Mostrando postagens com marcador Lauren Oliver. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lauren Oliver. Mostrar todas as postagens

01/02/2013

Resenha - Delírio


Nome: Delírio
No Original: Delirium
Autor (a): Lauren Oliver
Tradutor (a): Rita Sussekind
Páginas: 352
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar - mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?

Desde que soube que Lauren Oliver iria escrever uma trilogia distópica fiquei curiosa para ler. Me surpreendi com a autora em seu livro de estreia e o tema que ele resolver usar como catalisador para a trilogia era muito curioso. Acabei adiando a leitura até a primeira semana deste ano pensando no lançamento do livro dois em fevereiro. Já imaginou se o amor fosse declarado uma doença perigosa? E todos os seres humanos tivessem que passar por uma cura? Parece loucura, mas funcionou muito bem.

Amor deliria nervosa. O dia da cura de Lena está chegando. Ela se prepara tensa para os exames que definirão toda a sua vida. Tudo o que ela quer é ser curada. Enterrar o passado vergonhoso de uma mãe louca que a persegue e uma vida de preconceitos. A cura é uma vida sem dor e repleta de segurança. Quer passar nas avaliações, ir para uma boa faculdade e descobrir quem será seu parceiro. Quem é curado perde o amor, a paixão e o desejo por tudo. Nada de hobbies, nem pelos filhos. Lena sabe que é governo que o melhor para todos e confia no sistema. Porém no dia da avaliação Lena é tomada por uma tensão diferente e acaba respondendo tudo diferente do que treinou, estaria perdida se não fosse o ataque repentino que o complexo sofre. Um rebanho de vacas em disparada pelos corredores. Se não bastasse isso Hannah, a melhor amiga de Lena estava agindo de forma muito estranha e suspeita. Então Lena encontra Alex, o mesmo rapaz que ela viu no corredor no dia dos ataques. Sua preocupação some quando ela vê que ele já foi curado. Conversar com rapazes curados não é crime e nem perigoso. Ele parece estar sempre no caminho dela e o estranho nervosismo que sente na presença dela levará Lena por um caminho inimaginável e repleto de descobertas. Nem tudo é como o governo diz, muito menos o amor...

A premissa é essa e a coisa mais impressionante da narrativa de Lauren Oliver é a estranha e constante tensão que acompanha toda a história deixando a trama mais envolvente e marcante. O futuro é apresentado com descrições objetivas e apesar de não definido deixa claro o controle do governo, da ciência e a evolução tecnológica. O ritmo alterna bastante durante todo o livro e apesar de a narrativa fluir bem o desenvolvimento da trama é cadenciado, sempre dividindo o andamento da história, nem rápido e nem devagar demais.

Um dos pontos mais interessantes é que grande parte do pano de fundo desse universo foi inserido e explicado pelos trechos, frases e poemas que introduzia cada capítulo. A autora ganha espaço e ritmo para desenvolver outras partes da trama ao mesmo tempo em que explica seu universo. Um recurso bem interessante. Os personagens são bons. Lena pode parecer apática no começo, mas o ambiente em que cresceu é o responsável pela sua passividade. Lauren Oliver também acertou ao descrever o envolvimento de Lena e Alex aos poucos, bem próximo ao começo de um amor real. Nada de exageros de amores num piscar de olhos. Alex é mais interessante que Lena, mais seguro de si e espero bastante tensão depois daquele final. Torcer para Lena não estragar tudo que construiu nesse primeiro momento.

Leitura rápida, instigante e que exala durante toda a história um sentimento tenso. O final é impensável e assustador. Lauren Oliver construiu uma trama equilibrada para apresentar esse futuro absurdo onde o amor é uma doença grave. A edição da Intrínseca está ótima, diagramação muito boa, fonte um pouco pequena, mas com detalhes bonitos nos capítulos. A opção da capa também foi boa. Muito melhor do que a que tem rostos na capa. Adoraria ver a história no cinema, mas os rumores apontam para uma adaptação para TV, uma série. Recomendado a todos. Desde os que gostam de romance até os que procuram uma distopia mais diferente. Uma história envolvente que vai conquistar pela força de um universo rico e criativo. Leiam! Até mais!

Trilogia Delírio/Amor - Lauren Oliver
2- Pandemônio
3- Requiem

06/10/2011

Resenha - Antes Que Eu Vá


Nome: Antes Que Eu Vá                           
No Original: Before I Fall
Autor (a): Lauren Oliver 
Páginas: 368
Editora: Intrínseca 
Sinopse: Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta, da melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, desvenda o mistério que envolve sua morte, descobrindo, enfim, o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder.


A primeira vez que vi esse livro na página de lançamentos fui atraída pela capa e um pouco pela sinopse. Quando um livro me ganha mais pela capa do que pela sinopse é quase certo que vai ficar só nisso. Um eterno compra ou não compro. Mas certo dia fechando uma compra e notando uma brecha para o valor que eu queria resolvi colocá-lo e o que posso dizer depois de 368 páginas é que não foi uma má decisão.

No começo eu pensei que o livro fosse adolescente demais, sabe para quem tem 15, 16 anos no máximo, mas com o passar das páginas alguma coisa no meio daquilo tudo te prende. Não sei se é a angústia da personagem em descobrir o que está acontecendo ou se é a dúvida se ela vai conseguir se salvar ou não. Durante todo o livro me identifiquei com situações e comentários que me lembravam a época do colégio. O quanto a gente pode ser cruel sem perceber e principalmente sem motivo. Do grupo principal Sam é a menos popular, se é que se pode dizer isso de uma garota que anda no grupo mais badalado do colégio. Talvez por esse detalhe me identifiquei com ela. Nunca fui muito popular. Das outras, Ally foi a que mais gostei, porém não foi muito explorada, aliás, nem ela, nem Elody, Lindsay por outro lado é aquela que todos sabemos indicar em nossa vida, a pessoa que julga e faz piada para esconder fraquezas próprias. No fim das contas Sam corrigiu um erro que não apenas dela.

O que não gostei ou que me deixou mais incomodada foi que Lindsay não soube na versão final que ela era a responsável maior por tudo o que aconteceu. Em cada vez que Sam reviveu o dia diversos acontecimentos foram desmanchando impressões e fazendo Sam perceber o que estava acontecendo. É angustiante ver página a página que por mais que ela tente o final não vai mudar. Ver ele se agarrando a vida em cada detalhe é triste. Revivendo o mesmo dia Sam viu mais e conheceu mais as pessoas que a cercam do que em toda vida. É triste ver que ela só aprendeu a viver quando já era tarde demais. A gota d'água foi ela notar que sempre gostou de Kent. O livro é triste e faz a gente pensar muito no que acontece por ai em diversas escolas. A autora conseguiu falar de bullying de uma forma diferente, sem ser moralista e o livro deixa sua marca por ser sincero. Retratou o problema diferente de outros livros, retratou o outro lado da moeda. E principalmente como Sam mesmo diz no livro, "todos tem conserto".

Quando a escrita o que posso dizer que é leve, de fácil leitura e por isso mesmo perde a hora lendo. O que achei diferente e a princípio incomodou foi a forma que dividiram os capítulos, mas depois entendi que não poderia ser de outra forma. O livro afinal é um relato, e o diferencial disso está nessa organização sequencial, sem quebra. Apenas com subtítulos. Outra coisa que nas primeiras vezes pode achar estranho é a repetição do mesmo dia, a partir da terceira vez a coisa fluí melhor. Recomendo o livro para qualquer idade. O receio que tive ao comprar o livro passou lá pela página 40, 50. É tocante, triste e me fez pensar em alguma atitudes cruéis que tive quando estava no ensino médio. Vale a pena mesmo.

"Mas antes que comece a me acusar, permita-me fazer uma pergunta: o que fiz foi realmente tão ruim? Tão ruim que eu merecia morrer por isso? Tão ruim que eu merecia morrer assim? O que eu fiz foi realmente tão pior do que o que todo mundo faz? E realmente muito pior do que o que você faz?." 

P.s.: Minha primeira resenha de livro. Já escrevi sobre livro, mas nada formal. Apenas relatos de livros para escola. Escrevo reviews de séries fazem quase dois anos para o Série Maníacos, e posso dizer que é parecido. A diferença que a série você analisa por episódio e o livro você analisa por inteiro. Seria engraçado analisar um livro por capítulo ao mesmo tempo que teríamos uma visão mais seca do mesmo, ficaria desgastante e não acredito que daria muito certo, imaginem aqueles livros com 60 capítulos? Pois então.