Nome: O Palácio de Inverno
No Original: The House of Special Purpose
Autor (a): John Boyne
Páginas: 456
Editora: Companhia das Letras
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Sinopse: Na primeira vez em que alterou o curso da história, em 1915, o então jovem camponês russo Geórgui Jachmenev conseguiu impedir um atentado à vida do grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar. Esse involuntário ato de bravura acaba por assegurar a Geórgui um lugar de honra na corte de Nicolau II, que o nomeia guarda-costas pessoal do seu filho, o também adolescente Alexei Romanov. Em 1981, agora cidadão britânico e funcionário aposentado da biblioteca do Museu Britânico, o octogenário Jachmenev, enquanto vela pela saúde da esposa Zoia, que vive os últimos estágios de um câncer devastador, deixa a memória flutuar, recordando aleatoriamente os fatos de sua vida, grande parte deles ligados diretamente a eventos históricos que transformaram o séc XX. Rasputin, Winston Churchill, um amigo de Charles Chaplin, o último czar russo e outros personagens históricos de vulto misturam-se às pessoas comuns do imaginário de Jachmenev, à medida em que sua memória vai aproximando os dois momentos mais importantes de sua trajetória, aquele que conquistou o amor de sua vida e aquele em que está prestes a perde-lo de forma definitiva.
Primeiro livro que recebi através da parceria com a Companhia das Letras e um livro que estava há mais de ano em minha lista de leitura. Um mergulho na história da Russa no início do século XX, do início da primeira guerra mundial, passando pela revolução russa e uma pincelada na segunda guerra. Através das memórias de um simples mujique do suspiro final do império russo e toda a tragédia que se sucedeu. O estilo inconfundível de Boyne em um narrador acima de qualquer crítica.
Geórgui Jachmenev passou mais de 50 anos acostumado com a proximidade com a morte de sua esposa Zoia. Agora com o câncer incurável e decisão dela de não lutar contra o inevitável Geórgui mergulha em lembranças do passado. Ele tinha 16 anos quando a história de sua vida mudou drasticamente. Extremamente pobre ele vivia com a família da aldeia de Cáchin, uma das tantas abandonadas pelo império, onde sofria com a indiferença do próprio pai e convivia com a sonhadora irmã. Foi na passagem do comandante do exército e primo do czar pela aldeia que os eventos se sucederam. Em um instante corria em direção do melhor amigo tentando evitar que ele atirasse no comandante, em seguida acordava na cama com a dor de um tiro no ombro. Ele não conseguiu ajudar o amigo, tinha evitado o atentado e salvo o primo do czar. Seu amigo jazia enforcado na rua e como gratidão ao ato heroico ele seria levado à corte em São Petersburgo. Lá ganha à confiança do czar Nicolau II e se torna guarda-costas de Alexei Romanov, garoto de 11 anos, herdeiro de todo o império russo. Convivendo não só com Alexei como com as filhas do czar, com a czarina e com o sórdido rasputin.
Extasiado com a vida no palácio de inverno Geórgui esquece sua origem e sua família chegando a negar ajuda a irmã. Desde o primeiro dia em São Petersburgo ele caiu de amores por Anastácia, a filha mais nova do czar sendo correspondido nesse amor impossível. Encontros escondidos e juras de amor. Uma relação inocente e perigosa. Em meio à riqueza e o luxo do palácio Geórgui se vê em meio de intrigas, fofocas e perigosas armações. Presencia as brigas do czar com a esposa, compartilha do segredo da doença de Alexei e acompanha de perto as mudanças decorrentes da guerra. A tensão nos corredores, a apreensão do czar e sua aparência gradualmente cansada e envelhecida. Geórgui narra tudo isso do presente, entre capítulos sobre sua vida atual, sua vida no palácio de inverno e sua vida pós-fuga da Rússia conhecemos os mistérios e segredos que atormentam tanto a alma de Zoia. Contar e reviver todas as memórias foi a forma de dizer a si mesmo o porquê de Zoia nunca ter se perdoado e nunca ter deixado de se sentir culpada. Os anos na Inglaterra, a morte do amigo na França, o trabalho para os ingleses durante a segunda guerra, a filha morta atropelada e principalmente o medo de ser encontrado depois de fugir da Rússia. Sendo que eles eram.
Durante todo livro o autor não faz questão de nos fornecer falsas pistas ou impressões, ele deixa a narrativa nos conduzir por entre os anos e pouco a pouco vem a confirmação das nossas suspeitas. Para quem conhece a história Russa, do fim do império e da revolução não foi uma surpresa, mas ainda sim por vários capítulos cheguei a duvidar. John Boyne continua mestre em passear por períodos históricos. Ele conta sua história sem descaracterizar o que realmente aconteceu. Ao terminar o livro procurei sobre o período relatado e foi incrível ver que alguns detalhes poderiam muito bem ter acontecido. Ele pegou algo que ficou no ar e transformou na história de Geórgui e Zoia. A narração em primeira pessoa impede de nos vermos a história pelo lado de Zoia, mas isso representa pouco quando temos a sinceridade de Geórgui e do ponto de vista de um homem de 80 anos que passou por tudo o que ele passou. Um narrador livre de pintar a verdadeira história como fazem os mais jovens. Sem atos heroicos ou atitudes bravas, apenas a história da sua vida.
Uma história de amor incondicional, companheirismo e lealdade. Um menino que foi leal até o fim, um menino que conheceu o outro lado da moeda e que assistiu a história sem poder fazer. É um livro que com o passar dos capítulos vai ficando cada vez mais difícil não se apegar com tantos sentimentos e emoções. A edição da Companhia das Letras é muito boa, não encontrei erros e fiquei surpresa com a diagramação. Eu esperava o mesmo modelo de Coração de Tinta e claro que me enganei, afina são dois selos diferentes. Recomendo o livro a todos. Não diria que é um romance histórico, não concordo com essa denominação. Indico aos que se identificaram com a primeira frase desse parágrafo e para todos que gostam desse tipo de ambientação histórica. Até mais!
Geórgui Jachmenev passou mais de 50 anos acostumado com a proximidade com a morte de sua esposa Zoia. Agora com o câncer incurável e decisão dela de não lutar contra o inevitável Geórgui mergulha em lembranças do passado. Ele tinha 16 anos quando a história de sua vida mudou drasticamente. Extremamente pobre ele vivia com a família da aldeia de Cáchin, uma das tantas abandonadas pelo império, onde sofria com a indiferença do próprio pai e convivia com a sonhadora irmã. Foi na passagem do comandante do exército e primo do czar pela aldeia que os eventos se sucederam. Em um instante corria em direção do melhor amigo tentando evitar que ele atirasse no comandante, em seguida acordava na cama com a dor de um tiro no ombro. Ele não conseguiu ajudar o amigo, tinha evitado o atentado e salvo o primo do czar. Seu amigo jazia enforcado na rua e como gratidão ao ato heroico ele seria levado à corte em São Petersburgo. Lá ganha à confiança do czar Nicolau II e se torna guarda-costas de Alexei Romanov, garoto de 11 anos, herdeiro de todo o império russo. Convivendo não só com Alexei como com as filhas do czar, com a czarina e com o sórdido rasputin.
Extasiado com a vida no palácio de inverno Geórgui esquece sua origem e sua família chegando a negar ajuda a irmã. Desde o primeiro dia em São Petersburgo ele caiu de amores por Anastácia, a filha mais nova do czar sendo correspondido nesse amor impossível. Encontros escondidos e juras de amor. Uma relação inocente e perigosa. Em meio à riqueza e o luxo do palácio Geórgui se vê em meio de intrigas, fofocas e perigosas armações. Presencia as brigas do czar com a esposa, compartilha do segredo da doença de Alexei e acompanha de perto as mudanças decorrentes da guerra. A tensão nos corredores, a apreensão do czar e sua aparência gradualmente cansada e envelhecida. Geórgui narra tudo isso do presente, entre capítulos sobre sua vida atual, sua vida no palácio de inverno e sua vida pós-fuga da Rússia conhecemos os mistérios e segredos que atormentam tanto a alma de Zoia. Contar e reviver todas as memórias foi a forma de dizer a si mesmo o porquê de Zoia nunca ter se perdoado e nunca ter deixado de se sentir culpada. Os anos na Inglaterra, a morte do amigo na França, o trabalho para os ingleses durante a segunda guerra, a filha morta atropelada e principalmente o medo de ser encontrado depois de fugir da Rússia. Sendo que eles eram.
Durante todo livro o autor não faz questão de nos fornecer falsas pistas ou impressões, ele deixa a narrativa nos conduzir por entre os anos e pouco a pouco vem a confirmação das nossas suspeitas. Para quem conhece a história Russa, do fim do império e da revolução não foi uma surpresa, mas ainda sim por vários capítulos cheguei a duvidar. John Boyne continua mestre em passear por períodos históricos. Ele conta sua história sem descaracterizar o que realmente aconteceu. Ao terminar o livro procurei sobre o período relatado e foi incrível ver que alguns detalhes poderiam muito bem ter acontecido. Ele pegou algo que ficou no ar e transformou na história de Geórgui e Zoia. A narração em primeira pessoa impede de nos vermos a história pelo lado de Zoia, mas isso representa pouco quando temos a sinceridade de Geórgui e do ponto de vista de um homem de 80 anos que passou por tudo o que ele passou. Um narrador livre de pintar a verdadeira história como fazem os mais jovens. Sem atos heroicos ou atitudes bravas, apenas a história da sua vida.
Uma história de amor incondicional, companheirismo e lealdade. Um menino que foi leal até o fim, um menino que conheceu o outro lado da moeda e que assistiu a história sem poder fazer. É um livro que com o passar dos capítulos vai ficando cada vez mais difícil não se apegar com tantos sentimentos e emoções. A edição da Companhia das Letras é muito boa, não encontrei erros e fiquei surpresa com a diagramação. Eu esperava o mesmo modelo de Coração de Tinta e claro que me enganei, afina são dois selos diferentes. Recomendo o livro a todos. Não diria que é um romance histórico, não concordo com essa denominação. Indico aos que se identificaram com a primeira frase desse parágrafo e para todos que gostam desse tipo de ambientação histórica. Até mais!












