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26/09/2014

Resenha - O Assassinato de Roger Ackroyd


Nome: O Assassinato de Roger Ackroyd
No Original: The Murder of Roger Ackroyd
Autor (a): Agatha Christie
Tradutor (a): Renato Rezende
Páginas: 296
Editora: Globo
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Na pequena King's Abbot o suícidio súbito de uma viúva logo espalha rumores de que ela matou seu marido e estava tendo um caso secreto com o bem sucedido Roger Ackroyd. Na noite seguinte, Ackroyd é assassinado em seu escritório trancado, logo após receber uma carta póstuma da viúva, onde confessa que estava sendo chantageada e identifica o chantagista. King's Abbot está cheia de suspeitos, desde o mordomo nervoso, passando pelo enteado rebelde e problemático até a cunhada Sra. Cecil Ackroyd, que mora há anos na casa do irmão de seu falecido marido. Cabe agora ao famoso detetive Hercule Poirot, que estava em King's Abbot incognito e aposentado, cuidando de seu jardim, resolver o mistério de quem matou Roger Ackroyd e porque. Uma tarefa em que terá auxílio do médico James Sheppard, contando ainda com a engenhosa e fofoqueira irmã do médico, Caroline. O Assassinato de Roger Ackroyd é o livro que fez Agatha Christie um nome familiar e lançou sua carreira bestseller.

A maioria dos leitores devem ter visto eu falar que estava de mudança no último final de semana e portanto sem acesso à internet. Aproveitando esses dois, três dias sem internet e com todos os meus livros encaixotados acabei com os livros da Agatha Christie que tenho em mãos. Estava desfazendo mais uma das caixas na casa nova quando encontrei o livro e comecei a ler. Sendo um dos mais aclamados livros da dama Agatha, O Assassinato de Roger Ackroyd instigou-me logo nos primeiros capítulos. Conheçam.

A história começa com o Dr. Sheppard retornando da residência da viúva Ferrars. Sua irmã, Caroline, como sempre estava o aguardando. Para Caroline a morte do detestável marido da senhora Ferrars não fora gastrite e sim assassinato e claro, para ela a viúva tinha se suicidado por culpa. O Dr. Sheppard já acostumado com a rede de fofocas que Caroline mantém não admira que ela já saiba de todos os detalhes verdadeiros e inventados do caso. Depois de anos vivendo com a irmã já aprendeu a dar o mínimo de informações possíveis sobre seus pacientes. Na pequena King's Abbot todos sabem de tudo. Desde o caso da viúva com o bem sucedido industrial Roger Ackroyd, passando pela enteado problemático e que vive pedindo dinheiro ao padrasto até o misterioso homem que agora é seu vizinho. Caroline está intrigada por não ter descoberto nada sobre o estrangeiro de bigode. Ela acha que ele é um cabeleireiro francês aposentado, o Dr. acha que é bobagem. As dúvidas da cidade vão embora quando na noite seguinte ao suicídio da viúva Roger Ackroyd é assassinado em seu escritório. Dr. Sheppard passara lá minutos antes e encontrara um Ackroyd agitado, com uma carta da Sra. Ferrars em mãos, onde contava que estava sendo chantageada. Todos que estavam na casa são logo considerados suspeitos, do mordomo Parker a cunhada Sra. Cecil Ackroyd. A polícia acredita que foi o enteado desaparecido de Ackroyd, Ralph Paton, mas Flora, sobrinha do falecido não consegue acreditar nisso e para ajudar decide chamar o misterioso vizinho dos Sheppard. Para a surpresa do Dr. Sheppard, ele é Hercule Poirot, famoso detetive que auxiliou a Scotland Yard em diversos casos. Ao lado de Poirot o doutor acompanhará o desenvolver surpreendente do enrolado caso e a revelação de quem matou Roger Ackroyd.

É a partir dessa premissa que Agatha Christie desenvolveu o que é considerado por muitos o romance policial perfeito, com o crime e a resolução perfeita. A narrativa desde o primeiro momento envolvente, com seu tom amigável de quem conta um caso a um amigo, o doutor leva o leitor através dos acontecimentos de seu dia e por causa de seu tom íntimo e amigável acabamos envolvidos de modo único no assassinato. A ambientação é a melhor versão da realidade como Christie sempre mostrou que faz bem. A pequena King's Abbot é um retrato fiel de pequenas vilas inglesas, e com seus personagens tornam a trama ainda mais instigante.

Ao lado do doutor e de Poirot montamos o caso peça por peça, absorvemos com curiosidade cada ínfimo detalhe que o detetive indica ou revela assim como ficamos intrigados e inventamos mil possibilidades para os passos que ele dá fora do campo da narração do doutor Sheppard. Christie foi perspicaz ao dividir a jornada da dupla e já ali indicava o rumo da história, poucos são aqueles que notaram, poucos mesmo e digo isso sendo uma daquelas que lê, lê e lê livros policiais, mas não foi capaz de pescar absolutamente nada da resolução do caso até a derradeira revelação de Poirot. Dama Agatha, como pode enganar o leitor de forma tão descarada? Estava ali, debaixo do nariz, bem a cara e para todo mundo ver, mas complicado do jeito que o leitor é, ele adoro uma teoria complicada...

Leitura rápida, instigante e com uma trama extremamente inteligente. Pontuada por ótimos personagens, voltas habilidosas e bem construídas, Agatha Christie apresentou um de seus melhores casos, com camadas mais densas do que pode julgar o leitor desapercebido e entrelinhas perspicazes. A edição da Globo está ótima, boa fonte e boa tradução. A arte da capa também ficou boa. O maior problema que tenho com a edição do livro tanto a nova como sua antecessora é a sinopse errônea. O que eles colocaram nela de informação da trama e do caso está completamente trocado. É absurdo e triste que isso aconteça. Mais atenção a quem produz as sinopses. Já conversei com a editora e vão resolver. Abaixo segue apenas os livros da série que eu tenho de um total de 42. Recomendado a todos que procuram um livro de trama policial inteligente, imprevisível e que vai manter até o leitor mais experiente no escuro. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Hercule Poirot - Agatha Christie
1- O Misterioso Caso de Styles
2- Assassinato no Campo de Golfe
3- Poirot Investiga
4- O Assassinato de Roger Ackroyd
9- Treze À Mesa
10- Assassinato no Expresso do Oriente
18- Assassinato no Beco
20- O Natal de Poirot
24- Cinco Porquinhos
35- A Terceira Moça
37- Os Elefantes Não Esquecem
39- Cai O Pano

23/06/2012

Resenha - O Misterioso Caso de Styles


Nome: O Misterioso Caso de Styles
No Original: The Mysterious Affair at Styles
Autor (a): Agatha Christie
Páginas: 238
Editora: BestBolso
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: No meio da madrugada, a rica proprietária da mansão Styles é encontrada morta em sua cama, aparentemente vítima de um ataque cardíaco. As portas do quarto estavam trancadas por dentro e tudo indicava morte natural. Mas o médico da família levanta uma suspeita: assassinato por envenenamento. Todos os hóspedes da velha mansão tinham motivos para matar a Sra. Inglethorp e nenhum deles possuía um álibi convincente. Para solucionar o crime entra em ação o detetive Hercule Poirot, irresistível personagem criado por Agatha Christie, que faz a sua estreia neste caso intrigante. Um marco da literatura policial e um dos maiores romances do gênero.

Desde o começo do ano estou nessa promessa de ler mais Agatha Christie. Faz um bom tempo já que assisti a um episódio de Doctor Who em homenagem à autora e desde então anseio por conhecer mais os clássicos de mistério que fez a cabeça de várias gerações. Essa semana essa vontade ressurgiu quando minha mãe me presenteou com quatro títulos dela em versão de bolso. Para melhorar a situação três deles são da série do detetive Poirot e estavam na ordem. Ou seja, corri para ler.

O primeiro caso do belga Hercule Poirot é narrado por Hastings, um amigo, ex-soldado que está de volta a Inglaterra sem ter para onde ir. Convidado por um amigo ele vai passar uma temporada na mansão Styles. Lá encontra pessoas diversas em aparente harmonia. A concordância de que o novo marido da Sra. Inglethorp é um patife deixa um clima constante de desconforto na mansão. Sendo que a própria toca a casa e seus eventos beneficentes com a mesma rigidez, sem aceitar qualquer palavra sobre seu casamento. O clima muda quando depois de uma briga tensa entre Srta. Howard e Sra. Inglethorp a secretária e amiga de longa data vai embora da mansão. Uma noite após um jantar beneficente a casa toda é acordada pelo barulho que vem do quarto da matriarca. Com as portas trancadas eles não podem fazer nada e quando conseguem adentrar ela já está morta. Os indícios apontam para um ataque cardíaco, mas os dois médicos chamados tem uma opinião diferente: a cena no quarto e o corpo também apontam para envenenamento. John e Lawrence Cavendish, enteados de Sra. Inglethorp e criados como filhos concordam que é preciso chamar alguém para investigar da forma mais discreta possível antes de a autópsia sair e a polícia ser envolvida.

Poirot que está na vila com um grupo de belgas é chamado por Hastings para investigar o caso e os dois passam os dias à procura de pistas na mansão. Entrevistam os empregados e os residentes. A partir daí a narrativa vai se construindo. Pequenas pistas da cena e outros indícios levam Poirot e Hastings a um infindável emaranhado de perguntas e mentiras. O inconfundível estilo de Agatha Christie deixa tudo melhor. O jogo com as pistas que ela deixa durante a história é perfeito e Poirot está em uma ótima atuação. O personagem vê coisas impossíveis e muitas vezes fiquei pasma com as conclusões que ele consegue tirar. Seja observando uma pessoa seja analisando um quadro. O final foi de certa maneira surpreendente. Eu imaginei exatamente aquilo no começo, mas durante o livro a autora faz um trabalho tão bom em convencer o leitor de vários contrários que o suspense dura até o capítulo final. Aliás, um dos grandes méritos da autora é contar sua história de forma completa. Enquanto Poirot e Hastings investigam ela consegue construir os personagens, caracteriza-los de forma a acrescentar mais a trama. Deixando tudo mais crível, complicado e denso.

Leitura rápida e impossível de largar antes da solução final. Um início perfeito para um dos melhores investigadores, detetives da literatura. É lendo Agatha Christie que percebemos o quanto ela está acima de muitos autores policiais que consideramos excelentes. A edição da BestBolso é muito boa, a fonte é pequena, mas agradável e o livro é bem macio, fácil de segurar, carregar. Provavelmente a história já foi adaptada, ou para o cinema ou para alguma série, teatro. Fiquei curiosa para ver todo aquele climão inglês, mansão cheia de segredos e tal. Leitura recomendadíssima para qualquer um que se considera fã do gênero e mais recomendada ainda para quem ainda não ler Agatha Christie. Afinal esse é o primeiro caso de Poirot, indispensável para qualquer um que quer começar de modo certo. Leiam! Até mais!

19/01/2012

Resenha - Assassinato no Expresso do Oriente


Nome: Assassinato no Expresso do Oriente
No Original: Murder on the Orient Express
Autor (a): Agatha Christie
Páginas: 226
Editora: Nova Fronteira
Comprar: Siciliano - Saraiva - Travessa - Extras
Sinopse: Pouco depois da meia-noite, uma tempestade de neve pára o Expresso do Oriente nos trilhos. O luxuoso trem está surpreendentemente cheio para essa época do ano. Mas, na manhã seguinte, há um passageiro a menos. Um americano é encontrado morto em sua cabina, com doze facadas, e a porta estava trancada por dentro. Pistas falsas são colocadas no caminho de Hercule Poirot para tentar mantê-lo fora de cena, mas, num dramático desenlace, ele apresenta não uma, mas duas soluções para o crime.

Não me apedrejem, mas este é o primeiro livro da Agatha Christie que eu leio. A não ser que eu esteja muito ruim de memória e tenha lido algum quando era criança. Sempre quis ler Agatha, mas sou muito chata e esperava um dia que todos os livros fossem lançados por uma editora só e com capas padrão. Assim poderia ter a coleção completa e uniforme. Não estava esperando e ganhei uma caixa com três livros dela de presente da minha mãe. A caixa contém três livros com casos do mais famoso detetive pós Sherlock, Hercule Poirot.

Este é um dos mais famosos livros de Agatha Christie e acredito que pude provar um pouco da fórmula tão elogiada. É uma estrutura a primeira vista simples, mas que envolve o leitor e não consegue revelar o desfecho antes do tempo. As possibilidades passam pela mente, mas só nas últimas páginas somos capazes de ligar os pontos decisivos. Algumas pessoas discordam sobre a previsibilidade do livro e do quão irreal é o caso, mas não descartaria a possibilidade. As coisas andam tão malucas, que não duvidaria algum dia ouvir notícia semelhante.

Hercule Poirot está voltando da Síria para europa no último horário do Taurus Express. O trem apesar da época do ano está lotado. Fato que já desperta a atenção do detetive. Poirot consegue uma cabine com a ajuda do diretor da companhia e velho amigo Bouc. Após algumas noites de viagem o trem fica preso em uma nevasca antes de chegar a Iugoslávia e um dos passageiros amanhece morto. Sr. Rachett é encontrado em sua cabine com doze facadas muito diferentes entre si. Imediatamente Bouc convida Poirot a assumir o caso e resolver o mistério. Algumas provas são encontradas na cabine, mas o detetive desconfia da veracidade de algumas. O interrogatório dos passageiros começa e somos conduzidos através das personalidades mais distintas, passando do conde e da condessa húngara por um vendedor italiano, uma princesa russa, uma governante alemã, um coronel inglês e várias outras. O final do livro foi uma surpresa, e confesso que na hora não soube se gostei ou não. Meio estranho, mas se você pensar bem, de qualquer forma seria difícil de provar a história apurada por Poirot.

Mentiras mal contadas, segredos, e a ligação com o caso Armstrong são itens decisivos para resolver o caso. Gostei muito de cada depoimento ser um novo capítulo, dessa maneira as informações foram sendo acumuladas sem se perderem na narração, como acontece com alguns livros mais recentes do gênero. Não prometo ler todos os livros de Agatha, mas gostei bastante. Só achei um pouco exagerado a tradução deixar tantas falas em francês. Concordo que algumas eram fundamentais, mas em outras ocasiões só serviram para deixar as passagens confusas. 

A edição da Nova Fronteira é bem agradável, com uma capa sóbria e fonte boa. Uma pena que procurei por outros títulos dessa mesma edição além dos três desta caixa e não encontrei nenhum disponível. Recomendo para os que gostam de um bom mistério policial e é indispensável para aqueles que querem conhecer clássicos. Agatha Christie é uma das maiores escritoras inglesas e merecia mais espaço na blogosfera literária. Até mais!