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30/05/2014

Resenha - Belle Époque


Nome: Belle Époque
No Original: Belle Epoque
Autor (a): Elizabeth Ross
Tradutor (a): Jorge Ritter
Páginas: 294
Editora: Verus
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Quando Maude Pichon foge de casa, na provinciana Bretanha, e vai para Paris, seus sonhos românticos evaporam tão rápido quanto suas economias. Desesperada para arrumar um emprego, ela responde a um estranho anúncio de jornal — a Agência Durandeau está em busca de jovens pouco atraentes a fim de fornecer a suas clientes um serviço singular: uma moça sem graça contratada para acompanhar as damas da sociedade e fazê-las parecer mais belas. A condessa Dubern precisa de uma acompanhante para Isabelle, sua voluntariosa filha, e Maude é considerada o adorno perfeito para tornar a moça mais bonita. Isabelle nem desconfia de que sua nova “amiga” foi contratada pela mãe, e a mera presença de Maude entre a aristocracia depende de que consiga guardar esse segredo. No entanto, quanto mais ela conhece e se afeiçoa a Isabelle — uma jovem determinada a desafiar as expectativas da sociedade e a estudar ciências na universidade —, mais sua lealdade é posta à prova. E, enquanto a farsa persistir, Maude terá muito a perder.

Como na maioria das vezes que encontro um livro de fundo histórico fiquei bastante curiosa a respeito do livro de Elizabeth Ross desde que o conheci no Goodreads. Além de misturar jovem adulto com uma paisagem histórica a história criada por Ross trazia nada menos do que os anos pós-revolução francesa, a época da construção da Torre Eiffel, um dos períodos de maiores mudanças de Paris e por isso mesmo fascinante. Sem dúvidas Elizabeth Ross entrega uma história especial de beleza, amizade e força. Conheçam Maude e sua Belle Époque.

Maude Pichon estava em Paris a pouco tempo e a cidade era bem mais cara do que imaginava. Quando fugiu da casa do pai no interior com todas as economias da loja não imaginou que se veria em tanto aperto. Por isso nem pestanejou ao ir na entrevista de emprego. O anúncio estava apagado, e já arrependida de sua decisão Maude se vê sendo analisada como um pedaço de carne por Durandeau, o dono da agência. Sem entender o que está acontecendo a realidade só chega a Maude quando ela é reunida em uma sala cheia de garotas com vestidos extravagantes e elas são descritas por sua aparência para duas damas da sociedade. A Agência Durandeau trabalha oferecendo repoussoirs para a sociedade. Mulheres feias ou sem graça para andar ao lado de grandes damas buscando destacar a beleza das clientes. Maude por ser mais jovem é a repoussoirs perfeita para Isabelle Dubern, filha da condessa que está começando a temporada de debutantes nas próximas semanas. A Condessa quer que Maude acompanhe Isabelle em todos os eventos, ressaltando as qualidades da filha diante dos pretendentes. Ela que a filha casada com o Duque o quanto antes, mas à medida que Maude conhece Isabelle e sua personalidade forte, questionadora e inteligente percebe que não poderia haver traição maior do que a dela. Como ajudar a condessa sem passar por cima da bela amizade que construiu com Isabelle? Para piorar Maude se sente péssima trabalhando como uma repoussoirs e ao conhecer Paul, um músico, Maude começa a questionar seu verdadeiro lugar e sonhos. Como ajudar Isabelle sem perder sua confiança contando a verdade? Como ajudá-la sem encarar a fúria da Condessa?

É a partir dessa premissa aparentemente simples que Elizabeth Ross construiu sua história. Por trás de uma sinopse que pode levar o leitor a pensar que a história é apenas mais um conto romântico para jovens Ross escondeu uma bela história de crescimento e força. Maude é corajosa e sua voz narrativa crível, cativando o leitor e nos fazendo torcer por ela. Como toda garota Maude tem sonhos e é consumida por dúvidas, mas o modo como a autora colocou tudo na trama foi muito maduro, e em momento algum ela pareceu uma simples garota.

O cenário também é de grande valor, seja por sua atmosfera especial ou pelas belas paisagens, Paris foi e sempre será um cenário diferente, que consegue encantar e levar o leitor de forma vívida para a história. O clima de mudança no ar era inquestionável na época onde a história se desenrola e Ross captou muito bem a atmosfera de expectativa e novidade que girava em torno da construção da Torre Eiffel e da Exposição Universal de 1889 enquanto intrincava sua trama de ilusões e casamentos arranjados na sociedade. O final foi ótimo, aliás, a fluidez da trama foi tão natural que não percebemos o passar da história e chegamos ao fim querendo mais da história de Maude, Isabelle e Paul. Ross nos cativa com seus personagens como se fossem amigos próximos.

Leitura rápida, em um ritmo delicioso, que fascina pelo cenário e cativa pelos personagens fortes. A escrita da autora consegue ser rica e precisa sem ser rebuscada conquistando assim a todos os tipos de leitores. Seria ótimo se a autora lançasse um livro ou dois de companhia, com Isabelle de protagonista enfrentando suas escolhas e Maude em sua nova fase. Melhor do que trilogia e assim poderia ter mais dessa atmosfera parisiense deliciosa acompanhada pelos três ótimos personagens. A edição da Verus está ótima, fonte agradável, capa bem adaptada e tradução fluída. Adoraria ver a história de Maude adaptada de forma fiel, tanto pelo cenário maravilhoso quanto por sua força sonhadora e caráter. Recomendado a todos que procuram uma ficção de fundo histórico deliciosa, com ótimos personagens, uma trama que flutua entre amizades, intrigas, ambição e sonhos. Além de desenvolver muito bem o ar da época e trazer pelas páginas as paixões dos personagens, seja fotografia, música, ciência ou entre eles. Leiam e se surpreendam com a força e a beleza de Belle Époque! Até mais!