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17/06/2013

Resenha - Aurora


Nome: Aurora
No Original: Aurora
Autor (a): Julie Bertagna
Tradutor (a): Santiago Nazarian
Páginas: 312
Editora: Farol
Comprar: Travessa - Cultura
Sinopse: Já se passaram 16 anos na trama. Mara, a jovem heroína criada pela autora, já não é mais uma menina. Agora ela é mãe de Lily – uma adolescente tão espirituosa quanto a protagonista foi no passado. De olhar curioso e de natureza atrevida, ela se torna peça importante neste terceiro livro. Os pais de Lily revelaram toda a trajetória de nagevações e batalhas por uma terra segura no mundo, como se fosse uma antiga lenda contada ao pé da fogueira. Ao descobrir que aquela jornada petrificante foi vivida, de fato, por sua mãe e tantos outros moradores de Candlewood, Lily se emociona e se vê ainda mais impulsionada em saber a verdade sobre vidas que existem para além do lugar onde vive. Ela quer fazer algo grande e corajoso, algo que vai sobreviver aos anos. Mas nada é tão simples. Não nesta conclusão da saga. Em sua própria aventura, Lily vai se deparar com revelações inimagináveis, viverá situações inesperadas com pessoas e outros seres não exatamente humanos, que antes não passavam de criaturas da imaginação. Antigos e novos personagens dão fôlego revigorado à trilogia que ainda conta com a figura de Raposo, que não desistiu de sua revolução em busca da igualdade e da justiça para o povo viver em condições mais humanas.

Quando soube que a Farol lançaria esse livro no mês de maio fiquei muito feliz, mas também receosa. A trilogia como já disse aqui outras vezes foi a primeira do gênero distópico que me interessou e levou-me em busca de outras obras desse gênero fascinante, por isso concluir sua leitura não foi algo fácil. Além disso a trilogia de Bertagna nos apresentou um futuro devastador e possível, que mexe com os sentimentos de quem lê, não só pelo mundo descrito, mas pelo conjunto da obra. Um desfecho belo e que deixa a promessa no ar de um amanhã melhor.

Dezesseis anos já se passaram e o recanto atrás das montanhas se tornou o lar de Mara e todos os refugiados que sobreviveram ao naufrágio e a fuga por dentre as montanhas. O lago continua lá e a terra ainda solta gritos lancinantes. Acostumados a rotina os habitantes de Candlewood não precisam de mais e não se preocupam com o restante do mundo. Lily vive com a mãe, os dois irmãos e o pai, Rowan. Seu melhor amigo é Wing, agora um rapaz que vive nas montanhas e nas florestas com o resto dos pivetes que criaram hábitos lupinos. Ninguém mais menciona o globo que Tuck roubou e as pessoas que perderam, mas Lily acaba ouvindo da pessoa errada que não é filha de Rowan. Magoada com a mentira de Mara ela está decidida atravessar as montanhas e depois o mar em busca de Raposo, o seu verdadeiro pai. Com ajuda de Wing e de maneira desastrada Lily chega a Ilira. Onde conhece Clay e Broom. A amiga da mãe que todos consideravam morta e o filho dela. Lily se vê deslumbrada pelas pontes e pelas construções, mais ainda quando descobre que Tuck sobreviveu e está com o globo. Agora sendo considerado quase um deus por deter o "poder e os segredos" do globo. Lily sabe que ele é um mentiroso e vai fazer de tudo para recuperá-lo. Mas Broom e Clay são considerados escravos. Numa cidade que mascara pessoas cruéis e sem escrúpulos no poder as coisas podem não terminar bem. Há quase meio oceano de distância Raposo e Pandora estão com a revolução prestes a começar, eles vão derrubar o império das cidades celestes e abrir o mundo novo para todos os desabrigados e refugiados. Em cada território elevado restante e em cada cidade celeste uma luta está prestes a começar.

Essa é a premissa básica de Aurora e com uma narrativa que segue tão bela e angustiante como antes Bertagna nos surpreende com uma conclusão forte, realista e que deixa esperanças de um futuro melhor. Rompendo com um ciclo de tirania e crueldade no poder. Tanto os habitantes do império quanto os de Ilira se veem em meio a mudanças. O que mais surpreende é o tom dessa virada e a visão dezesseis anos depois do mundo, que melhorou muito pouco apenas para um pequeno grupo. A pequena comunidade de Mara passou esse tempo isolada fora do mundo em uma paz estranha enquanto atrás das montanhas uma cidade crescia baseada na escravidão. Com belas e significativas descrições a autora nos transporta para esse assustador futuro, onde cada detalhe até mesmos os abstratos é importante.

Adorei a forma como ela construiu a parte de Raposo e Pandora, onde muitas vezes poucas palavras descreveram tudo, do ambiente aos sentimentos. E fiquei impressionada com o retorno de alguns personagens em sua versão adulta. Tuck utilizando-se do conhecimento retirado de um velho livro que roubou de Mara construiu uma vida baseada em mentiras ao redor do globo também roubado de Mara. O crescimento de Ilira também foi desconcertante, com o retorno de indústrias, trens e usinas tudo baseado nas mentiras de Tuck e na ganância do líder daquela parte de terras. Candle filha do chefe de Ilira é uma personagem muito ambígua e me vi mais interessado no encontro de Lily com Clay e Broom do que na história da garota. O final foi muito bom e encerra de forma satisfatória a busca por um novo mundo, um lugar habitável que permitirá aos seres humanos seguirem em frente, resgatar o necessário do passado e evoluir.

Leitura rápida, instigante e belamente descrita. Bertagna conclui uma distopia única e fascinante. Um fim cheio de possibilidades e que deixam no ar além da esperança perguntas que vou ficar imaginando. Lily é bastante semelhante a Mara como protagonista, mas o ímpeto jovem dela é mais forte, mostrando uma sutil diferença entre as gerações que nasceram entre o mundo antigo e o novo. A edição da Farol está ótima, fonte agradável, diagramação bonita e folhas ótimas. Ainda torço para a trilogia ser adaptada para o cinema. Recomendado a todos que querem uma distopia com belos personagens, um cenário único e com um tom próximo a realidade. Romance, ação, amizades e reviravoltas. Leiam e se encantem com a história de Mara. Até mais!

Trilogia Exodus - Julie Bertagna
1- Exodus
2- Zenith
3- Aurora

13/06/2013

Resenha - Zenith


Nome: Zenith
No Original: Zenith
Autor (a): Julie Bertagna
Tradutor (a): Cynthia Costa
Páginas: 328
Editora: Farol
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Os inúmeros refugiados do barco quase não têm mais alimentos. Parece que o mar engoliu tudo, até as estrelas. O cenário é desolador: e se o mundo inteiro for mesmo só oceano? As águas não param de subir, muita gente já morreu e os sobreviventes buscam apenas um lugar onde seja possível recomeçar. Instigada por um precioso livro, a jovem Mara conduz todos à Groenlândia: após o derretimento das calotas de gelo, haveria uma terra verdejante no topo do mundo? Porém, a cidade flutuante de Pomperoy – um acampamento de barcos repleto de ciganos marginalizados – não estava nos planos de Mara e de sua tripulação. Quando os oceanos subiram e devastaram o planeta, a enorme quantidade de informações do mundo perdido foi armazenada no ciberespaço. Mara usa então seu ciberwizz – pequeno globo do tamanho de uma maçã – para entrar no mundo virtual em busca de ajuda. Nas ruínas abaixo da cidade celeste, o Raposo tornou-se um traidor de seu povo: sim, ele planeja uma revolução.

A trilogia Exodus foi uma das primeiras, se não a primeira distopia que conheci, claro excetuando os clássicos, e a primeira que me chamou atenção para o gênero. Só de imaginar o planeta terra todo submerso sinto calafrios. Essa é a premissa base da história apresentada por Julie Bertagna no primeiro volume e partindo do ponto onde paramos a história segue Mara que agora está em uma jornada arriscada. Com o mesmo toque poético a autora nos surpreende mais uma vez com os caminhos de seus personagens.

Mara arriscou tudo ao fugir de Munno em um navio cheio de refugiados baseando-se na informação contida em um antigo livro encontrado na torre da biblioteca em ruínas do mundo submerso. Porém a viagem através do oceano se torna a cada dia mais exaustiva e as pessoas estão ficando agitadas. A comida é ruim, e a falta do que fazer deixa todos com o humor instável. Mara tenta não perder as esperanças, mas quando tem sua liderança questionada vê quão frágil é seu plano. Ao norte conhecemos Tuck, um garoto de doze anos que vive na cidade flutuante de Pomperoy. Formada por diversos barcos a cidade tem de tudo e uma sociedade foi organizada em torno de uma plataforma de petróleo. É a única vida que ele conhece e quase ninguém acredita nas histórias dos idosos sobre o antigo mundo, como a que seu avô contou sobre o Homem Meeiro não ser um deus e sim um antigo boneco de plástico de propaganda de frango, que a palavra Terra não é um palavrão e sim o nome do planeta e do chão onde todos pisavam antigamente e principalmente que o planeta é redondo, que não há uma borda no mundo. O destino de Tuck e Mara se entrelaçam de maneira trágica quando o barco de Mara, com o curso predefinido atravessa a cidade de Pomperoy atropelando barcos e deixando destruição para trás. Tuck nunca tinha visto um navio tão grande e monstruoso. No acidente ele perde a mãe e vê a cidade parcialmente destruída. Quando os piratas decidem ir atrás do imenso navio em busca de vingança e fortuna Tuck se junta a eles. E a chegada a Groenlândia não podia acontecer de forma mais tumultuada.

A premissa é basicamente essa e ainda estou abismada com o quão assustador pode ser a história imaginada por Bertagna. Um futuro catastrófico não tão distante da possibilidade onde os seres humanos sobrevivem aos trancos em meio a uma ignorância velada e imposta. O ritmo é bastante fluido e a escrita da autora assume um tom ainda mais poético do que no livro anterior, com belas passagens e metáforas. Bertagna conseguiu captar com tanta clareza esse futuro devastador que muitas vezes ao acompanhar a diferença destoante entre as vozes narrativas de Mara, Tuck e Raposo você se vê arrasado com aquele mundo, com a possibilidade daquele futuro. Com belas descrições e alternando entre as três frentes da trama a história avança para um cenário que surpreende a todos, ainda mais desolador e brutal, mas que guarda a esperança, um pedaço de terra intocado pela nova face do ser humano.

Mara continua uma ótima personagem, que mostra sinais de cansaço e dúvida, mas que não se deixa abater. Gostei bastante da divisão entre secundários que a autora fez não só no navio, mas nas outras situações. Rowan, Broomielaw, Pollock, Gorbals, todos estavam ótimos. A trama teve surpresas e reviravoltas que não esperava e a autora equilibrou de forma harmoniosa a divisão entre terra e mar. Fiquei muito curiosa para saber o que vai acontecer depois daquele final. Foram três aberturas e muitas perguntas. O cenário é tão fascinante que merece mais detalhes e o livro que ficou com Tuck deve render muito.

Leitura rápida, com uma trama instigante que alterna momentos belos e dolorosos aliados a ótimos personagens. Uma distopia plausível, um retrato futuro aterrador e que desperta no leitor a dúvida se nossas ações desmedidas um dia resultarão em algo parecido. A edição da Farol está ótima, fonte boa, diagramação ótima e capa muito bonita. Essa é uma trilogia que ficaria muito boa nos cinemas, não apenas pela história, mas pelo mundo. Seria fascinante ver tal cenário em um filme. Recomendado a todos que buscam uma distopia mais realista, com ação, bons personagens, romance e surpresas a história vai emocionar e despertar em você os mais variados sentimentos. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Trilogia Exodus - Julie Bertagna
1- Exodus
2- Zenith
3- Aurora

15/01/2013

Resenha - Exodus


Nome: Exodus
No Original: Exodus
Autor (a): Julie Bertagna
Tradutor (a): Lula Ramires
Páginas: 344
Editora: Farol
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Uma escolha capaz de mudar o futuro... É 2100 e o mundo mudou. As cidades estão debaixo d'água e a civilização foi revertida a um estado primitivo. Em uma ilha isolada do norte, Mara, de apenas quinze anos, tem vontade de liderar seu povo em busca de um recomeço. Mas as pessoas estão céticas e esperançosas que alguém vira em sua salvação. O duro caminho em busca de terra firme em um planeta irreconhecível. Esta história busca levar à reflexão sobre a crise climática contemporânea e as relações humanas levadas ao extremo.

Faz muito tempo desde que conheci e fiquei com vontade de ler Exodus. Foi um pouco antes das distopias virarem a febre que são. Para aqueles que não sabem esse primeiro livro da trilogia escrita por Julie Bertagna foi lançado em 2002. A história começa na virada de 2099 e o planeta inteiro está imerso em água. Com sensibilidade e imensa capacidade descritiva Bertagna nos entrega uma história assustadoramente possível. Seria esse o destino da humanidade?

Na pequena ilha ao norte do que já foi o oceano pacífico os habitantes vivem em estado primitivo. Em cabanas de pedra e sem qualquer tipo de tecnologia. A cada ano que passa o período de tempestades aumenta e com ele o nível do mar. A cada ano o nível das construções e das poucas plantações que ainda sobrevivem tem de ser mudado. Cada vez mais para o alto. O problema é que as montanhas estão ficando menores, o pico se aproxima com rapidez. As pequenas ilhas que havia em torno de Wing, sumiram. O que é assustador já que elas eram nada mais do que o pico de altas montanhas do passado. Mara acredita no que Tain, o habitante mais velho da ilha diz. Que não virá ajuda e que se eles não pensarem em algo morrerão todos afogados se não pensarem em uma solução logo. Os habitantes ainda acreditam que alguém virá em socorro da ilha. Mara vê nascer um plano quando navegando na cyberwizz, uma espécie de internet, um mundo virtual encontra uma pessoa, Raposa. Mara sempre achou que as ruínas da cyberwizz eram vazias e sem vida, afinal o planeta todo morreu e essa tecnologia foi esquecida. Mas se Raposa diz a verdade, as cidades flutuantes da qual Tain falou são reais. Mara precisa provar para os habitantes de Wing que a melhor solução é partir em busca delas antes que seja tarde demais.

A premissa é essa e a partir daí Mara parte para a vastidão do oceano em busca das tais cidades. Julie Bertagna criou um futuro extremamente interessante e rico. Com uma angústia crescente o leitor acompanha Mara e seus amigos. Refugiados do clima, excluídos da promessa de mundo novo. E a surpresa chocante que Mara tem ao encontrar as tais cidades é ainda mais estarrecedora. A autora possui uma habilidade descritiva que merece ser citada. Sem cansar ou exagerar ela mostra as diferenças e as implicações do ambiente na vida das pessoas. A situação absurda em que muitos vivem em tornos das imensas e ricas cidades do mundo novo.

Quanto aos personagens. O livro tem figuras bem interessantes, mas Mara se destaca. Ela é uma boa protagonista e suas incertezas não são bobas, sempre coerentes com o momento. Não sei o que vai acontecer com Raposa e os Treenesters depois daquele final. O ritmo é cadenciado, com pequenas alterações entre rápido e lento. Outro ponto que vale ressaltar e que me pegou de surpresa foi a mescla com a fantasia que a autora decidiu fazer na segunda metade do livro. Acredito que não era a única saída, afinal a solução que Mara encontrou poderia muito bem ser explicada com pura ciência. Estou muito curiosa para ver o que vem por ai. Existe um lugar que esteja e ficará a salvo das águas? E o que de mais escuso Mara encontrará no seu caminho?

Leitura rápida, instigante e com uma história que serve como alerta ou ainda um triste lembrete de mais uma possibilidade assustadora para o futuro do planeta Terra. A edição da Farol está ótima, fonte boa, diagramação agradável e capa mantida. Uma história de sobrevivência e comovente que certamente ficaria ótima se transformada em filme. Um cenário único que vai conquistar o leitor. Recomendado a todos. Dos fãs da distopia aos da ficção científica, que ainda passeia levemente pela fantasia e uma pitada de romance. Leiam! Até mais!

Trilogia Exodus - Julie Bertagna
1- Exodus
2- Zenith
3- Aurora