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22/06/2012

Resenha - Cosmópolis


Nome: Cosmópolis
No Original: Cosmopolis
Autor (a): Don DeLillo
Páginas: 200
Editora: Companhia das Letras
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Aos 28 anos, o empresário Eric Michael Packer fez fortuna com a especulação nas bolsas de valores de todo o mundo. Num certo dia do ano 2000, ele acorda e contempla a cidade de seu triplex no prédio residencial mais alto do mundo, em Nova York. Decide cortar o cabelo. O presidente da República está na cidade, os mercados estão nervosos, um protesto antiglobalização toma conta de Times Square e o trânsito está abarrotado. Acompanhado do motorista e de seguranças, Eric demora o dia inteiro para percorrer dez quarteirões de Manhattan em sua limusine equipada com bar, banheiro, monitores conectados à internet e câmaras de vídeo. Eric especula contra o iene, cuja cotação, segundo seus cálculos, deve começar a cair a qualquer momento. A moeda japonesa, porém, sobe sem parar. Durante a viagem, Eric encontra várias vezes por acaso a mulher com quem se casara poucos dias antes, a também milionária Elise. A relação deteriora a cada encontro, pois ela percebe que ele a trai sucessivas vezes ao longo do caminho. No decorrer do dia, as certezas e os valores de Eric se mostram vazios e sua vida entra em colapso. O empresário perde mais e mais dinheiro - e também toda a fortuna de Elise -, até que o sistema financeiro global é arrastado para uma grave crise. A história revela mais do que a falta de sentido de uma existência individual: ela aponta para o caráter perigosamente ilusório das bases que sustentam o mundo contemporâneo.

Quando recebi as opções de livro desse mês estava inclinada a pedir outro, fora da lista, mas eu estava com muitos livros grandes para ler e a possibilidade de sair da minha zona de conforto literário animou algo dentro de mim. Já tinha ouvido falar do sucesso do filme de David Cronenberg e decidi arriscar. Estava na hora de ler algo diferente. E realmente foi isso que aconteceu. "Cosmópolis" é um livro para poucos. Difícil de ler, repleto de alegorias e com um tom sátiro que ora funciona muito bem e ora torna a narrativa chata.

A história de Eric se passa no ano 2000 e em apenas um dia. Eric é brilhante, detalhista e se tornou um prodígio no setor financeiro com suas previsões de mercado e uso de teorias matemáticas para examinar padrões e prever o comportamento da economia e por consequência das bolsas de valores. É odiado e amado por seu talento. Em um dia particularmente quente e confuso Eric passa o dia em sua limusine no trânsito de NY. A última previsão dele parece estar errada e já perdeu milhões antes mesmo de o dia chegar à metade, mesmo assim não ouve os conselhos que recebe. É com esse fundo que acompanhamos a confusão que é a história de Cosmópolis. No caminho Eric passa por diversos lugares e faz diversas coisas dentro da limusine. É nesse cenário que conhecemos um personagem estranho, complexo, desligado de qualquer humanidade, obcecado com sua saúde e que já perdeu o prazer pelo que faz. Ganhar dinheiro e acertar suas previsões virou mero jogo. No transcorrer do dia, diversos acontecimentos e encontros interferem ainda mais no emocional de Eric.

A narrativa é estranha e o ritmo é como um fôlego longo alternado com quebras rápidas. Os pensamentos do personagem no meio dos diálogos transforma o livro e algumas passagens são muito malucas. Não estou certa que compreendi muito bem o protagonista. A maioria dos seus diálogos são inteligentes e filosóficos, mas não fazem sentido. Ele vive alheio a relações emocionais verdadeiras. De todas as conversas ficou a impressão que ele fala sozinho, sabe tão alheio as outras pessoas. O autor consegue lá em 2003 de uma sociedade muito parecida com a atual. No transcorrer do dia Eric vai acumulando observações sobre as ruas lá fora. O fluxo da cidade, as pessoas, e sobre ele mesmo. Não é um tipo de narrativa que agrada a muitos e não funciona muito bem na construção de uma trama sólida. Tanto que o livro acontece mesmo é na parte final. Ali alguma coisa é construída para chegar aquele desfecho.

É uma leitura que se você distrair um minuto tem que voltar e ler de novo o trecho. Estou muito curiosa para assistir ao filme e ver como ficou afinal o filme foi elogiado pela crítica e o livro também é um sucesso de crítica. Uma desconstrução da modernidade e do capitalismo. Eric é o resultado da sociedade moderna. É para questionar o que esse mundo faz conosco. Dos temores as relações. A edição da Companhia das Letras é padrão, fonte boa de ler e a capa reflete a cidade em movimento. Não é um livro que eu recomendo para todo mundo. É mais para os que gostam de um romance diferente, complexo e que vai fazer você pensar um pouco. São 200 páginas e a despeito do ritmo é um livro que vale a pena ler. É um estilo diferente de escrita e de vez em quando bom variar na hora de ler, conhecer outros horizontes. Até mais!