Nome: Sangue
No Original: Blood
Autor (a): K.J. Wignall
Tradutor (a): Marsely Dantas
Páginas: 224
Editora: Bertrand Brasil
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: 1256. Will estava destinado a ser o Conde de Mércia, mas não viveu o bastante para herdar o título, já que foi acometido por uma estranha doença aos 16 anos de idade. Mesmo assim, apesar de sua morte – e de seu enterro –, ele não está nada morto. Ao longo das páginas, a condição de Will vai se revelando: ele existe entre a vida e a morte. Ocasionalmente hiberna, sempre esperando que a morte lhe chame e, toda vez que desperta, enterrado no solo, tem uma breve lembrança do primeiro pânico que sentiu em 1349.
Quando soube que a Bertrand lançaria a trilogia escrita por K.J. Wignall fiquei bastante curiosa, afinal desde que decidi conhecer mais mitologias com vampiros que estou tendo dificuldades de aumentar minha lista visto que hoje em dia não são muitos os livros com esse tema chegando por aqui. Com narrador masculino e uma abordagem nova para o tema, a estreia do autor belga radicado na Inglaterra consegue apresentar sua trama e seu universo de maneira eficaz, captando atenção do leitor ao mesmo tempo em que nos cativa com seus protagonistas. Conheçam Sangue.
Will acabara de sair de mais uma de suas longas hibernações e sabia que tinha algo diferente no ar. Desde que fora mordido 750 anos antes que ele despertava de anos em anos, sempre com a mesma fome, sempre com os caninos crescidos, desta vez não era diferente. Antes de sair da cripta que era sua prisão por todos esses anos ele lixou os dentes e vestiu a mesma roupa que usara antes, não sabia quanto tempo havia passado, mas provavelmente serviria, era pretas e neutras o suficiente. Após sair pela igreja ele sabia que precisava se alimentar. Era a parte que ele menos gostava quando despertava, mas sua doença exigia isso. Quando encontra um rapaz, não tão velho vivendo em condições difíceis não imaginava que essa seria uma vítima diferente. Seu nome é Jex, conhecido por suas excentricidades na vizinhança, o rapaz fala com ele mesmo após estar em transe, algo sobre Lorcan Labraid, o mal do mundo que o chama. Will nunca esperou nada de sua vida, a não ser um dia se vingar da criatura que o transformou naquilo que é hoje. Sabendo que dessa vez é diferente Will parte levando o caderno de Jex deixando tudo queimando atrás de si. Seu nome e o título que ainda é seu apesar de a sua "morte" ter tirado sua chance, William, conde de Mércia, estar gravado naquele caderno não é apenas coincidência. Quando Will salva Eloise de alguns arruaceiros e eles terminam conversando em um bar por perto, ela acaba presenciando um ataque. O mesmo ser que o atacou mais cedo desta vez na forma de um cachorro que pega fogo. Mesmo temerosa Eloise quer saber sobre sua vida e seu segredo, depois das palavras de Jex, Will está tentado a gostar da proximidade com alguém vivo depois de tantos séculos. Juntos, com as poucas pistas que têm os dois desvendarão parte dos segredos que envolve a mordida que transformou Will e o porquê, depois de 750 anos, que tudo está acontecendo. O que era necessário? O que mudou? Por que ele?
É a partir dessa premissa que o autor desenvolve a história e confesso que fiquei surpresa desde as primeiras páginas com o estilo de narração. A história é contada através do ponto de vista de Will, e até aí nada demais, o detalhe é a voz narrativa dele, o jeito que ele conta sua história, seu tom carrega um misto de sentimentos, raiva, desdenho, desejo, desconfiança, e muitos outros. Wignall consegue um personagem cheio de nuances, que ora quer apenas viver e sentir algo, ora tem consciência do que é, da força e das habilidades que tem. Essa dicotomia me prendeu desde o começo e mostrou que a trilogia tem muito o que oferecer, é mais do que uma história de vingança e possível amor.
Will não viveu 750 anos, ele sobreviveu, tendo pouco de vida nesses longos séculos, e amarga muito sentimentos dentro de si à medida que os anos iam passando com ele ora hibernando ora acordado apenas para se alimentar. Ele mesmo ri, fica surpreso e enraivecido com a situação em que se encontra. Preso para sempre em um corpo de 16 anos, tendo visto tanta tragédia e morte ao logo dos anos, será que existe algo mais do que isso para ele? Será que a mordida que o transformou tem um por que? O autor constrói bem o mistério e o suspense, dando respostas que abriram mais perguntas e me deixou curiosa para o segundo livro. Quem espera por várias respostas não vá com tanta sede ao pote e aprecie a história pela riqueza do personagem, pelo estilo de voz narrativa e pelos interlúdios de seu passado.
A leitura flui rápida depois de um ou dois capítulos, nos instigando em buscas de respostas e de conhecer mais esse protagonista quase dissonante. Wignall me deixou curiosa com a mitologia que está construindo em torno de Will e Eloise, e a ambientação é ótima, adoro quando uma história se passa no lado antigo da Inglaterra. A edição da Bertrand está ótima, fonte agradável e tradução fluida, adorei a adaptação da capa, ficou muito bonita. Uma história que se adaptada renderia um filme de vampiro com tom totalmente diferente e misterioso. Recomendado a todos que procuram uma trilogia diferente, mas também para os que gostam de vampiros e querem algo inovador na mitologia. Suspense, ação, segredos, sentimentos que andam na tênue linha que divide cada ser humano entre certo, errado, bem, mal. Leiam e se surpreendam! Até mais!
Will acabara de sair de mais uma de suas longas hibernações e sabia que tinha algo diferente no ar. Desde que fora mordido 750 anos antes que ele despertava de anos em anos, sempre com a mesma fome, sempre com os caninos crescidos, desta vez não era diferente. Antes de sair da cripta que era sua prisão por todos esses anos ele lixou os dentes e vestiu a mesma roupa que usara antes, não sabia quanto tempo havia passado, mas provavelmente serviria, era pretas e neutras o suficiente. Após sair pela igreja ele sabia que precisava se alimentar. Era a parte que ele menos gostava quando despertava, mas sua doença exigia isso. Quando encontra um rapaz, não tão velho vivendo em condições difíceis não imaginava que essa seria uma vítima diferente. Seu nome é Jex, conhecido por suas excentricidades na vizinhança, o rapaz fala com ele mesmo após estar em transe, algo sobre Lorcan Labraid, o mal do mundo que o chama. Will nunca esperou nada de sua vida, a não ser um dia se vingar da criatura que o transformou naquilo que é hoje. Sabendo que dessa vez é diferente Will parte levando o caderno de Jex deixando tudo queimando atrás de si. Seu nome e o título que ainda é seu apesar de a sua "morte" ter tirado sua chance, William, conde de Mércia, estar gravado naquele caderno não é apenas coincidência. Quando Will salva Eloise de alguns arruaceiros e eles terminam conversando em um bar por perto, ela acaba presenciando um ataque. O mesmo ser que o atacou mais cedo desta vez na forma de um cachorro que pega fogo. Mesmo temerosa Eloise quer saber sobre sua vida e seu segredo, depois das palavras de Jex, Will está tentado a gostar da proximidade com alguém vivo depois de tantos séculos. Juntos, com as poucas pistas que têm os dois desvendarão parte dos segredos que envolve a mordida que transformou Will e o porquê, depois de 750 anos, que tudo está acontecendo. O que era necessário? O que mudou? Por que ele?
É a partir dessa premissa que o autor desenvolve a história e confesso que fiquei surpresa desde as primeiras páginas com o estilo de narração. A história é contada através do ponto de vista de Will, e até aí nada demais, o detalhe é a voz narrativa dele, o jeito que ele conta sua história, seu tom carrega um misto de sentimentos, raiva, desdenho, desejo, desconfiança, e muitos outros. Wignall consegue um personagem cheio de nuances, que ora quer apenas viver e sentir algo, ora tem consciência do que é, da força e das habilidades que tem. Essa dicotomia me prendeu desde o começo e mostrou que a trilogia tem muito o que oferecer, é mais do que uma história de vingança e possível amor.
Will não viveu 750 anos, ele sobreviveu, tendo pouco de vida nesses longos séculos, e amarga muito sentimentos dentro de si à medida que os anos iam passando com ele ora hibernando ora acordado apenas para se alimentar. Ele mesmo ri, fica surpreso e enraivecido com a situação em que se encontra. Preso para sempre em um corpo de 16 anos, tendo visto tanta tragédia e morte ao logo dos anos, será que existe algo mais do que isso para ele? Será que a mordida que o transformou tem um por que? O autor constrói bem o mistério e o suspense, dando respostas que abriram mais perguntas e me deixou curiosa para o segundo livro. Quem espera por várias respostas não vá com tanta sede ao pote e aprecie a história pela riqueza do personagem, pelo estilo de voz narrativa e pelos interlúdios de seu passado.
A leitura flui rápida depois de um ou dois capítulos, nos instigando em buscas de respostas e de conhecer mais esse protagonista quase dissonante. Wignall me deixou curiosa com a mitologia que está construindo em torno de Will e Eloise, e a ambientação é ótima, adoro quando uma história se passa no lado antigo da Inglaterra. A edição da Bertrand está ótima, fonte agradável e tradução fluida, adorei a adaptação da capa, ficou muito bonita. Uma história que se adaptada renderia um filme de vampiro com tom totalmente diferente e misterioso. Recomendado a todos que procuram uma trilogia diferente, mas também para os que gostam de vampiros e querem algo inovador na mitologia. Suspense, ação, segredos, sentimentos que andam na tênue linha que divide cada ser humano entre certo, errado, bem, mal. Leiam e se surpreendam! Até mais!
O Vampiro de Mércia - K.J. Wignall
1- Sangue
2- Alquimia
3- Morte












