não erra e um trapaceiro único. Em "As Raízes do Mal" o autor Philip Reeve trouxe de forma bem esperta o 4º Doctor de protagonista e o 11º Doctor como "vilão", adorei a história da árvore e aposto que qualquer leitor vai se apaixonar pelo universo descrito, um mundo que é uma árvore gigantesca, um dos meus favoritos. Depois dele gostei muito de "Na Ponta da Língua", do Patrick Ness, ele traz o 5º Doctor ao lado de Nyssa e a descoberta de adoráveis contadores de verdade muito antes do previsto no planeta Terra. Queria um daqueles... O 6º conto chega com Richelle Mead, "Algo Emprestado" traz o 6º Doctor em um mundo onde no casamento, a partir da química corporal dos apaixonados a pessoa muda de aparência. Uma trama ágil que deixa todo mundo querendo mais, Mead é mestre de fazer isso e adorei tudo em seu conto, do Doctor ao cenário. "O Efeito de Propagação", de Malorie Blackman, conto que traz o 7º Doctor é um enigma chocante para quem é fã da série quase delirante, ambas as partes, nós leitores e o Doctor não conseguimos comprar tais seres bonzinhos e a ideia foi brilhante apesar de moralmente angustiante. O oitavo conto, "Esporo" do autor Alex Scarrow é tão rápido quanto foi a aparição do 8º Doctor, não amei, mas também não posso dizer que não gostei, a ideia é perfeita e se mais desenvolvida teria sido um dos melhores contos.

Abrindo os contos da nova fase da série "A Besta da Babilônia", de Charlie Higson é uma perseguição que vai do espaço a dois planetas completamente diferentes e surpreende pelo final criativo. Uma nova visão sobre o encontro do 9º Doctor com a Rose. Chegando ao meu Doctor favorito, o 10º temos o conto do autor Derek Landy, "O Mistério da Cabana Assombrada" é um dos mais criativos, toda a ambientação em diversos universos literários ficou ótima e o conto amarra tudo de forma bem criativa. O 11º, "Hora Nenhuma", do sempre genial Neil Gaiman, você conferiu a resenha separada aqui no blog, mas vale sempre comentar a premissa assustadora e sombria do conto assim como seu desfecho perspicaz. Para surpresa do todos a edição ganhou o 12º conto, para o novíssimo 12º Doctor, que quase ninguém aprendeu amar por enquanto, eu espero que seja. O conto "Luzes Apagadas" de Holly Black é um dos mais estranhos, e deixa muita curiosidade no ar com suas entrelinhas, a autora merece todos os elogios por captar com uma exatidão assustadora o novo Doctor.

Leitura rápida, que instiga pelo simples fato de estar ali, impossível parar depois de começado, mesmo agora que voltei ao livro para uma simples consulta acabei lendo o livro quase todo de novo. A edição da Fantástica, novo selo da Rocco está perfeita, capa cartonada, mais firme e num tom de TARDIS perfeito. Ótimas traduções, ótima diagramação, nada menos do que uma série como Doctor Who merecia. Recomendado a todos que ainda não conhecem a série, vá ler e depois nem preciso dizer para ir correndo assistir porque essa será a reação de um jeito ou de outro. Também é imperdível para todos os whovians, seja de 8 ou 80 anos. Leiam, se surpreendam e se apaixonem mais uma vez por esse maluco com sua caixa azul! Até mais!

03/10/2014

Resenha - P.R.A.T.A.: O Assassino Relutante


Nome: O Assassino Relutante
No Original: The Reluctant Assassin
Autor (a): Eoin Colfer
Tradutor (a): Ivanir Calado
Páginas: 352
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Travessa - Travessa - Cultura
Sinopse: Chevie, 16 anos, era agente mirim do FBI até o programa sair um pouco do controle. Trabalhando agora para Programa de RelocAção de Testemunhas Anônimas, enquanto a poeira do seu fracasso abaixa, ela acha que tudo o que precisa fazer é ficar de olho o dia todo numa máquina do tempo esquisita. Mas tédio é o que menos ela consegue quando, junto ao infeliz Riley, precisa fugir de um assassino em série da era vitoriana que os persegue através das épocas.


Desde que li o conto que o autor Eoin Colfer escreveu na série especial de 50 anos de Doctor Who que estava ansiosa para conhecer um de seus livros e a oportunidade surgiu quando a Galera anunciou a chegada de sua nova série, P.R.A.T.A. Com uma premissa interessante e inusitada o autor leva o leitor por uma história repleta de ação e segredos. Nesse primeiro volume conhecemos os protagonistas e começamos a formar o quebra-cabeça que é o universo criado pelo autor através de uma trama ágil. Conheçam O Assassino Relutante.

Riley estava em sua primeira missão, estava nervoso e relutante, mas com Garrick a seu lado sobrava poucas opções para o garoto. Ou ele matava seu primeiro cliente ou na manhã seguinte não seria apenas o corpo do pobre coitado do homem que dormia desavisado em sua cama, mas o dele e o seu, já que com Garrick não havia segundas chances. Quando Garrick percebeu que o garoto não conseguiria sozinho, teve de dar uma ajudinha e para sua surpresa só teve tempo de ver o homem que agora morria e o garoto que ainda segurava a faca que Garrick forçara para dentro do sujeito desaparecer bem diante de seus olhos. Extasiado acha que encontrou magia e a fonte de poder com que tanto sonhou. Bem distante dali, estava Chevie, uma jovem com traços indígenas de 16 anos que tinha poucas opções, ou se aposentava com nenhuma chance de retornar ao FBI ou era transferida para Londres, para trabalhar em um programa de testemunhas. Chevie sabia que era um castigo e que mofaria por muitos anos antes de conseguir ser agente de campo, mas foi assim mesmo e tudo o que não esperava era encontrar uma máquina do tempo e um programa de testemunha mais complicado que qualquer um imagina. O FBI com ajuda do pai do metido agente Laranja realoca testemunhas no passado. Como o processo é caro serve apenas para as testemunhas mais caçadas e mais valiosas. Porém Chevie descobrirá que nem tudo são flores entre o FBI e o criador da tecnologia. Quando o corpo do pai de Laranja e criador do método surge da máquina o lado de um esquálido garoto do século XIX, Chevie se verá presa em uma caçada perigosa através do tempo. Garrick é mais perigoso do qualquer um esperava e não vai parar, afinal magia ou não, ele quer a máquina e as chaves para si.

É a partir dessa premissa que a história se desenvolve e de forma muito perspicaz Colfer ao mesmo tempo que mantém o leitor preso a fuga de Riley e Chevie apresenta seu curioso universo. Misturando uma Londres vitoriana com a atualidade de forma sutil, Colfer não deixa o leitor soltar o fôlego nem nos momentos finais, já deixando todo mundo curioso para o próximo livro. A narrativa alterna entre os três principais personagens e com um tom peculiar cativa o leitor. Ágil, fluída e não poupando ninguém a narrativa apresenta uma trama intricada que ao mesmo tempo em que se resolve já deixa diversas pontas nas entrelinhas. Tenho certeza de que não foi a última vez que vi Riley e Chevie e não é porque isso é uma série não...

A dupla de protagonistas funciona muito bem e gostei de ver como a história de Riley se interliga com tudo. Impossível não ficar condoída pela triste história que se revela pouco a pouco. Não imaginei que Colfer iria trazer algo assim e estava até desconfiada que seria bem mais simples. A família de Riley e tudo o que aconteceu deixa o leitor curioso pelos desdobramentos. A inteligência de Riley em determinado momento foi o ponto alto do livro. Adorei o que ele fez e Colfer ao apresentar dois protagonistas inteligentes e que pensam mostra que séries juvenis podem sim ser instigantes e ter algo a mais que agrada a todas as idades. Seu vilão não é o típico sou do mal e pronto, ao acompanhar a voz de Garrick temos outra dimensão de seu caráter. O conceito por traz do P.R.A.T.A. também é interessante, adoro viagens no tempo e Colfer conseguiu criar algo novo, com toques que remetem a clássicos do gênero. Com o final e as entrelinhas estou ansiosa para o próximo livro.

Leitura rápida, instigante e de elementos interessantes. Eoin Colfer possui uma escrita ágil, perspicaz e que dá mais profundidade aos seus personagens e tramas do que é comum ver em livros juvenis. Um primeiro livro que equilibrou muito bem apresentação e construção, sendo criativa e inovadora na medida certa. A edição da Galera está ótima, fonte agradável e capa bem adaptada. Gostei da versão do nome que eles criaram. Adoraria ver o universo da série adaptado para o cinema, como fã de viagem no tempo e das referências que Colfer seria perfeito um filme bem adaptado. Recomendado a todos que procuram uma série juvenil para acompanhar. Com universo interessante, tramas bem desenvolvidas e ótimos personagens. Leiam e se surpreendam! Até mais!

P.R.A.T.A. - Eoin Colfer
1- O Assassino Relutante
2- The Hangman's Revolution
3- Sem Título Ainda

01/04/2014

Resenha - Uma Mãozinha Para O Doutor


Nome: Uma Mãozinha Para O Doutor
No Original: A Big Hand For The Doctor
Autor (a): Eoin Colfer
Tradutor (a): Regiane Winarski
Páginas: 36
Editora: Rocco Digital
Comprar: Amazon - Gato Sabido - Saraiva Digital - Kobo
Sinopse: 11 Doutores, 11 histórias: uma celebração de aniversário para Doctor Who! Os mais consagrados autores de ficção infantojuvenil criam, cada um, sua própria e única aventura sobre o carismático viajante do tempo. Londres, 1900. O primeiro Doutor perdeu sua mão e sua neta, Susan. Ao procurar Susan, o Senhor do Tempo encontra um estranho feixe de luz soporífera, e precisa impedir um bando de Piratas de Alma de despedaçar seres humanos, o que promete uma perigosa jornada até uma terra que ele provavelmente nunca vai esquecer... 

A melhor coisa de ver uma série como Doctor Who fazer cinquenta anos além dos especiais e do fato em si foi a atenção repentina que o mercado editorial do mundo inteiro resolveu dar a série visto que antes dos 50 anos era raro os países que publicavam os livros da série. Com os 50 anos tivemos vários especiais fora da televisão e o maior deles sem dúvida é a série de 11 contos, com 11 autores famosos escrevendo cada um sobre um dos 11 doctors, ou melhor doutores. É difícil chamá-lo de doutor quando passei minha vida toda chamando de Doctor mesmo, com a, modéstia à parte, perfeita entonação britânica. Para completar a felicidade a editora responsável pelos contos no Brasil é a Rocco e hoje trago para vocês a resenha do primeiro dos contos.

Escrito por Eoin Colfer, autor bestseller de várias séries e livros, nascido em 1965 na Irlanda e fã da série, o primeiro conto traz o primeiro Doctor, interpretado na série por William Hartnell o Doctor apresentado por Colfer conseguiu ser fiel ao perfil que o ator deu ao personagem. Em vários momentos foi como assistir a série, em preto e branco, com a pausa para a abertura e tudo.

Na história o Doctor está em Londres, 1900, esperando impaciente os ajustes na nova mão. O Doctor e Susan estavam em Londres depois de ter captado por acidente uma nave dos Piratas de Alma, uma raça alienígena antiga e perversa que vai de planeta a planeta colhendo corpos e os absorvendo. Na Terra várias crianças já tinham desaparecido sem deixar vestígios. O raio de luz laranja que os Piratas utilizam coloca as vítimas em um sono delirante e quando elas acordam já presas na nave é tarde demais para lutar. Para o Doctor a perda da sua mão numa luta contra o capitão da nave aconteceu há poucas horas, mas para os Piratas já faz muitos anos e quando termina de ajustar a mão provisória Doctor percebe para sua irritação que todas as mensagens que Susan lhe mandou foram bloqueadas. Para seu horror Susan resolveu investigar o sumiço das crianças e podia estar em perigo. Chegando na casa o Doctor terá de lutar contra um dos guardas dos Piratas com apenas sua bengala e encontrar uma forma de deter os Piratas sem cair no sono em seu raio alaranjado...

É a partir dessa premissa que o conto se desenrola. Simples, direto e curto a história acompanha um episódio da vida do Doctor. Colfer foi cuidadoso com a narrativa e principalmente com os personagens, trazendo para as páginas expressões, trejeitos e até falas de Susan e do Doctor. Foi muito bom ver que o autor pensou em todos os detalhes, teve até referências futuras, e melhor ainda lembrar-me de determinadas passagens e cenas com o diálogo dos dois da série clássica só pelo desenvolver do conto.

Leitura agradável e rápida, que vai deixar os fãs da série nostálgicos de ter tão vividamente o primeiro Doctor e que vai conquistar novos fãs. A história é um conto rápido, instigante e criativo, ideal para quem quer conhecer o clima e um pouco de Doctor Who. Aposto que o leitor que terminar a série de contos vai direto assistir a série. Onze contos, onze autores incríveis e uma homenagem a altura. Leiam e se surpreendam, se emocionem e conheçam um homem, onze faces e aventuras brilhantes. Até mais!

50º Aniversário de Doctor Who - Vários Autores
1- Uma Mãozinha Para O Doutor
2- A Cidade Sem Nome
3- The Spear of Destiny
4- The Roots of Evil
5- Tip Of The Tongue
6- Something Borrowed
7- The Ripple Effect
8- Spore
9- The Beast Of Babylon
10- The Mystery Of The Haunted Cottage
11- Nothing O'Clock